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EDUCAÇÃO

Aos 13 anos, Ênio Silveira começou a dar aulas no quintal de casa e criou uma das maiores redes de ensino do Nordeste

Fundador do Colégio Antares conta como transformou um curso preparatório criado na adolescência em um dos projetos educacionais mais influentes do Nordeste

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Aos 13 anos, Ênio Silveira começou a dar aulas no quintal de casa e criou uma das maiores redes de ensino do Nordeste
De monitor de matemática a referência na educação: a história de Ênio Silveira. Foto: Reprodução

A história de Ênio Silveira na educação começou muito antes da fundação do Colégio Antares. Durante participação no programa Conexões com Ricardo Bezerra, o educador e empresário relembrou uma trajetória que teve início ainda na adolescência, quando transformou a preparação para o Colégio Militar de Fortaleza em um pequeno curso preparatório criado no quintal da casa dos pais.

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Ao longo da entrevista, Ênio contou detalhes da infância, da influência decisiva do pai em sua formação, dos primeiros passos como professor de matemática, da criação de grandes projetos educacionais e da construção de uma carreira que o tornou uma das principais referências do setor no Ceará.

Segundo ele, tudo começou dentro de casa. Filho de um servidor público do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que se aposentou como superintendente do órgão, e de uma dona de casa, o futuro educador cresceu em um ambiente onde os estudos eram valorizados.

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O pai, apaixonado por matemática, decidiu prepará-lo para o concurso de ingresso no Colégio Militar de Fortaleza. Para isso, criou uma rotina rigorosa de exercícios e acompanhamento semanal. "Ele comprou dois livros difíceis, de grande qualidade, e toda semana me dava uma tarefa. No sábado, a gente olhava tudo o que eu tinha feito e ele me ensinava o que eu tinha errado", relembra.

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A estratégia funcionou. Ao final do ano, Ênio foi aprovado e ingressou na instituição que acabaria mudando os rumos de sua vida.

Colégio Militar despertou vocação para ensinar

Logo nos primeiros anos como aluno do Colégio Militar, Ênio passou a chamar atenção pelo desempenho em matemática. O resultado foi um convite do professor Gildo Rodas para atuar como monitor da disciplina. A atividade era voluntária. Após as aulas regulares, ele voltava ao colégio para ajudar outros estudantes.

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Foi nesse período que percebeu algo que o acompanharia pelo resto da vida. "Os alunos que estudavam comigo começaram a crescer muito. Eu vi que realmente era um talento, era uma vocação que eu tinha e, a partir daí, não parei mais de dar aula", afirma.

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O que começou como monitoria logo se transformou em aulas particulares para colegas e amigos. Ainda adolescente, ele passou a receber estudantes em casa para reforço escolar. Durante aproximadamente 30 anos, manteve contato direto com salas de aula, conciliando a atividade com a gestão de instituições de ensino.

Curso criado aos 13 anos começou com apenas quatro alunos

O primeiro empreendimento educacional nasceu quando Ênio tinha apenas 13 anos. Observando que o método utilizado pelo pai havia sido decisivo para sua aprovação no Colégio Militar, ele decidiu replicar a experiência para outros estudantes.

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A primeira turma foi formada por apenas quatro alunos. "Juntou um grupo pequeno e eu disse: vamos passar no Colégio Militar. Fizemos um ano de muito estudo e os quatro alunos passaram", conta. O resultado rapidamente chamou atenção.

No ano seguinte, a turma passou para 12 estudantes. Todos foram aprovados. Depois vieram 20 alunos. Em seguida, dezenas. Mais tarde, centenas. O crescimento ocorreu de forma totalmente orgânica, impulsionado pela recomendação das famílias.

Na época, entretanto, havia um obstáculo: a pouca idade do professor. Segundo Ênio, muitos pais chegavam ao local acreditando que encontrariam um educador experiente e se surpreendiam ao descobrir que o responsável pelas aulas era um adolescente.

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"Mais de uma vez o pai pedia para assistir às aulas para ver se realmente dava certo. Graças a Deus, sempre agradava", recorda. A proximidade de idade com os estudantes acabou se transformando em uma vantagem. "Eu tinha uma relação muito boa com os meninos. Talvez porque estivesse muito perto da idade deles", afirma.

Engenharia quase levou Ênio para a indústria

Apesar do sucesso crescente como professor, a educação ainda não era o único caminho imaginado por ele. Apaixonado por matemática e desafios técnicos, Ênio ingressou no curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Ceará (UFC) e também cursou Engenharia Elétrica na Universidade de Fortaleza (Unifor).

Durante a formação, passou por estágios em instituições e empresas importantes, como Tecnorte, Esmaltec, Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec) e laboratórios da própria UFC. A intenção inicial era construir carreira na indústria. "Eu gostava de desafio e comecei a pensar na indústria", relata.

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Mesmo recebendo convites para permanecer nas empresas após os estágios, decidiu seguir outro caminho. O crescimento do curso preparatório já exigia dedicação cada vez maior.

O sucesso das atividades educacionais levou Ênio a participar da criação do Grupo Educacional Lourenço Filho (GEL), que se tornaria uma das maiores redes privadas de ensino do Nordeste. Segundo ele, a instituição alcançou números expressivos, chegando a operar 32 unidades e atender aproximadamente 22 mil alunos simultaneamente em diferentes estados da região.

Durante 15 anos, participou diretamente da expansão do grupo e da consolidação da marca no mercado educacional. A experiência acumulada nesse período serviria de base para um novo projeto. Após deixar o GEL, Ênio decidiu investir em uma instituição própria. Em 1998, fundou oficialmente o Colégio Antares, que iniciou as atividades com uma unidade na Praia de Iracema.

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O projeto nasceu apoiado na reputação construída ao longo de décadas como professor e gestor educacional. "Eu resolvi sair e montar o Colégio Antares. O cursinho já fazia muito sucesso e entrei com o slogan: do melhor curso para o melhor colégio", afirma.

Segundo ele, a expansão da rede ocorreu de forma gradual e baseada em planejamento financeiro conservador. "Nunca gostei de dívida. Sempre tivemos muito pé no chão. Com o dinheiro que uma sede gerava, a gente construía a próxima", explica.

A estratégia permitiu o crescimento contínuo da instituição, que se consolidou como uma das principais referências da educação privada no Ceará.

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Venda para o Grupo Salta marcou nova fase da trajetória

Outro tema abordado durante a entrevista foi a incorporação do Antares ao Grupo Salta, considerado um dos maiores grupos de educação básica do Brasil. Ênio explicou que a decisão amadureceu após décadas de dedicação integral ao negócio e ganhou força durante o período da pandemia.

Além da oportunidade financeira, ele buscava garantir a continuidade do projeto educacional. "Eu vi que era hora de dar uma parada. Apareceu um grupo sério, de muita qualidade, e me fez uma proposta interessante. O Antares passou a fazer parte do Grupo Salta e eu passei a ser sócio do grupo", afirma.

Mesmo após a negociação, continua ligado ao setor educacional. Atualmente, dedica parte do tempo à produção de material didático. Seus livros são utilizados por milhões de estudantes em escolas públicas e privadas de diversas regiões do país.

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Ênio Silveira defende educação como principal ferramenta de transformação social

Ao final da entrevista, o educador afirmou que o Brasil precisa ampliar os investimentos em educação para reduzir desigualdades e criar oportunidades para as novas gerações.

Para ele, o ensino continua sendo o principal instrumento de ascensão social e desenvolvimento econômico.

"Esse país tem que entender que educação é tudo. É a maneira de fazer com que o aluno pobre, o aluno carente, possa disputar oportunidades em igualdade de condições. É o caminho do progresso do nosso país", afirma Ênio Silveira.

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Assista à entrevista completa clicando aqui.



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