Um documento do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), obtido com exclusividade pela TV Cidade, trouxe novos elementos sobre a investigação da morte de Luena Rocha, ocorrida em um posto de combustíveis no município de Cariré, no interior do Ceará. A decisão judicial reúne depoimentos de testemunhas que afirmaram ter visto o policial militar Caio Filizola de Paiva consumindo bebida alcoólica e apresentando fala arrastada e outros sinais considerados compatíveis com embriaguez antes do disparo que matou a ex-companheira.
O documento também informa que o soldado estava afastado das atividades na Polícia Militar do Ceará para tratamento psicológico e fazia uso de medicamentos controlados. A decisão ainda confirma que Luena e o policial mantiveram um relacionamento anterior, circunstância considerada no curso da investigação.
As informações integram o mandado de prisão preventiva expedido pela Comarca de Cariré, elaborado com base em depoimentos de testemunhas e demais elementos reunidos durante o inquérito policial.
Documento do TJCE reúne depoimentos sobre o caso
Segundo a decisão judicial, testemunhas relataram que Caio Filizola consumia bebidas alcoólicas havia algumas horas antes do encontro com Luena Rocha.
Os depoimentos também descrevem que o policial apresentava fala arrastada e comportamento compatível com estado de embriaguez no momento que antecedeu a discussão.
As mesmas testemunhas narraram a sequência dos acontecimentos que terminou com o disparo.
Conforme a investigação, Luena estava em um posto de combustíveis acompanhada do atual namorado quando encontrou o ex-companheiro.
O homem que estava com a vítima afirmou em depoimento que chegou a pedir para que ela deixasse o local a fim de evitar um conflito. Antes que isso ocorresse, porém, iniciou-se a discussão que terminou com o disparo.
Durante os trabalhos da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), foi constatado que o policial utilizou uma pistola calibre .40. A arma foi apreendida ainda no local do crime.
Outro ponto destacado pela decisão judicial diz respeito à informação inicial de que Luena teria agredido o policial antes do disparo. Conforme o documento, essa hipótese foi descartada após os depoimentos colhidos pela Polícia Civil.
Decisão aponta afastamento do policial militar
A decisão obtida pela TV Cidade também informa que Caio Filizola estava afastado das funções na Polícia Militar do Ceará para tratamento psicológico e fazia uso de medicamentos controlados.
O policial ingressou na corporação em 2018 e, segundo a investigação, responde a outros processos, incluindo procedimentos relacionados à violência doméstica.
Após o crime, ele foi preso em flagrante, mas acabou sendo colocado em liberdade durante audiência de custódia.
Posteriormente, diante dos elementos reunidos ao longo das investigações, a Justiça expediu um mandado de prisão preventiva contra o militar.
Família relata histórico de agressões
De acordo com familiares de Luena Rocha, o relacionamento entre ela e o policial era marcado por conflitos.
Os parentes afirmam que, durante o período em que estiveram juntos, a vítima teria sofrido agressões praticadas pelo militar. Esses relatos passaram a integrar o contexto investigado pelas autoridades.
Luena era mãe de dois filhos e, segundo pessoas próximas, enfrentava problemas de saúde nos últimos meses, realizando tratamento médico com uso de medicamentos.
Amigos e familiares a descrevem como uma mulher dedicada à família e conhecida pelo comportamento tranquilo.
A Polícia Civil continua investigando todas as circunstâncias que antecederam o crime.
Caso reacende debate sobre violência contra a mulher
A morte de Luena Rocha voltou a levantar discussões sobre episódios de violência contra mulheres envolvendo integrantes das forças de segurança pública.
O caso ocorreu poucos meses após outro crime de grande repercussão no Ceará: o assassinato da policial militar Larissa, morta a tiros dentro de um carro, no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. Naquele caso, o principal suspeito também era um policial militar, apontado por familiares como autor de agressões anteriores durante o relacionamento.
As investigações são independentes e tratam de fatos distintos. Ainda assim, os dois episódios reforçam o debate sobre a violência doméstica e o feminicídio quando há acesso a armas de fogo por parte dos investigados.
Após o crime em Cariré, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, Roberto Sá, manifestou repúdio à conduta atribuída ao policial militar afastado.
Enquanto a Polícia Civil prossegue com a investigação para esclarecer todas as circunstâncias do caso, o processo segue em tramitação no Tribunal de Justiça do Ceará.




