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CATOLICISMO

Excomungados: Vaticano expulsa bispos de grupo ultraconservador que desafiou Papa Leão XIV

Decisão da Santa Sé foi motivada por ordenações episcopais realizadas sem autorização do papa Leão XIV. Vaticano afirma que houve ruptura formal da comunhão com a Igreja Católica.

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Excomungados: Vaticano expulsa bispos grupo ultraconservador que desafiou Papa Leão XIV
O decreto determina a excomunhão do responsável pelas ordenações, além dos quatro novos bispos nomeados de modo irregular. Foto: Divulgação / FSSPX

O Vaticano anunciou a excomunhão de bispos, padres e fiéis ligados formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) após a realização de ordenações episcopais sem autorização do Papa Leão XIV. Para a Santa Sé, a cerimônia representou um delito de cisma — caracterizado pela ruptura formal da comunhão com a Igreja Católica — e motivou a aplicação das sanções previstas pelo direito canônico.

A decisão foi publicada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé por meio de um decreto acompanhado de uma nota explicativa sobre as sagrações episcopais realizadas em Ecône, na Suíça. Nos documentos, o prefeito do órgão, cardeal Víctor Manuel Fernández, afirma que as consagrações ocorreram sem mandato pontifício e em desacordo com a autoridade do Sumo Pontífice.

Leia também: Papa Leão XIV diz que extrema direita não representa o cristianismo

Segundo a Santa Sé, a realização das ordenações tornou necessária a declaração formal do cisma, encerrando mais uma etapa das tentativas de reconciliação entre Roma e o movimento tradicionalista fundado por Marcel Lefebvre.

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Por que o Vaticano declarou a excomunhão

As ordenações episcopais aconteceram em Ecône mesmo após um apelo direto do papa Leão XIV para que a cerimônia fosse cancelada.

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Em carta enviada à Fraternidade São Pio X, o pontífice advertiu que "rasgar a túnica sem costura de Cristo é um pecado de extrema gravidade". Apesar do pedido, a cerimônia foi mantida.

Para o Vaticano, a consagração de novos bispos sem autorização pontifícia configura um ato de desobediência grave e uma ruptura explícita da comunhão com a Igreja, situação enquadrada como delito de cisma pelo direito canônico.

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Quem foi atingido pela decisão

O decreto determina a excomunhão de Dom Alfonso de Galarreta, responsável pelas ordenações, dos quatro novos bispos — Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier —, além de Dom Bernard Fellay, apontado como participante direto da celebração e aderente ao ato considerado cismático.

A pena aplicada é a chamada excomunhão latae sententiae, prevista automaticamente para determinadas infrações previstas no Código de Direito Canônico.

Além dos religiosos diretamente envolvidos, a Santa Sé afirmou que todos os ministros ordenados pertencentes à Fraternidade São Pio X passam a ser considerados em situação de cisma. Da mesma forma, os fiéis leigos que aderirem formalmente ao movimento também devem ser considerados cismáticos e excomungados.

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Sacramentos celebrados pela fraternidade passam a ser considerados ilícitos

Outro ponto destacado pelo Vaticano diz respeito aos sacramentos administrados pelos ministros da FSSPX.

Segundo a nota divulgada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, os sacerdotes da fraternidade exercem seus ministérios de forma ilícita. Além disso, os sacramentos da penitência e do matrimônio celebrados pelo grupo passam a ser considerados inválidos pela Igreja Católica.

O documento afirma ainda que diversas iniciativas para restabelecer a plena comunhão entre Roma e a Fraternidade São Pio X foram realizadas ao longo dos últimos anos, mas não produziram resultados. As novas ordenações, segundo o Vaticano, agravaram definitivamente a situação.

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Ao final da nota, a Santa Sé reafirma que permanece aberta ao retorno daqueles que desejarem restabelecer a comunhão com a Igreja Católica e orienta os fiéis a permanecerem unidos ao papa e aos bispos em comunhão com Roma, evitando participar de celebrações e atividades promovidas pela fraternidade.

Cerimônia reuniu milhares de participantes

As ordenações ocorreram na quarta-feira (1º), em Ecône, na Suíça, e reuniram aproximadamente 15 mil participantes, entre famílias e fiéis de diferentes países.

Durante a celebração, o superior-geral da Fraternidade São Pio X, padre Davide Pagliarani, classificou o momento como "histórico" e afirmou que o movimento considera permanecer fiel à fé católica, apesar da oposição do Vaticano.

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Antes da cerimônia, a Santa Sé já havia advertido que qualquer ordenação episcopal realizada sem consentimento do papa seria interpretada como uma ruptura formal da comunhão e resultaria em nova excomunhão.

Movimento nasceu em reação ao Concílio Vaticano II

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, em oposição às reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II.

Entre as principais mudanças rejeitadas pelo movimento estão a celebração da missa na língua local, a possibilidade de o sacerdote celebrar voltado para os fiéis e a ampliação do diálogo da Igreja Católica com outras religiões.

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Até hoje, a fraternidade mantém práticas litúrgicas anteriores ao concílio, como a celebração das missas em latim e com o padre voltado para o altar. O grupo também mantém críticas ao ecumenismo, ao diálogo inter-religioso e a outras mudanças implementadas pela Igreja nas últimas décadas.

Relação entre Vaticano e FSSPX atravessa décadas de tensão

O impasse entre Roma e a Fraternidade São Pio X não é recente.

Em 1988, Marcel Lefebvre foi excomungado após ordenar quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, episódio considerado uma das maiores rupturas na Igreja Católica desde o fim do século XIX.

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Desde então, o movimento não havia realizado novas ordenações episcopais até a cerimônia realizada nesta semana em Ecône.

Segundo informações divulgadas pela própria fraternidade, atualmente a FSSPX possui 1.482 membros formais, entre eles 733 padres e 264 seminaristas, distribuídos em cerca de 50 países. O movimento afirma reunir aproximadamente 600 mil seguidores em todo o mundo.

No Brasil, a Fraternidade São Pio X mantém quatro priorados e 21 capelas. De acordo com os dados apresentados pelo próprio grupo, sua presença no país cresceu nas últimas duas décadas, acompanhando o fortalecimento de correntes conservadoras entre parte dos católicos brasileiros.

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