Uma situação que poderia ter terminado em tragédia mobilizou uma família da Serra da Ibiapaba nesta semana. O pequeno Luiz Miguel, de apenas 9 meses, precisou enfrentar uma longa jornada por atendimento especializado após engolir uma presilha de cabelo dentro de casa, em Tianguá, no Interior do Ceará.
O caso começou na noite de segunda-feira (16), quando o bebê apresentou uma forte crise de tosse durante a amamentação. Inicialmente, os pais não imaginavam que a criança havia ingerido um objeto. Pouco depois, porém, o menino começou a apresentar sinais de engasgo e dificuldade para respirar.
A partir daquele momento, teve início uma corrida contra o tempo. Entre atendimentos médicos, transferências e espera por um procedimento especializado, a família contabilizou cerca de 65 horas de aflição até que o objeto fosse retirado.
Bebê engole presilha durante amamentação
A mãe relatou que não conseguiu identificar exatamente o momento em que o filho teve contato com a presilha. O bebê estava saudável e seguia a rotina normal da família quando começou a tossir de forma intensa durante a última mamada da noite.
Ao perceber que a criança apresentava sinais de sufocamento, ela realizou manobras de desengasgo e buscou ajuda imediata. O menino foi levado para uma unidade hospitalar em Tianguá, onde exames de imagem identificaram a presença de um corpo estranho na região da garganta.
Segundo os pais, inicialmente os profissionais visualizaram apenas a parte metálica do objeto no raio-x. Somente depois foi possível compreender que se tratava de uma presilha de cabelo.
Apesar da estabilização inicial, Luiz Miguel continuou apresentando sintomas preocupantes, incluindo excesso de secreção, rouquidão, tosse persistente e dificuldade para se alimentar.
Transferência entre hospitais aumentou a angústia da família
Após a confirmação da presença do objeto, a equipe médica decidiu transferir o bebê para Sobral. A viagem foi realizada em ambulância, acompanhada por profissionais de saúde, devido ao risco de agravamento do quadro durante o trajeto.
Os pais acreditavam que a retirada do objeto seria realizada rapidamente após a chegada ao novo hospital. No entanto, o procedimento não aconteceu de imediato.
Conforme relataram, diversos especialistas avaliaram o caso, mas a complexidade do atendimento em uma criança tão pequena dificultou a realização da intervenção. O bebê permaneceu internado enquanto era analisada a possibilidade de transferência para Fortaleza.
Durante esse período, a família observou sinais de desgaste físico na criança. O menino permaneceu sem conseguir se alimentar normalmente e apresentava episódios frequentes de tosse e desconforto.
"A todo momento falavam que era um caso grave, porque o objeto poderia mudar de posição ou causar outras complicações", relata o pai da criança.
Procedimento foi realizado em Fortaleza
A transferência para a capital cearense ocorreu somente na quarta-feira (18). Luiz Miguel foi encaminhado ao Hospital Infantil Albert Sabin, unidade de referência no atendimento pediátrico.
Segundo os pais, a equipe médica iniciou imediatamente os preparativos para a retirada do objeto. Antes do procedimento, o bebê passou por novas avaliações para reduzir os riscos da intervenção.
A operação conseguiu remover a presilha que estava alojada na garganta da criança. O procedimento provocou sangramento e exigiu cuidados intensivos posteriores, incluindo internação temporária na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Apesar da gravidade da situação, a evolução clínica foi considerada positiva pelos profissionais responsáveis pelo atendimento.
Criança segue em recuperação
Após a retirada da presilha, Luiz Miguel apresentou melhora significativa e recebeu alta da UTI. Ele permanece sob observação médica enquanto realiza novos exames para avaliar possíveis lesões causadas pelo objeto.
Os médicos ainda devem realizar uma endoscopia complementar para verificar se houve ferimentos no canal digestivo.
Durante a internação, a família também recebeu a informação de que o bebê testou positivo para Covid-19. Apesar disso, segundo os pais, ele não apresentou sintomas importantes relacionados à infecção.
Agora, a expectativa é pela recuperação completa e pelo retorno para casa nos próximos dias.
Caso serve de alerta para pais e responsáveis
O episódio reforça a importância dos cuidados com objetos pequenos em ambientes frequentados por crianças. Presilhas, moedas, botões, peças de brinquedos e outros itens podem representar risco de engasgo, especialmente nos primeiros anos de vida.
Especialistas orientam que, diante de qualquer suspeita de ingestão de corpo estranho, os responsáveis procurem atendimento médico imediato, mesmo quando a criança aparenta estar estável.
No caso de Luiz Miguel, a rápida identificação do problema e o acompanhamento hospitalar foram fundamentais para evitar consequências ainda mais graves.




