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SERRA

Café centenário em Mulungu transforma tradição de mais de 120 anos em experiência turística

Ao longo de mais de 120 anos, o cultivo do café permaneceu como uma das principais atividades do Sítio São Roque.

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A tradição familiar se reflete não apenas na produção dos grãos. (Foto: Reprodução)


Em meio às paisagens da Serra de Mulungu, no Maciço de Baturité, uma propriedade fundada em 1905 mantém viva uma tradição que atravessa gerações e ajuda a contar parte da história da cafeicultura cearense. O café centenário em Mulungu produzido no Sítio São Roque se tornou referência ao unir preservação ambiental, turismo rural e a produção de cafés especiais em um dos cenários mais emblemáticos do interior do Ceará.

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Localizado a mais de 800 metros de altitude, o sítio integra a Rota Verde do Café, circuito turístico que valoriza a cultura cafeeira da região e oferece aos visitantes a oportunidade de conhecer de perto todas as etapas da produção, desde o cultivo até a xícara.

Mais do que uma atividade agrícola, a experiência permite mergulhar na história de uma família que há mais de um século mantém a tradição do café como parte de sua identidade.

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Café centenário em Mulungu preserva tradição iniciada em 1905

Ao longo de mais de 120 anos, o cultivo do café permaneceu como uma das principais atividades do Sítio São Roque.

Mesmo acompanhando as transformações do mercado e as novas exigências dos consumidores, a propriedade preserva técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações.

A tradição familiar se reflete não apenas na produção dos grãos, mas também na manutenção de estruturas históricas que ajudam a contar a trajetória da fazenda e da cafeicultura no Maciço de Baturité.

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Produção de café arábica se destaca na Serra de Mulungu

A propriedade cultiva café arábica, variedade reconhecida internacionalmente pelos aromas mais complexos e pelo sabor suave.

As condições naturais da Serra de Mulungu contribuem diretamente para a qualidade do produto. A combinação entre altitude elevada, clima ameno e vegetação preservada cria um ambiente favorável ao desenvolvimento dos grãos.

Segundo a diretora da Associação Ecoarcafe, Tereza Farias, um dos diferenciais da produção está no cultivo sombreado.

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“O café arábica tem boa produtividade embaixo das árvores. A engazeira é a principal árvore de sombreamento desse cafezal. Temos aqui todo o processo produtivo, desde a colheita até a secagem e o beneficiamento. A nossa fábrica é original desde 1950”, destaca.

Sistema agroflorestal ajuda a produzir cafés especiais

Um dos aspectos que diferenciam a produção desenvolvida no sítio é o sistema agroflorestal adotado no cultivo.

Em vez de grandes áreas de monocultura, os cafezais convivem com árvores nativas que ajudam a conservar a umidade do solo, proteger as plantas e manter o equilíbrio ambiental.

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O modelo também reduz a necessidade de intervenções mais agressivas e atende a características valorizadas no mercado de cafés especiais.

Após a colheita manual dos frutos maduros, o café passa por processos de lavagem, secagem, descanso e beneficiamento antes de seguir para a torra.

Todo o trabalho busca preservar as características naturais dos grãos e garantir uma bebida de alta qualidade.

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Família mantém viva a história do Sítio São Roque

A produção segue sendo conduzida por diferentes gerações da mesma família.

Além do cultivo, os familiares participam de etapas como comercialização, torrefação e divulgação dos produtos.

“Nós temos uma torrefação e uma cafeteria em Fortaleza que já estão na quarta geração da família. São meus filhos e minhas noras que trabalham nesse processo. O café sai daqui e segue para a torra, que é feita por profissionais especializados”, afirma Tereza Farias.

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Segundo ela, a torra desempenha papel fundamental na definição dos aromas e sabores que serão percebidos pelos consumidores.

“O mestre de torra é uma pessoa que estuda todo o processo, a química do café. Cada lote recebe um tratamento específico para alcançar o resultado desejado”, explica.

Cafés homenageiam fundadores da propriedade

Além da produção tradicional, o Sítio São Roque desenvolveu uma linha de cafés inspirada nos fundadores da propriedade.

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A proposta surgiu como uma forma de preservar a memória familiar por meio dos diferentes perfis sensoriais das bebidas.

A presidente da Associação Ecoarcafe, Mônica Farias, explica que o mesmo grão pode apresentar características distintas dependendo do processo de torra.

“Nós decidimos homenagear os fundadores do sítio, meu avô, minha avó e meu pai. Fizemos um estudo sobre a personalidade de cada um deles e associamos essas características aos perfis dos cafés”, relata.

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Segundo ela, pequenas mudanças na temperatura e no tempo de torra são capazes de destacar notas diferentes, como chocolate, caramelo, rapadura e frutas.

Rota Verde do Café fortalece turismo e economia no Maciço de Baturité

O Sítio São Roque integra a Rota Verde do Café, iniciativa que reúne municípios como Mulungu, Guaramiranga, Pacoti e Baturité.

O projeto busca fortalecer o turismo rural e criar novas oportunidades econômicas para produtores, empreendedores e comunidades locais.

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Além de conhecer o processo produtivo do café, os visitantes têm contato com a cultura serrana, a história regional e produtos desenvolvidos por famílias que mantêm viva a tradição cafeeira.

Para Mônica Farias, o café é apenas o ponto de partida para impulsionar outras atividades econômicas da região.

“A finalidade da Associação da Rota Verde do Café é trabalhar o turismo rural, tendo o café como eixo principal. A partir dele conseguimos fortalecer diversos setores da economia local”, destaca.

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Ao unir tradição, inovação e preservação ambiental, o café centenário em Mulungu mostra como uma atividade iniciada há mais de um século continua gerando renda, fortalecendo a identidade cultural da Serra de Mulungu e atraindo visitantes interessados em conhecer os caminhos percorridos pelo café até chegar à xícara.

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