A morte de Cid Sabóia, aos 90 anos, provocou uma série de manifestações de pesar de autoridades, instituições e representantes da comunicação cearense nesta sexta-feira (10). Ex-senador da República, jornalista, radialista, advogado, professor, escritor e poeta, ele construiu uma trajetória de mais de sete décadas dedicada ao jornalismo, ao serviço público, ao Direito e à produção intelectual, tornando-se uma das personalidades mais respeitadas da história do Ceará.
Entre as primeiras manifestações esteve a do governador Elmano de Freitas, que lamentou a perda e destacou a contribuição de Cid Sabóia para o estado. Em publicação nas redes sociais, o chefe do Executivo afirmou ter recebido a notícia "com profundo pesar" e ressaltou a atuação do comunicador em diferentes áreas.
"Recebo com profundo pesar a notícia do falecimento do ex-senador, jornalista, radialista, professor e advogado Cid Carvalho, profissional que marcou a história do Ceará. Neste momento de dor, manifesto minha solidariedade aos familiares, amigos e a todos que conviveram com Cid. Sua contribuição e seu legado permanecerão vivos na memória dos cearenses."
As homenagens reforçam o reconhecimento a uma carreira marcada pelo compromisso com a informação, a vida pública, a educação e a cultura, áreas nas quais Cid Sabóia deixou contribuições permanentes.
Autoridades lamentam a morte de Cid Sabóia
As manifestações públicas evidenciam a dimensão da atuação de Cid Sabóia na sociedade cearense. Ao longo da vida, ele ocupou posições de destaque no jornalismo, no Direito, no ensino superior, na política e na literatura, tornando-se referência para diferentes gerações.
Mesmo após encerrar o mandato no Senado Federal, permaneceu presente na imprensa cearense, acompanhando os principais acontecimentos políticos e sociais do estado. Sua análise e experiência fizeram dele uma das vozes mais reconhecidas da comunicação regional.
Grupo Cidade relembra a contribuição de Cid Sabóia para a comunicação
O Grupo Cidade de Comunicação também divulgou nota de pesar lamentando a morte de Cid Sabóia e ressaltando sua importância para a história da empresa e do jornalismo cearense.
Nos últimos anos, o jornalista integrou diariamente a programação da Rádio Cidade AM 860, onde apresentava o programa Antenas e Rotativas e participava do quadro Doa a Quem Doer, espaços dedicados à análise política, econômica, social e cultural.
Durante a pandemia de Covid-19, manteve sua participação diária na programação por meio de um estúdio instalado em sua residência, preservando o compromisso com os ouvintes.
A ligação com o Grupo Cidade, entretanto, começou muito antes. Cid Sabóia participou da fundação da TV Cidade Fortaleza, estando presente na inauguração da então TV Uirapuru, canal 8, em agosto de 1978. Em junho de 1981, a emissora passou a se chamar TV Cidade e consolidou-se como uma das principais referências da televisão cearense.
Quem foi Cid Sabóia
Nascido em Fortaleza em 25 de agosto de 1935, Cid Sabóia de Carvalho cresceu em um ambiente marcado pela produção intelectual. Era filho do poeta e romancista Jáder de Carvalho e da escritora Margarida Sabóia de Carvalho.
Sua trajetória na comunicação começou ainda muito jovem. Aos 12 anos, em 1948, iniciou atividades como comentarista político e esportivo nas rádios Uirapuru e Assunção.
Nas décadas seguintes, atuou em jornais, emissoras de rádio e televisão, acompanhando acontecimentos de repercussão estadual, nacional e internacional. Também presidiu a Associação dos Profissionais da Crônica Desportiva e continuou exercendo a atividade de comentarista político mesmo durante o período em que representou o Ceará no Senado Federal.
Carreira no jornalismo, na política e no Direito
Além do jornalismo, Cid Sabóia construiu uma carreira sólida na advocacia e na vida pública.
Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1966, e atuou como professor da própria instituição, além das Faculdades de Ciências Econômicas e de Filosofia.
Na área jurídica, exerceu funções como procurador junto ao Conselho de Contas do Município, procurador da Fazenda e procurador de contas da União.
Na política, representou o Ceará no Senado Federal entre 1987 e 1995. Durante o mandato, conciliou a atividade parlamentar com o trabalho como comentarista político em Brasília e, posteriormente, reuniu parte de seus discursos em publicações.
Produção literária e legado para o Ceará
A produção intelectual foi outro dos pilares da carreira de Cid Sabóia. Ao longo da vida, publicou mais de 30 livros sobre poesia, Direito, Comunicação e política.
Também integrou importantes instituições culturais do estado. Era sócio efetivo do Instituto do Ceará desde 2013, ocupava a cadeira de número 20 da Academia Cearense de Letras e fazia parte da Academia Cearense de Retórica, da Academia Cearense da Língua Portuguesa, da Associação Brasileira de Bibliófilos e da Academia Fortalezense de Letras, da qual foi o primeiro presidente.
A repercussão de sua morte evidencia o alcance de um legado construído ao longo de décadas. Seja na comunicação, na política, no ensino, no Direito ou na literatura, Cid Sabóia deixa uma contribuição que permanece presente na memória institucional e cultural do Ceará.




