O agricultor João Holanda Neto, de 59 anos, proprietário do terreno onde foi encontrada uma plantação com cerca de 290 mil pés de maconha em Acopiara, na região Centro-Sul do Ceará, gravou um vídeo antes de ser preso temporariamente fazendo um apelo para que o homem que arrendou a propriedade se apresente às autoridades policiais. O agricultor foi preso nesta quinta-feira (2), durante as investigações da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Na gravação, divulgada pela advogada Mariah Lopes, João Holanda Neto afirma ter sido surpreendido com a descoberta da plantação e diz ter sido traído pela pessoa para quem alugou a fazenda.
"Como é que você faz uma coisa dessa com minha família, comigo? Você conhece a gente há mais de 15 anos, toma café na casa da minha mãe e faz isso comigo?", diz o proprietário em um trecho do vídeo.
Segundo ele, o objetivo da gravação era pedir que o arrendatário assuma a responsabilidade pelos fatos e colabore com as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Defesa afirma que proprietário colaborou com as investigações
Após a prisão, a advogada Mariah Lopes divulgou uma nota informando que o cliente compareceu espontaneamente à sede da Polícia Civil para prestar esclarecimentos, mesmo sabendo da possibilidade de existir um mandado de prisão temporária contra ele.
De acordo com a defesa, João Holanda Neto é agricultor, pai de cinco filhos — entre eles uma criança de três anos — e realiza tratamento contra um câncer de pele.
A advogada também informou que o contrato de arrendamento da propriedade foi registrado em cartório e já foi entregue aos investigadores como parte da apuração.
Em nota, a defesa afirmou:
"Hoje levamos o Sr. João Neto, de forma espontânea, para prestar depoimento à PCCE sobre as informações que possuía. Além de ser um cidadão de conduta ilibada, é agricultor, pai de cinco filhos, entre esses uma criança de três anos de idade, e está com câncer em duas partes diferentes do corpo."
A advogada acrescentou que, mesmo comparecendo voluntariamente para prestar depoimento, o agricultor acabou sendo preso preventivamente enquanto a Polícia Civil prossegue na busca pelo arrendatário.
"Sendo um dos donos da terra, comparecendo por vontade própria para oitiva (sabendo da possibilidade de 99% da existência de mandado de prisão), cumprirá prisão temporária de 30 dias, enquanto as autoridades policiais procuram o arrendatário."
A defesa também fez um apelo para que o caso seja tratado com cautela durante as investigações.
"Que os especuladores aguardem o devido processo legal e tenham cuidado ao realizar julgamento antecipado no 'tribunal da internet'. Sr. João Neto e sua família merecem respeito e é isso que pedimos, mais uma vez."
Maior plantação de maconha já localizada no Ceará
A propriedade ganhou repercussão após a Polícia Civil localizar, em 25 de junho, uma plantação com aproximadamente 290 mil pés de maconha, considerada a maior já encontrada no Ceará.
Segundo a investigação, a área ocupava cerca de três hectares. No local, foram encontrados aproximadamente 160 mil pés da planta em fase de cultivo e outros 130 mil pés já colhidos.
A dimensão da plantação exigiu o uso de drones e aeronaves para mapear toda a extensão do cultivo.
As investigações apontam que o terreno pertence a João Holanda Neto, mas a Polícia Civil também busca identificar e responsabilizar o arrendatário citado pela defesa.
Falha na custódia também é investigada
Além da apuração sobre os responsáveis pela plantação, o caso passou a ser investigado sob outro aspecto após denúncias de que parte da área permaneceu sem vigilância policial mesmo depois da operação.
A situação ganhou repercussão quando o deputado federal André Fernandes (PL) publicou imagens mostrando que ainda havia pés de maconha e outros materiais no terreno dias após a ação policial.
Posteriormente, o delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutiérrez, reconheceu que houve falhas nos procedimentos de custódia da área.
Diante disso, a Controladoria-Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) instaurou um procedimento para apurar a conduta dos agentes envolvidos na operação.
Enquanto isso, a Polícia Civil afirma que as investigações continuam para identificar todos os envolvidos na estrutura responsável pelo cultivo ilegal da droga e esclarecer as circunstâncias do caso.




