Um vídeo gravado na Praia de Requenguela, em Icapuí, no litoral leste do Ceará, viralizou nas redes sociais ao registrar um raro espetáculo natural: o mar iluminado por um intenso brilho azul durante a noite. As imagens despertaram a curiosidade de milhares de internautas e aumentaram a procura pelo destino turístico, conhecido pelas águas calmas e paisagens preservadas. O fenômeno, chamado de bioluminescência, é provocado por microrganismos marinhos que emitem luz quando a água é movimentada.
O registro foi feito pela estudante Estrela Guadalupe da Silva, de 20 anos, moradora de Icapuí. Ela passava pela praia a caminho da casa de uma amiga quando decidiu gravar o vídeo. O brilho já vinha sendo observado pelos moradores há algumas semanas, mas viralizou recentemente após os vídeos começarem a circular nas redes. As imagens foram publicadas em seu perfil no Instagram, @primasvibesckl, voltado para conteúdos sobre turismo, e rapidamente ganharam repercussão.
Vídeo de mar brilhando chamou atenção nas redes sociais
Embora o vídeo tenha tornado o fenômeno conhecido em todo o país, a cena não era novidade para quem vive na região. Entre pescadores de Icapuí, o brilho no mar é conhecido há décadas como "fogo no mar". O fenômeno costuma aparecer em noites escuras e já fazia parte da rotina de muitos moradores antes de viralizar na internet.
Com a popularidade das imagens, a Praia de Requenguela passou a receber mais visitantes nos últimos dias. Apesar do aumento do turismo, moradores e pescadores pedem que os visitantes respeitem o ambiente natural, preservem a praia e não prejudiquem a rotina da comunidade nem as atividades de pesca.
O que faz o mar brilhar?
Segundo pesquisadores do Núcleo de Estudos Ficológicos no Semiárido, da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), a bioluminescência ocorre quando microrganismos presentes na água reagem a estímulos físicos.
O simples movimento das ondas, passos na água ou o impacto de algum objeto é suficiente para ativar uma reação química capaz de produzir a luminosidade azul observada nas imagens.
Especialistas explicam que vários organismos podem apresentar bioluminescência, incluindo algumas bactérias e animais marinhos. No entanto, os principais responsáveis pelo fenômeno registrado no mar são microalgas do grupo dos dinoflagelados.
Entre as espécies frequentemente associadas à bioluminescência estão Noctiluca scintillans, Pyrocystis fusiformis e Pyrodinium bahamense. Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que a espécie presente em Icapuí ainda não foi identificada.
Conforme explicação divulgada pelo Núcleo de Estudos Ficológicos no Semiárido, esses dinoflagelados utilizam a emissão de luz como estratégia de defesa, atraindo animais maiores para afastar ou predar seus inimigos naturais.
Fenômeno aparece apenas durante a noite
A bioluminescência só pode ser observada em ambientes escuros. Quando a água permanece parada, o brilho praticamente desaparece e volta a surgir apenas quando há algum tipo de movimentação.
As características naturais da Praia de Requenguela, como águas tranquilas e áreas preservadas, favorecem a proliferação desses microrganismos, criando condições ideais para a ocorrência do fenômeno.
Há riscos para quem entra no mar?
Em geral, os organismos responsáveis pela bioluminescência não são considerados tóxicos e não oferecem riscos aos banhistas.
Mesmo assim, especialistas recomendam cautela até que seja identificada a espécie presente na região de Icapuí, já que essa confirmação ainda não foi realizada.
Repercussão fortalece o turismo em Icapuí
A divulgação do vídeo despertou o interesse de turistas de diferentes regiões e ampliou a visibilidade de Icapuí como destino de natureza.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município possui pouco mais de 20 mil habitantes e é conhecido por praias preservadas, piscinas naturais e paisagens que atraem visitantes durante todo o ano.




