De antiga área rural conhecida como Pici das Pedreiras a um bairro com mais de 41 mil habitantes, o Bonsucesso acompanha parte da expansão urbana de Fortaleza ao longo dos 300 anos da capital cearense. Hoje, a região reúne intenso comércio, corredores de transporte, espaços de convivência e projetos sociais que utilizam o esporte e a educação como ferramentas de transformação.
O bairro, que começou com ruas de terra e ocupação reduzida, passou por um processo de crescimento impulsionado pela venda de lotes realizada pela família Gentil. Com o passar dos anos, o cenário rural deu lugar a uma área predominantemente residencial, cercada por estabelecimentos comerciais e serviços que atendem moradores da própria região e de bairros vizinhos.
Como surgiu o bairro Bonsucesso
Antes de receber o nome atual, a região era conhecida como Pici das Pedreiras, referência a um dos primeiros moradores, que extraía pedras utilizadas na produção de brita. A partir da ocupação dos terrenos e da expansão urbana de Fortaleza, o bairro ganhou novos moradores e consolidou sua estrutura.
Quem acompanhou essa transformação foi o jornalista e pesquisador Nirez de Azevedo, que lembra de quando o acesso ao bairro ainda era bastante diferente.
"Tinha uma via principal, mas de areia, de terra, e tinha muita carnaúba, era pé de carnaúba. Na época em que eu era jovem, tinha uma linha de ônibus que seguia pela Avenida José Bastos, passava em cima de uma ponte, descia, aí dobrava onde ia para o Bonsucesso", recorda.
Comércio movimenta o dia a dia da região
Atualmente, as ruas Vital Brasil e Emílio de Menezes estão entre as principais vias do bairro. Já as avenidas Osório de Paiva e Augusto dos Anjos funcionam como importantes corredores de ônibus e concentram uma ampla variedade de estabelecimentos comerciais.
Segundo o motorista Thiago Neres, é possível encontrar diversos tipos de serviços sem precisar sair do bairro. "Temos casa de peças, temos também água mineral ali na frente. Mais na frente nós temos o comércio ali, o mercantil, tem negócio de roupa, tecidos, tem de tudo, né?"
Além das lojas e serviços, o Bonsucesso também preserva tradições da culinária cearense. Em diferentes pontos da região, moradores e visitantes encontram pratos típicos como panelada e buchada.
A cozinheira Denise Barros resume a confiança no produto que prepara diariamente. "Esta é a melhor panelada de Fortaleza, aqui no Bom Sucesso."
Bairro reúne mais de 41 mil moradores
Pertencente à Regional 5, o Bonsucesso faz divisa com os bairros Granja Portugal, Parque São Jorge, Vila Peri, Parangaba, João XXIII, Jóquei Clube e Genibaú.
Com mais de 41 mil habitantes, a região também abriga a Capela São José, conhecida como Igreja do Bonsucesso, referência para os moradores católicos do bairro.
O autônomo Francisco Antônio Souza afirma que mantém uma ligação antiga com a comunidade. "Eu nasci aqui dentro do Bonsucesso, sabe? Porque eu moro há 15 anos, mas eu trabalhei em mais de 15 lugares aqui dentro. O bairro que eu moro eu acho tranquilo. Não tenho tendência de mudar."
Esporte e educação transformam a realidade de jovens
Além da atividade comercial, o Bonsucesso também se destaca por iniciativas voltadas ao desenvolvimento social. Um dos exemplos é o Instituto Educa Mais Esporte, criado em 2018 e responsável pelo atendimento de aproximadamente 300 crianças e adolescentes.
A instituição oferece treinamentos esportivos, acompanhamento psicológico, assistência social e apoio pedagógico, buscando incentivar o desenvolvimento dos participantes dentro e fora das quadras.
Entre os jovens atendidos está Ana Clara, de 15 anos, que pretende seguir carreira no futsal. "Sim, meu sonho é se tornar jogadora profissional de futsal. Eu já joguei em time escolar, na minha escola eu jogava e ganhei uma premiação, ganhei uma medalha. Como uma aluna destaque, assim, e já jogo também em outros projetos dentro da instituição."
O estudante Deyvid Yuri também vê no esporte a oportunidade de alcançar novos objetivos. "Meu sonho é ser jogador de futebol, chegar no profissional, no time grande, que é o meu sonho, e mudar a realidade da minha família."
Segundo a treinadora Cleviane Castro, o projeto já contribuiu para revelar atletas que seguiram carreira. "Daqui já saíram alguns talentos e isso querendo ou não é uma base para os meninos, é um espelho. Riquelme e Kaique são meninos que... Riquelme já saiu do país para jogar, representando a própria seleção brasileira de futebol. Meninos que buscam o espaço deles a cada dia, porque a gente sabe que o futebol é isso, é busca e trabalho duro."
Projeto oferece apoio às famílias e incentiva a continuidade dos estudos
A atuação do instituto vai além das atividades esportivas. A cofundadora e presidente da instituição, Raquel de Souza, afirma que o trabalho busca ampliar oportunidades para crianças, adolescentes e suas famílias.
"Hoje nós temos alunos que melhoraram o rendimento escolar por causa da nossa metodologia de ensino através do esporte. Hoje nós temos alunos que fazem parte da faculdade, que entraram na faculdade através da nossa orientação, do nosso estímulo. Nós temos famílias que são amparadas através de um programa de assistência social. Tudo que a gente cria é feito com o propósito de levar esse direito social a quem mais precisa, porque lá no passado foi negado para a gente."
A coordenadora pedagógica Érica de Oliveira conta que também teve sua trajetória transformada pela iniciativa.
"A gente ensinou mesmo como voluntária, eu sem nenhuma perspectiva de futuro, não queria mais terminar meus estudos, finalizar meus estudos. E a oportunidade que o Educa Mais Próximo me deu, de fato... Então hoje eu faço faculdade para pedagogia."




