O governo federal deve adiar para a próxima semana a decisão sobre a retirada do subsídio da gasolina. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (9) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista à Rádio Gaúcha.
A medida estava prevista para ser anunciada ainda nesta semana, mas foi reavaliada após a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltou a pressionar o preço internacional do petróleo e aumentou a cautela do governo em relação ao mercado de combustíveis.
Por que o governo adiou a retirada do subsídio?
Segundo Dario Durigan, o cenário internacional exige prudência antes da retirada do benefício. "Nós temos que adotar com cautela a retirada de subsídios. A gente retirou do diesel. Essa semana eu ia anunciar a retirada da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo."
O ministro explicou que a alta recente do petróleo alterou o cenário observado após o cessar-fogo entre Irã e Israel e as negociações por um acordo de paz, que haviam reduzido temporariamente os preços da commodity.
Gasolina pode perder subsídio na próxima semana
Apesar do adiamento, Durigan afirmou que a intenção do governo continua sendo retirar o benefício, caso as condições do mercado permitam. "Semana que vem, a depender da situação, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, seja parcial ou totalmente, como próximo passo."
A decisão dependerá da evolução dos preços internacionais do petróleo e dos impactos que isso poderá causar ao consumidor brasileiro.
Impacto no preço dos combustíveis
A manutenção temporária do subsídio busca evitar que a recente valorização do petróleo seja repassada imediatamente ao preço da gasolina nos postos.
Nos últimos dias, o barril voltou a se aproximar dos US$ 80, impulsionado pelas incertezas envolvendo o conflito no Oriente Médio e a possibilidade de novos desdobramentos militares na região.
Caso o subsídio seja retirado enquanto o petróleo permanece em alta, o preço da gasolina poderá sofrer pressão adicional.
Renegociação de dívidas do agronegócio
Durante a entrevista, o ministro também informou que o governo está finalizando uma medida provisória para renegociar dívidas de produtores rurais.
Segundo Durigan, a proposta está em fase final de discussão com o Congresso Nacional. "A medida provisória vai ser editada tão logo a gente faça as últimas conversas. Fim desta semana, começo da próxima semana."
A expectativa é que cerca de R$ 100 bilhões em dívidas possam ser renegociados.
Como funcionará a renegociação
Pela proposta em discussão, poderão ser renegociadas dívidas de até:
- R$ 8 milhões por CPF para produtores que sofreram perdas provocadas por eventos climáticos;
- R$ 4 milhões por CPF para prejuízos relacionados à variação dos preços agrícolas.
O prazo para pagamento poderá chegar a dez anos para produtores afetados por mudanças climáticas.
As taxas de juros em negociação são de:
- 6% ao ano para pequenos agricultores;
- 9% ao ano para médios produtores;
- 12% ao ano para grandes produtores.
Resumo
O governo adiou a retirada do subsídio da gasolina diante da nova alta do petróleo provocada pelas incertezas envolvendo Estados Unidos e Irã. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a decisão será reavaliada na próxima semana e poderá resultar na retirada parcial ou total do benefício. O ministro também confirmou que o governo está finalizando uma medida provisória para renegociar cerca de R$ 100 bilhões em dívidas do agronegócio.




