Um homem de 35 anos foi preso nesta terça-feira (23), em Cascavel, na Região Metropolitana de Fortaleza, suspeito de aplicar um golpe utilizando a imagem de uma criança com câncer para arrecadar dinheiro. Segundo a Polícia Civil, ele recorria a uma fotografia manipulada com auxílio de inteligência artificial para convencer moradores a fazer doações.
O caso chamou a atenção das autoridades porque a criança mostrada na imagem realmente existe e está em tratamento contra a doença. No entanto, ela não possui qualquer vínculo com o investigado, que alegava ser o pai da menina para sensibilizar possíveis vítimas.
Identificado como Marcelo Azevedo de Lima, o homem foi autuado em flagrante por estelionato após a descoberta da fraude.
Como funcionava o golpe investigado pela Polícia Civil
De acordo com as investigações, o suspeito circulava por diferentes pontos da cidade apresentando uma fotografia em que aparecia ao lado de uma criança. Ao abordar moradores, afirmava que a menina era sua filha e que enfrentava um tratamento contra uma neoplasia maligna.
A narrativa incluía pedidos de ajuda financeira para custear despesas médicas e outras necessidades relacionadas ao tratamento. Comovidas com a história, diversas pessoas fizeram contribuições em dinheiro.
Segundo a Polícia Civil, o investigado chegou a arrecadar cerca de R$ 200 em apenas um dia utilizando o mesmo relato.
Além das doações entregues diretamente ao suspeito, a campanha ganhou repercussão entre moradores. Sem saber que se tratava de uma fraude, algumas pessoas gravaram vídeos e compartilharam publicações nas redes sociais para ampliar a arrecadação.
Imagem manipulada por inteligência artificial ajudava a convencer vítimas
Durante as diligências, os policiais identificaram que a fotografia utilizada no esquema havia sido alterada com o uso de inteligência artificial.
Na montagem, o homem aparecia ao lado da criança, criando uma falsa relação familiar. A imagem era usada como principal argumento para reforçar a credibilidade da história contada às vítimas.
As investigações mostraram, porém, que a menina retratada não era filha do suspeito e não mantinha qualquer ligação com ele.
O caso evidencia como ferramentas de inteligência artificial vêm sendo utilizadas em golpes cada vez mais sofisticados, dificultando a identificação de fraudes por parte da população.
Criança usada na montagem mora no Rio Grande do Sul
Segundo a Polícia Civil, a criança retratada na imagem vive no Rio Grande do Sul e realmente enfrenta um tratamento contra câncer.
A fotografia já circulava na internet e teria sido retirada desse ambiente para a criação da montagem utilizada no golpe.
A descoberta tornou o caso ainda mais delicado, já que a imagem de uma paciente real foi usada sem autorização para sustentar uma falsa campanha de arrecadação.
Homem preso em Cascavel foi autuado por estelionato
Com os elementos reunidos durante a investigação, a Polícia Civil efetuou a prisão do suspeito e realizou a autuação em flagrante.
Conforme informou a corporação, Marcelo Azevedo de Lima responderá por estelionato em concurso material, enquadramento aplicado quando uma mesma conduta criminosa atinge múltiplas vítimas.
O caso continua sendo investigado para identificar o número total de pessoas lesadas e dimensionar os prejuízos provocados pela fraude.
Uso de inteligência artificial preocupa autoridades em casos de fraude
O episódio registrado em Cascavel reforça o alerta sobre o uso indevido de ferramentas de inteligência artificial em crimes de estelionato.
Imagens manipuladas, vídeos alterados e conteúdos produzidos por IA podem ser utilizados para criar histórias falsas com aparência de legitimidade, aumentando o risco de enganar vítimas.
Por isso, especialistas e autoridades recomendam verificar a origem de campanhas de arrecadação, buscar informações em fontes confiáveis e desconfiar de pedidos de dinheiro que não apresentem comprovação transparente.
Em situações de suspeita, a orientação é registrar denúncia junto às autoridades policiais para auxiliar nas investigações e evitar que novas pessoas sejam prejudicadas.




