O Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), deflagrou na manhã desta terça-feira (30) a operação Mensageiros do Crime, que investiga uma suposta rede estruturada de comunicação entre lideranças de facções criminosas presas e integrantes em liberdade, com uso de advogados como intermediários.
A apuração aponta que o grupo investigado teria utilizado profissionais do Direito para repassar informações e ordens entre internos da Unidade Prisional de Segurança Máxima do Estado do Ceará (UP-Máxima) e o ambiente externo, permitindo a continuidade da articulação criminosa mesmo dentro do sistema prisional.
Ao todo, estão sendo cumpridos 58 mandados de prisão e de busca e apreensão. Entre os nomes citados na investigação está a advogada cearense Raissa Leitão. A operação conta com apoio da Polícia Civil do Ceará (PCCE) e da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP). A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Ceará (OAB-CE) acompanha as diligências.
Quem é a advogada Raissa Leitão, um dos alvos da operação
A advogada Raissa Leitão está entre os alvos da operação cumprida nesta terça-feira (30) pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). A suspeita mantém atuação voltada à advocacia criminal e possui presença ativa nas redes sociais, onde compartilha conteúdos relacionados à rotina profissional e ao sistema de Justiça.
Nas redes sociais, ela costuma publicar registros do dia a dia de atendimentos jurídicos, incluindo visitas a unidades prisionais e acompanhamento de casos no âmbito do direito penal. As postagens também incluem orientações sobre procedimentos legais e explicações sobre situações comuns enfrentadas por pessoas que têm familiares privados de liberdade.
Além da rotina profissional, a advogada também produz conteúdos de caráter educativo, abordando temas como prisões em flagrante, direitos previstos na legislação penal e etapas do processo de execução da pena. O objetivo, segundo o tipo de publicação que ela compartilha, é aproximar o conteúdo jurídico do público geral, simplificando termos técnicos do Direito.
Em algumas publicações, Raissa também aparece em registros ligados à rotina pessoal, com atividades do cotidiano fora do ambiente jurídico. Esse conjunto de conteúdos compõe a imagem pública que ela construiu nas redes sociais, onde mescla atuação profissional e vida pessoal.
A investigação do MPCE busca esclarecer qual teria sido o papel individual de cada envolvido na suposta rede de comunicação entre internos do sistema prisional e o ambiente externo. Até o momento, não há detalhamento oficial sobre o nível de participação de cada investigado.
Operação Mensageiros do Crime mira rede de comunicação no sistema prisional
A operação Mensageiros do Crime tem como foco desarticular uma estrutura que, segundo o Ministério Público, teria permitido a manutenção de comunicação entre lideranças de facções criminosas e integrantes em liberdade.
O principal ponto da investigação é o suposto uso de intermediários para o repasse de ordens e orientações estratégicas a partir de unidades prisionais de segurança máxima.
A estrutura investigada envolve diferentes níveis de atuação, incluindo lideranças custodiadas e supostos facilitadores externos, de acordo com a apuração do Gaeco.
Investigação segue em andamento no Ceará
O MPCE ainda não divulgou detalhes individuais completos sobre todos os alvos da operação nem o conteúdo das apreensões realizadas até o momento. As investigações seguem em andamento e novos desdobramentos devem ser apresentados após a coletiva marcada para esta terça-feira (30), em Fortaleza.




