O homem acusado de esfaquear a ex-companheira e decepar parte da orelha dela em Fortaleza foi condenado pela Justiça do Ceará a 33 anos e 10 meses de prisão. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (19) pelo Conselho de Sentença da 2ª Vara do Júri da Capital, que reconheceu a responsabilidade de Francisco Ricardo Damasio de Oliveira pelos crimes cometidos em julho de 2025, no bairro Lagoa Redonda.
A pena reúne duas condenações. Pela tentativa de feminicídio qualificado contra a ex-companheira, Elisângela dos Santos Gomes, o réu recebeu 31 anos e dois meses de prisão. Já pela lesão corporal praticada contra Maria de Fátima Queiroz dos Santos, mãe da vítima, a sentença foi de dois anos e 10 meses.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de indenização de R$ 15 mil às vítimas. O acusado também não poderá recorrer da decisão em liberdade.
Homem que decepou orelha da ex-companheira é condenado pela Justiça do Ceará
O caso teve grande repercussão devido à violência do ataque. Segundo a investigação e os elementos apresentados durante o julgamento, o crime ocorreu poucos dias após o término do relacionamento entre o casal.
Elisângela e Francisco mantiveram uma relação por cerca de oito meses. Na semana anterior ao crime, a mulher decidiu encerrar o relacionamento.
Apesar da separação, ambos continuavam morando no mesmo condomínio, em apartamentos diferentes.
A vítima vivia com a filha caçula, uma criança de 7 anos diagnosticada com transtorno do espectro autista. Já o acusado ocupava outra unidade no mesmo conjunto habitacional.
Conforme os autos do processo, o homem não aceitou o fim da relação e atacou a ex-companheira. Durante as agressões, a mãe da vítima tentou impedir a ação e acabou ferida.
Como ocorreu o ataque no bairro Lagoa Redonda
As agressões deixaram Elisângela em estado grave.
Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, onde recebeu atendimento de emergência.
Devido à gravidade dos ferimentos, a vítima precisou ser intubada. Os médicos realizaram procedimentos para conter a hemorragia provocada pelas facadas e também uma cirurgia de reconstrução da orelha atingida durante o ataque.
As consequências físicas foram severas.
Segundo informações apresentadas no processo, Elisângela ficou com uma cicatriz de 283 pontos na região da cabeça, resultado dos procedimentos realizados para reparar os danos causados pelas agressões.
O acusado foi preso em flagrante logo após o crime e permaneceu detido durante toda a tramitação do processo.
Vítima sobreviveu, mas ainda convive com sequelas
Mesmo após sobreviver ao ataque, Elisângela continua enfrentando os impactos da violência.
De acordo com informações apresentadas durante o processo judicial, ela segue utilizando medicamentos antidepressivos em decorrência dos traumas causados pelo crime.
Embora tenha conseguido reconstruir a orelha atingida, a vítima ainda convive com limitações físicas e não recuperou os movimentos dos braços.
O caso evidencia os efeitos duradouros da violência doméstica, que muitas vezes permanecem mesmo após o encerramento do processo criminal.
Condenação reforça combate à violência contra a mulher
A condenação representa mais um desfecho judicial envolvendo tentativa de feminicídio no Ceará.
Segundo a acusação acolhida pelos jurados, o crime ocorreu após o agressor não aceitar o término do relacionamento, circunstância frequentemente observada em casos de violência praticada contra mulheres por parceiros ou ex-companheiros.
A responsabilização criminal busca garantir justiça às vítimas e reforçar o enfrentamento à violência de gênero, um problema que continua mobilizando órgãos de segurança, Justiça e redes de proteção em todo o país.
Onde buscar ajuda em casos de violência doméstica
Mulheres que sofrem qualquer tipo de violência podem buscar orientação e apoio por meio do Disque 180, canal nacional de atendimento voltado ao acolhimento, orientação e encaminhamento de denúncias.
Em Fortaleza, o atendimento especializado também é oferecido pela Delegacia de Defesa da Mulher, localizada na Casa da Mulher Brasileira, no bairro Couto Fernandes.
O espaço reúne serviços de atendimento policial, assistência jurídica, apoio psicossocial e acolhimento às vítimas.
Outra opção é o Centro de Referência e Atendimento à Mulher em Situação de Violência Francisca Clotilde, que oferece acompanhamento especializado para mulheres vítimas de violência física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.
A denúncia e a busca por ajuda são medidas fundamentais para interromper ciclos de violência e ampliar a proteção das vítimas.




