Uma moradora do bairro Cambeba, em Fortaleza, denunciou uma babá de 26 anos por supostos maus-tratos contra seu filho, um bebê de apenas 7 meses. A denúncia foi feita após câmeras instaladas dentro da residência registrarem imagens que, segundo a família, mostram agressões cometidas pela profissional durante o período em que ela cuidava da criança. O caso foi levado à Polícia Civil, que instaurou inquérito para apurar os fatos.
A mãe do bebê, Ana Lícia, afirma que decidiu instalar câmeras escondidas após sentir uma preocupação constante em relação ao filho, mesmo sem ter presenciado qualquer situação suspeita anteriormente. Segundo ela, a funcionária trabalhava na residência havia pouco mais de quatro meses e havia sido contratada por indicação de pessoas próximas.
Até então, de acordo com a família, a babá mantinha uma postura considerada adequada diante dos pais e nunca havia despertado desconfiança direta.
“Não vimos nada de errado. Pelo contrário, ela tratava ele muito bem na nossa frente. Mas eu sentia que tinha alguma coisa errada. Eu não tinha paz, não conseguia dormir. Foi o instinto materno que me fez colocar as câmeras”, relatou Ana Lícia.
Câmera escondida registrou supostos maus-tratos contra bebê em Fortaleza
Segundo a mãe, as câmeras foram instaladas durante a tarde e começaram a registrar as primeiras imagens cerca de 20 minutos depois. Os vídeos divulgados posteriormente nas redes sociais mostram momentos em que a profissional teria segurado a criança com força, além de outros comportamentos considerados agressivos pela família.
Ana afirma que o material publicado representa apenas parte do conteúdo gravado naquele dia.
“Esses vídeos são todos do mesmo dia e da mesma tarde. Foi exatamente no dia em que instalei as câmeras. O que mais me revolta é imaginar o que pode ter acontecido durante os quatro meses anteriores, quando não havia câmera”, afirmou.
A mãe explicou que trabalhava em regime de home office e permanecia em um escritório separado dentro da residência. Por esse motivo, não percebeu imediatamente o que acontecia nos outros ambientes da casa.
Mãe relata choque ao assistir às imagens gravadas dentro de casa
Durante aquela tarde, Ana conta que ouviu o bebê chorar apenas uma vez. Ao verificar a situação, recebeu da babá a informação de que o desconforto estaria relacionado ao nascimento dos dentes da criança. “Quando ele chorou, eu fui até a sala perguntar o que tinha acontecido. Ela disse que ele estava enjoadinho por causa dos dentinhos. Como ele realmente estava nessa fase, eu acreditei”, disse.
A descoberta ocorreu somente após o encerramento do expediente da funcionária. Ao revisar as gravações, a mãe afirma ter ficado em choque com as cenas registradas. “Quando vi os vídeos, meu chão caiu. Liguei para o meu esposo imediatamente. Ficamos desesperados e fomos direto para a delegacia”, relatou.
Polícia Civil investiga denúncia contra babá após vídeos viralizarem
Após analisar as imagens, a família registrou boletim de ocorrência. Segundo Ana Lícia, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso e iniciar a coleta de depoimentos. O bebê também passou por exames médicos para verificar a existência de possíveis lesões. Foram realizados exames de imagem, incluindo raio-X dos braços e do crânio.
“Graças a Deus, os exames não apontaram nenhuma sequela física. Fizemos tudo para descartar qualquer lesão”, afirmou. Segundo a mãe, ela também entrou em contato com a profissional após assistir às gravações. A babá teria negado qualquer agressão e alegado que estava apenas brincando com a criança.
“Ela dizia que estava brincando e que gostava muito dele. Isso me preocupou ainda mais, porque, se aquilo era uma brincadeira para ela, imagine em uma situação de estresse ou de raiva”, declarou.
Outras famílias procuraram a mãe após divulgação do caso
Depois que os vídeos começaram a circular nas redes sociais, outras famílias entraram em contato com Ana Lícia ao reconhecerem a profissional nas publicações.
Segundo a mãe, pelo menos duas mulheres relataram preocupação por terem contratado a mesma babá anteriormente para cuidar de seus filhos. Até o momento, porém, não houve relatos de episódios comprovados de violência envolvendo essas crianças.
“Uma dessas mães me procurou chorando, muito preocupada. Ela disse que a profissional também cuidou do filho dela, mas que não tinha câmeras em casa. Agora ela não sabe o que pode ter acontecido”, contou. A expectativa da família é que a investigação esclareça os fatos e determine eventuais responsabilidades.
“Eu espero que a Justiça faça o que for necessário para que isso nunca mais aconteça com nenhuma outra criança. Estamos falando de bebês que ainda estão em fase de desenvolvimento e que podem carregar consequências para o resto da vida”, concluiu a mãe.




