Dois influenciadores investigados por rifas ilegais no Ceará foram colocados em liberdade provisória após passarem por audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (12), poucas horas depois de serem presos durante uma operação da Polícia Civil no município de Cruz, no litoral norte do estado.
Carlos Eduardo Araújo Sousa, de 24 anos, e Francisco Aldi Barros de Souza, de 20 anos, são alvos da Operação Fortuna, que apura suspeitas de exploração de rifas e sorteios sem autorização legal, além de possíveis práticas relacionadas à lavagem de dinheiro. Apesar da soltura, ambos deverão cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça enquanto as investigações prosseguem.
Influenciadores investigados por rifas ilegais deixam prisão após decisão da Justiça
A liberdade provisória foi concedida durante audiência de custódia realizada após as prisões em flagrante.
Na decisão, o magistrado homologou os flagrantes e rejeitou o pedido da defesa para anular as prisões. No entanto, considerou a ausência de representação por prisão preventiva por parte da autoridade policial, além do fato de os investigados serem réus primários e possuírem bons antecedentes.
Com isso, a Justiça autorizou que ambos respondessem às investigações em liberdade, desde que cumpram as determinações impostas pelo Judiciário.
O que apura a Operação Fortuna da Polícia Civil
A Operação Fortuna é coordenada pela Delegacia Municipal de Cruz, com apoio das delegacias de Acaraú e Bela Cruz.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), as investigações apontam que os suspeitos utilizavam perfis com grande alcance nas redes sociais para promover rifas e sorteios sem autorização dos órgãos competentes.
De acordo com a apuração, os valores arrecadados por meio dessas atividades estariam sendo analisados para verificar eventual utilização em operações destinadas a ocultar a origem dos recursos.
A Polícia Civil ressalta que a exploração de loterias e rifas sem autorização legal pode configurar infrações penais, dependendo das circunstâncias apuradas durante a investigação.
Como ocorreram as prisões em Cruz
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, Carlos Eduardo Araújo Sousa foi autuado em flagrante pelo crime de exploração de loteria não autorizada.
Já Francisco Aldi Barros de Souza foi preso por suspeita de adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
Um dos investigados é conhecido nas redes sociais como "Balaclava do Grau", perfil associado à divulgação de conteúdos envolvendo motocicletas e manobras populares.
Ao longo da operação, os agentes apreenderam:
- Dois automóveis;
- Três motocicletas;
- Aparelhos eletrônicos;
- Materiais considerados relevantes para a investigação.
Além das apreensões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 300 mil em contas bancárias vinculadas aos investigados.
Quais medidas cautelares foram impostas aos investigados
Para permanecerem em liberdade, os dois influenciadores deverão cumprir uma série de restrições determinadas pelo Poder Judiciário.
Entre elas estão:
- Manter endereço atualizado perante a Justiça;
- Não mudar de residência sem comunicação prévia;
- Não deixar a comarca por mais de oito dias sem autorização judicial;
- Comparecer a todos os atos processuais quando convocados;
- Não frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos semelhantes;
- Não promover, divulgar ou incentivar rifas e sorteios virtuais nas redes sociais, direta ou indiretamente.
O descumprimento das medidas poderá resultar em nova análise da situação processual dos investigados.
Investigação sobre rifas ilegais e lavagem de dinheiro continua
A Polícia Civil informou que a investigação segue em andamento para aprofundar a análise das movimentações financeiras dos envolvidos e identificar a eventual participação de outras pessoas.
Até a última atualização do caso, as defesas de Carlos Eduardo Araújo Sousa e Francisco Aldi Barros de Souza não haviam sido localizadas para comentar as acusações.
Os investigados permanecem submetidos ao princípio constitucional da presunção de inocência. A eventual responsabilização criminal dependerá da conclusão das investigações e de decisão definitiva da Justiça.




