O Ceará está mais próximo de colocar sua tecnologia em órbita. Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), o primeiro nanossatélite concebido no estado recebeu aprovação da Agência Espacial Brasileira (AEB) e tem lançamento previsto para 2027. O projeto representa um marco para a pesquisa científica cearense e coloca a instituição entre os centros brasileiros que atuam no desenvolvimento de tecnologias espaciais.
Batizado de Nascerr, o equipamento está na fase final de montagem e passará por uma série de testes antes de seguir para as etapas que antecedem o lançamento. A missão tem como principal objetivo validar sistemas capazes de continuar funcionando mesmo sob os efeitos da radiação espacial, um dos maiores desafios enfrentados por equipamentos eletrônicos enviados para a órbita terrestre.
Coordenada pelo Departamento de Engenharia de Teleinformática da UFC, a iniciativa também reforça a presença do Ceará em projetos de alta tecnologia e inovação, áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento científico nacional.
Primeiro nanossatélite cearense recebe aprovação da Agência Espacial Brasileira
A aprovação da Agência Espacial Brasileira representa uma etapa decisiva para a missão. Com o aval da instituição, o projeto avança para as fases finais de preparação do equipamento que deverá operar a aproximadamente 550 quilômetros de altitude.
Segundo a UFC, o investimento total chega a R$ 2 milhões. Os recursos foram obtidos por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).
Do valor total, R$ 1,5 milhão foi destinado à construção da versão de voo do nanossatélite. Os outros R$ 500 mil foram aplicados no desenvolvimento de tecnologias complementares e subprodutos relacionados à missão.
Além do avanço científico, o projeto coloca o Ceará em um grupo restrito de instituições brasileiras capazes de desenvolver equipamentos voltados para aplicações espaciais.
Projeto da UFC quer aumentar a resistência de sistemas eletrônicos no espaço
Os nanossatélites são versões compactas dos satélites convencionais e costumam pesar entre um e dez quilogramas. Por apresentarem custos mais baixos de fabricação e lançamento, tornaram-se ferramentas importantes para universidades, centros de pesquisa e empresas do setor aeroespacial.
O Nascerr utiliza o padrão CubeSat, modelo amplamente empregado em missões acadêmicas e experimentais. A estrutura é formada por dois módulos principais: um dedicado aos sistemas de energia, comunicação e operação do equipamento, e outro destinado aos experimentos científicos.
Um dos principais objetivos da missão é avaliar tecnologias capazes de minimizar os efeitos da radiação ionizante sobre componentes eletrônicos. Esse fenômeno pode provocar falhas em sistemas embarcados e reduzir significativamente a vida útil dos equipamentos em órbita.
Enquanto satélites convencionais podem permanecer ativos por até 20 anos, muitos nanossatélites operam por períodos de apenas dois a três anos. A expectativa da equipe é que as soluções desenvolvidas contribuam para ampliar a confiabilidade e a durabilidade dessas plataformas.
Nanossatélite deve concluir testes antes do lançamento em 2027
Antes de seguir para o espaço, o Nascerr ainda passará por uma série de avaliações técnicas. Atualmente, os pesquisadores trabalham nos testes dos sistemas de comunicação sem fio, incluindo telemetria e telecomando.
A telemetria permitirá que a equipe acompanhe, a partir da Terra, informações sobre o funcionamento do equipamento durante a missão. Já o telecomando possibilitará o envio de instruções e ajustes mesmo após o nanossatélite estar em órbita.
Concluída essa etapa, o projeto avançará para os preparativos finais do lançamento, cujo custo é estimado em cerca de 150 mil dólares.
Caso o cronograma seja mantido, o Nascerr se tornará o primeiro nanossatélite desenvolvido no Ceará a alcançar a órbita terrestre. O feito deverá representar um marco para a ciência produzida no estado e ampliar a participação da UFC em iniciativas estratégicas ligadas ao setor espacial brasileiro.




