O filho de Bebeto Queiroz foi solto nesta quinta-feira (25), um dia após ser preso durante uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Eleitoral (MPE). Carlos Daniel Silva Queiroz é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e deixou a unidade prisional após audiência de custódia, mediante o cumprimento de uma série de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados às investigações que têm como principal alvo o ex-prefeito cassado de Choró, Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto Queiroz. Documentos recolhidos na operação serão analisados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Eleitoral para subsidiar o avanço das apurações.
Justiça impõe medidas cautelares ao filho de Bebeto Queiroz
Embora tenha concedido liberdade a Carlos Daniel Silva Queiroz, a Justiça determinou uma série de restrições durante o andamento da investigação.
Entre as medidas estão:
- uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
- apresentação mensal à Justiça;
- permanência em casa entre 22h e 6h;
- entrega do passaporte e proibição de deixar o país;
- comunicação prévia caso permaneça mais de oito dias fora de Fortaleza;
- informação imediata sobre eventual mudança de endereço;
- comparecimento a todos os atos processuais para os quais for intimado.
Segundo a decisão, as medidas cautelares substituem a prisão preventiva e têm como objetivo garantir o andamento da investigação.
Investigação aponta suposta ocultação de patrimônio
De acordo com a investigação, Carlos Daniel é suspeito de ocultar a propriedade de um veículo por meio de documentação considerada falsa.
Segundo a Polícia Federal, o automóvel estava registrado em nome do avô do investigado, mas permanecia sob posse, uso e disponibilidade de Carlos Daniel. O veículo foi localizado na vaga de garagem vinculada ao apartamento utilizado por ele.
Outro elemento analisado é uma declaração de residência apresentada para indicar que o avô moraria no mesmo condomínio. Conforme relato atribuído ao síndico do edifício, o nome do idoso não constava entre os moradores cadastrados.
Esses elementos integram a investigação sobre possível ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.
Operação da PF tem relação com as investigações contra Bebeto Queiroz
A operação que resultou na prisão de Carlos Daniel integra um conjunto de investigações envolvendo seu pai, Bebeto Queiroz.
Eleito prefeito de Choró nas eleições municipais de 2024, ele não chegou a assumir o cargo. Ainda naquele ano, foi preso sob suspeita de participação em um esquema de fraudes em contratos de abastecimento de veículos da prefeitura.
Após deixar a prisão temporária no início de dezembro de 2024, um novo mandado foi expedido pela Justiça. Desde então, Bebeto Queiroz é considerado foragido.
Posteriormente, a chapa liderada por ele foi cassada pela Justiça Eleitoral, decisão mantida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), o que levou à realização de uma nova eleição no município.
Relatório da Polícia Federal ampliou o alcance das apurações
As investigações ganharam novos desdobramentos após um relatório elaborado pela Polícia Federal em janeiro de 2026.
Segundo o documento, Bebeto Queiroz é investigado por suposta participação em um esquema que envolveria negociação de emendas parlamentares, fraudes em licitações e financiamento irregular de campanhas eleitorais em municípios cearenses.
De acordo com a PF, ele atuaria na intermediação de emendas atribuídas ao deputado federal Júnior Mano (PSB). Conforme o relatório, parte dos recursos destinados às prefeituras investigadas retornaria ao grupo por meio de percentuais que variavam entre 12% e 15%.
Na ocasião, a assessoria jurídica de Júnior Mano informou, por nota, que a investigação não encontrou elementos relevantes contra o parlamentar e criticou o vazamento de informações sigilosas.
Mandado de prisão segue em aberto
A Polícia Federal informa que Bebeto Queiroz ainda não foi interrogado porque permanece foragido da Justiça.
Segundo os investigadores, a ausência do ex-prefeito dificulta o andamento das apurações e impede sua manifestação formal sobre as provas reunidas até o momento.
Enquanto o mandado de prisão expedido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará continua em aberto, a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral seguem analisando o material apreendido na operação que resultou na prisão e posterior liberdade monitorada de Carlos Daniel Silva Queiroz.




