Parar de fumar está entre os maiores desafios enfrentados por quem desenvolveu dependência da nicotina. No Ceará, o Hospital de Messejana se tornou referência no atendimento a pessoas que buscam abandonar o cigarro, oferecendo acompanhamento especializado, suporte medicamentoso e estratégias para enfrentar a abstinência e evitar recaídas.
A procura pelo tratamento para parar de fumar costuma acontecer após anos de convivência com o tabagismo ou diante do surgimento de problemas de saúde relacionados ao hábito. É o caso do funcionário público Lauro Garcia, que decidiu buscar ajuda após descobrir um nódulo no pulmão.
Lauro conta que começou a fumar ainda jovem, influenciado por uma colega de trabalho. Durante anos, acreditou que os riscos eram menores porque não costumava tragar a fumaça. A percepção mudou quando precisou iniciar o acompanhamento médico.
“Iniciei esse tratamento, tanto do nódulo como do tabagismo. Parei de fumar em 2024 por seis meses e voltei a fumar no mesmo ano. Agora estou aqui novamente, desde fevereiro, tentando me livrar deste vício”, relata.
A experiência dele reflete uma realidade comum entre fumantes. Muitas pessoas conseguem interromper o consumo do cigarro por um período, mas encontram dificuldades para manter a abstinência sem apoio especializado.
Tratamento para parar de fumar ajuda pacientes a superar recaídas
A busca por uma vida sem cigarro também levou o vidraceiro Rogério Silva a procurar atendimento no Hospital de Messejana.
Segundo ele, o desejo de abandonar o tabagismo existia há muito tempo, mas as tentativas feitas sem acompanhamento profissional não tiveram o resultado esperado.
“Sempre tive vontade de parar de fumar. Tentei algumas vezes, mas sem a ajuda daqui eu não conseguia. Realmente é muito interessante e muito importante essa ajuda”, afirma.
Os relatos mostram que a dependência da nicotina vai muito além de um hábito cotidiano. Trata-se de uma condição que interfere no comportamento, no humor e na rotina dos usuários, tornando o abandono do cigarro um processo complexo.
Hospital de Messejana é referência no combate ao tabagismo
O atendimento aos fumantes é realizado por meio do Programa de Controle do Tabagismo, iniciativa que reúne profissionais de diferentes áreas para auxiliar pacientes que desejam abandonar o cigarro.
O objetivo é oferecer suporte durante todas as etapas do tratamento, desde a avaliação inicial até o acompanhamento da abstinência e a prevenção de recaídas.
A coordenadora do programa, Penha Uchôa, explica que cada paciente passa por uma avaliação para identificar o grau de dependência e definir a estratégia terapêutica mais adequada.
Como funciona o Programa de Controle do Tabagismo
De acordo com Penha Uchôa, o tratamento combina acompanhamento presencial e suporte medicamentoso.
“O paciente passa pelo menos quatro meses em atendimento presencial para compreender o que é essa dependência. Ele também aprende a traçar estratégias para viver sem o cigarro, lidar com o humor e controlar a ansiedade sem recorrer à nicotina”, explica.
Os medicamentos utilizados durante o processo ajudam a reduzir os sintomas da síndrome de abstinência, um dos principais obstáculos para quem tenta abandonar o tabagismo.
Além da dependência física, a equipe trabalha fatores emocionais e comportamentais frequentemente associados ao consumo de cigarros.
Muitos pacientes relatam que fumavam em situações de ansiedade, estresse ou socialização, o que exige a construção de novos hábitos e estratégias para lidar com esses gatilhos.
Dependência da nicotina exige acompanhamento especializado
Especialistas reforçam que a dificuldade em abandonar o cigarro não deve ser interpretada como falta de determinação.
A nicotina é considerada uma substância altamente viciante e provoca alterações no funcionamento do cérebro, favorecendo a manutenção da dependência.
Por isso, o acompanhamento profissional é apontado como um recurso importante para reduzir recaídas e aumentar as chances de sucesso durante o processo.
Além de melhorar a qualidade de vida, parar de fumar contribui para a redução dos riscos de doenças cardiovasculares, problemas respiratórios e diferentes tipos de câncer relacionados ao tabagismo.
Cigarros eletrônicos preocupam especialistas e ampliam alerta
Enquanto o cigarro convencional continua sendo um desafio para a saúde pública, os cigarros eletrônicos também preocupam profissionais da área.
Conhecidos popularmente como vapes, esses dispositivos vêm registrando aumento de popularidade entre adolescentes e jovens adultos.
Segundo Penha Uchôa, aproximadamente 30% dos jovens já utilizam cigarros eletrônicos.
A especialista alerta que esses dispositivos podem conter concentrações significativamente maiores de nicotina quando comparados aos cigarros tradicionais.
“Ele contém um nível de concentração de nicotina muito mais elevado e chega mais rapidamente ao cérebro. Em alguns casos, pode representar uma concentração seis a sete vezes maior quando comparada ao cigarro convencional”, destaca.
Diante desse cenário, a orientação dos profissionais é evitar qualquer contato inicial com o produto.
Lauro Garcia, que continua enfrentando diariamente o desafio de abandonar o cigarro, também deixa um conselho baseado na própria experiência.
“O conselho que eu dou é não experimentar, não se envolver e não transformar isso em hábito. Tudo melhora depois que você larga o cigarro.”
A mensagem reforça uma orientação compartilhada por especialistas: embora o processo seja desafiador, buscar ajuda profissional aumenta significativamente as chances de abandonar a dependência e conquistar uma vida mais saudável.




