Os preparativos para a celebração de Corpus Christi já começaram na Igreja Cristo Rei, no Centro de Fortaleza. Fiéis e integrantes de grupos pastorais iniciaram a produção dos tradicionais tapetes religiosos que serão utilizados durante a procissão do Santíssimo Sacramento, uma das celebrações mais importantes do calendário católico.
A montagem mobiliza dezenas de participantes e transforma o espaço em um ambiente de oração e também de expressão artística. Os tapetes são confeccionados com materiais como serragem colorida, areia, sal, pó de café e cascas de ovos, formando imagens religiosas e símbolos ligados à Eucaristia.
Na Igreja Cristo Rei, a tradição ocorre desde 2005 e reúne membros de diferentes pastorais da comunidade. O trabalho começa dias antes da celebração e exige organização, planejamento e dedicação dos participantes.
Igreja Cristo Rei mantém tradição de Corpus Christi
Ao longo da montagem, os fiéis preenchem cuidadosamente cada detalhe dos desenhos que vão compor os quadros do tapete religioso. As imagens retratam símbolos como o cálice, a hóstia, passagens bíblicas e representações de Cristo.
A professora aposentada Fátima Damasceno participa da atividade desde a primeira edição realizada na igreja e afirma que a confecção dos tapetes representa um momento de evangelização e união entre os grupos da paróquia.
“Eu estou aqui desde o primeiro. É um momento importante da igreja, né? De evangelização. A gente prepara esse tapete, todo cristão sabe que nós estamos preparando para o Senhor passar. É uma alegria de todas as pastorais. É um trabalho conjunto, é um trabalho da comunidade. Então a gente prepara, tem sacrifício? Tem, porque tem as pessoas de idade, tem as pessoas que trabalham, mas quando a gente termina é só alegria, é só satisfação”, disse ela, ao falar com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza.
Tradição une fé, arte e comunidade
Os tapetes de Corpus Christi são considerados uma das manifestações religiosas mais conhecidas da tradição católica no Brasil. As obras são produzidas especialmente para receber a passagem da procissão, quando os fiéis percorrem as ruas em adoração ao Corpo e ao Sangue de Cristo presentes na Eucaristia.
A celebração ocorre tradicionalmente na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade, data celebrada 60 dias após a Páscoa.
Segundo a tradição cristã, os tapetes simbolizam a acolhida a Jesus, fazendo referência à passagem bíblica da entrada de Cristo em Jerusalém, quando a população cobriu o caminho com ramos e mantos.
Durante a procissão, o ostensório (objeto metálico utilizado para expor a hóstia consagrada) passa sobre os tapetes confeccionados pelos fiéis.
Origem da tradição de Corpus Christi
A tradição dos tapetes religiosos surgiu na Europa durante a Idade Média. O costume teve origem em Portugal, especialmente na região dos Açores, e ganhou força após a instituição oficial da celebração de Corpus Christi pelo Papa Urbano IV, em 1264.
No Brasil, a prática foi trazida pelos portugueses durante o período colonial e se espalhou por diferentes regiões do país. Os primeiros registros da ornamentação de ruas para Corpus Christi aconteceram em Ouro Preto, em Minas Gerais, por volta de 1733.
Hoje, a tradição permanece forte em estados como Ceará, Minas Gerais e Espírito Santo, além de cidades portuguesas onde a celebração continua sendo realizada.
Tema de 2026 será “Ele veio morar em nós”
Na Igreja Cristo Rei, o tapete é dividido em vários quadros e recebe um tema diferente a cada ano. Para 2026, o tema escolhido foi “Ele veio morar em nós”, o mesmo utilizado pela Campanha da Fraternidade.
Para Fátima Damasceno, a atividade representa também uma forma de evangelização por meio da arte e da convivência comunitária.
“A gente faz porque cada um tem que fazer a sua parte, né? Então a gente fazendo a parte da gente, a gente sabe que, onde quer que chegue a pessoa que venha aqui ver, onde chegar ela vai dizer: eu fui, confesso Cristo em Cristo Rei e vi um trabalho lindo. Porque a nossa preocupação é isso, essa doação, esse carinho, essa confraternização de todas as pastorais”, afirmou.




