A plantação de maconha em Acopiara, no interior do Ceará, voltou ao centro das discussões nesta sexta-feira (3) após a divulgação de um novo vídeo pelo deputado federal André Fernandes (PL). Em resposta às acusações de que parte da droga teria sido apenas enterrada, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) detalhou como foi realizada a destruição da plantação, enquanto o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Chagas Vieira, afirmou que todo o procedimento seguiu os protocolos adotados pelas forças de segurança.
O caso ganhou novos desdobramentos depois que o parlamentar publicou imagens nas redes sociais alegando ter encontrado pés de maconha enterrados na propriedade onde a droga havia sido localizada. Segundo André Fernandes, parte da plantação não teria sido incinerada, o que levantaria dúvidas sobre a condução da operação policial.
A versão foi contestada tanto por Chagas Vieira quanto pela Polícia Civil, que apresentaram esclarecimentos sobre a técnica empregada na destruição da área.
Chagas Vieira rebate acusações de André Fernandes
Em manifestação pública, Chagas Vieira afirmou que toda a plantação foi destruída conforme os procedimentos previstos para operações desse tipo.
Segundo ele, a droga foi incinerada em valas abertas no terreno e, após a queima, os resíduos foram cobertos com terra para garantir a segurança da operação.
O ex-secretário também afirmou que os vestígios mostrados por André Fernandes teriam sido retirados do solo por pessoas que voltaram ao local depois da conclusão dos trabalhos.
De acordo com Chagas Vieira, chegaram a ser cavados buracos com cerca de 1,5 metro de profundidade para retirar restos da vegetação já queimada.
As declarações respondem diretamente às acusações feitas pelo deputado, que voltou à propriedade dias após a operação e afirmou ter encontrado parte da plantação enterrada.
Nas publicações, André Fernandes também questionou a informação divulgada pelo Governo do Ceará de que toda a droga havia sido destruída.
Polícia Civil detalha como foi destruída a plantação de maconha
Em nota oficial, a Polícia Civil informou que a destruição da plantação foi concluída na quinta-feira (2) e ocorreu de forma integrada com outros órgãos estaduais.
Participaram da operação equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, Polícia Militar, Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), Vigilância Sanitária, Ministério Público do Ceará e Guarda Municipal.
Segundo a corporação, o método utilizado consiste na abertura de valas, onde as plantas são queimadas com gasolina e óleo diesel. Após a incineração, o material é coberto com terra para impedir que o fogo se espalhe para a vegetação ao redor.
A Polícia Civil afirmou ainda que o material encontrado posteriormente pelo deputado corresponde a restos da vegetação destruída durante a operação.
"A técnica utilizada pelo Corpo de Bombeiros consiste em cavar valas e queimar as plantas com o uso de gasolina e óleo diesel, em seguida o material é encoberto com a terra, evitando dessa forma que o fogo se alastre para a vegetação ao redor. O que o parlamentar citado na demanda encontrou foram restos da referida plantação e de outras plantas do terreno destruídas", informou a corporação.
Entenda a polêmica envolvendo a plantação de maconha em Acopiara
O caso começou após a descoberta de uma extensa plantação de maconha em uma propriedade rural de Acopiara, considerada uma das maiores já localizadas no Ceará.
Após a operação para destruir a droga, André Fernandes divulgou vídeos afirmando que parte da plantação permanecia no local, o que levou o Governo do Ceará a abrir procedimentos para apurar a atuação das equipes responsáveis pela custódia e destruição da área.
O proprietário do terreno chegou a ser preso temporariamente durante as investigações, mas posteriormente foi colocado em liberdade.
Investigação da CGD continua em andamento
Apesar dos esclarecimentos divulgados pela Polícia Civil, o Governo do Ceará mantém aberta a investigação administrativa conduzida pela Controladoria Geral de Disciplina (CGD).
Na quinta-feira (2), o governador Elmano de Freitas confirmou a instauração do procedimento para analisar a conduta de delegados da Polícia Civil envolvidos na operação.
Sem citar nominalmente André Fernandes, o governador afirmou que as denúncias apresentadas pela oposição contribuíram para que o governo tomasse conhecimento dos fatos que agora são investigados.
"É natural que, em algum momento, se tem uma situação ocorrida que a oposição tenha conhecimento, a oposição está no papel dela de denunciar, de falar. É assim. E eu quero dizer que eu agradeço, porque eu não saberia o que estava lá se não tivesse uma informação que foi apresentada como denúncia."
Até o momento, a investigação da CGD segue em andamento. O Governo do Ceará ainda não divulgou prazo para a conclusão da apuração nem informou se haverá novas medidas administrativas relacionadas à operação realizada na propriedade rural de Acopiara.




