A Praça do Ferreira já voltou a receber diariamente milhares de pessoas no Centro de Fortaleza após sua requalificação, mas um dos elementos mais tradicionais do espaço continua ausente. As históricas bancas de jornais e revistas permanecem fechadas, sem previsão de reabertura, enquanto permissionários aguardam uma definição sobre quando poderão retomar as atividades. A demora preocupa trabalhadores, clientes e frequentadores, que consideram as bancas parte da identidade cultural da capital cearense.
Embora o movimento tenha sido retomado na praça, quem passa pelo local percebe rapidamente que os tradicionais pontos de venda de jornais e revistas ainda não voltaram a funcionar. Para os permissionários, cada dia de espera representa mais incerteza, tanto em relação à retomada do trabalho quanto ao futuro de um comércio que há décadas integra a paisagem do Centro.
Além da importância econômica para quem depende da atividade, as bancas também carregam um valor histórico e afetivo para Fortaleza, sendo lembradas por moradores que cresceram frequentando a Praça do Ferreira.
Praça do Ferreira voltou a funcionar, mas bancas permanecem fechadas
Mesmo após a entrega da praça à população, a situação das bancas segue indefinida. Os permissionários afirmam que ainda não receberam uma data para retornar aos espaços, apesar de reuniões já terem sido realizadas para tratar do assunto.
Selassie Sancho, permissionário, relata que houve expectativa de retomada, mas nem todos os trabalhadores poderiam ser contemplados nas condições atuais.
"Eles fizeram algumas reuniões com a gente e prometiam que a gente ia retornar, mas não tinha como retornar todos porque só fizeram seis bancas."
Frequentadores sentem falta de uma tradição do Centro de Fortaleza
A ausência das bancas também é percebida por quem frequenta regularmente a Praça do Ferreira.
José Ribamar, conhecido como Franelinha, conta que diariamente encontra pessoas procurando pelos tradicionais pontos de venda de jornais e revistas. "O pessoal procura muito jornal, revista. O pessoal vem aqui: 'rapaz, tem uma banca de revista aqui?' 'Rapaz, aqui não tem mais'. Isso aqui faz parte dos 300 anos de Fortaleza. É uma tradição. Tá faltando banca aqui."
O geógrafo Sílvio Martins afirma que costumava comprar revistas em uma das bancas localizadas nas proximidades da esquina do Leão do Sul e diz que a mudança alterou sua rotina.
"Geralmente eu passava por aqui, tinha uma banca mais ali perto da esquina do Leão do Sul e que eu comprava frequentemente algumas revistas. E hoje eu passo por aqui, vejo fechada e não tenho mais aquele hábito de ir na banquinha e comprar as revistas, ver as revistas semanais, e faz muita falta."
Trabalhadores improvisam para manter a atividade
Enquanto aguardam uma solução, muitos permissionários precisaram buscar alternativas para continuar trabalhando. Com recursos próprios, adquiriram mesas, guarda-sóis e outras estruturas improvisadas para manter o comércio funcionando e preservar a clientela construída ao longo dos anos.
Segundo Francisco José de Sousa, a falta de informações aumenta a insegurança dos trabalhadores. "Nenhum de nós tem certeza que vai voltar para as bancas, porque as bancas já estão com quase um ano que estão prontas. E a gente não sabe o motivo, né? Mas já estão prontas."
Ele afirma ainda que parte das bancas já está regularizada, mas isso ainda não resultou na retomada das atividades. "Três bancas estão legalizadas, tá direitinho, mas até então estão aí nessa incerteza de quando voltam."
Prefeitura se manifesta
A Secretaria Regional 12 informa que, após a entrega da requalificação da Praça do Ferreira, no Centro, foram realizados ajustes e reparos necessários identificados durante o período de garantia da obra. Paralelamente, a Regional conduz, de forma dialogada, o levantamento da situação de regularidade de cada permissionário, etapa necessária para definir as modalidades de ocupação e as melhores alternativas de uso dos quiosques. Em alguns casos, haverá adequação das permissões de uso para atividades como comércio de alimentos e bebidas, regularizando inadequações que vinham de gestões anteriores e respeitando a atuação dos permissionários mais antigos.
Concluída essa etapa, a Secretaria dará andamento aos procedimentos administrativos para emissão dos Termos de Permissão de Uso (TPUs), que é o instrumento administrativo que autoriza o uso dos espaços públicos, mediante análise técnica e jurídica, não gerando direito adquirido nem caracterizando concessão permanente do bem público. A previsão é que os documentos sejam entregues ao longo do mês de julho.




