O piloto cearense Alex Bacana chegou a Vladivostok, no extremo leste da Rússia, após concluir uma das etapas mais desafiadoras do projeto Frotas Pelo Mundo, que tem como objetivo dar a volta ao mundo em um avião monomotor experimental. A travessia foi marcada por mudanças de rota, restrições de espaço aéreo, apoio diplomático e cerca de duas horas extras de voo, provocadas pelas limitações impostas pelo atual cenário geopolítico da região.
Antes de entrar em território russo, Alex precisou realizar uma parada estratégica na Coreia do Sul para reabastecimento. A escala só foi possível após articulação das embaixadas brasileiras na China e na Coreia do Sul, que auxiliaram na obtenção das autorizações necessárias. A alternativa foi adotada depois que restrições impostas por países da região, como China, Taiwan e Japão, dificultaram o planejamento original da viagem.
Já no trecho entre a Coreia do Sul e Vladivostok, o piloto precisou contornar completamente o espaço aéreo da Coreia do Norte e enfrentou dificuldades para conseguir autorização de sobrevoo no Japão, país que possui regras mais rígidas para aeronaves experimentais de pequeno porte.
Durante o voo, o plano de navegação precisou ser alterado e a rota acabou ficando cerca de duas horas mais longa do que o previsto. O atraso ainda criou outro desafio: o aeroporto de Vladivostok já estaria fechado no horário estimado para a chegada da aeronave.
Após contato com as autoridades locais, as operações do aeroporto foram mantidas para permitir o pouso do piloto brasileiro.
"No final de tudo deu certo e eu estou aqui em Vladivostok", comemorou Alex Bacana após concluir a etapa.
Chegada à Rússia exigiu apoio diplomático e mudanças no planejamento
Segundo Alex, chegar ao território russo foi muito mais complexo do que o previsto quando a expedição foi planejada. O conflito entre Rússia e Ucrânia alterou significativamente a logística da viagem, obrigando o piloto a reorganizar a rota e buscar novas autorizações durante o percurso.
O apoio das representações diplomáticas brasileiras foi decisivo para viabilizar a parada na Coreia do Sul, que passou a funcionar como ponto intermediário antes da entrada na Rússia.
Mesmo diante das dificuldades, o piloto afirmou que encontrou uma realidade diferente da que imaginava ao chegar ao extremo leste do país.
"Para quem tem curiosidade de saber, Vladivostok é a maior cidade do lado leste da Rússia. O conflito está do outro lado do país. Aqui a cidade é muito limpa, organizada, com muitos turistas e a rotina segue normalmente."
Expedição já ultrapassa 115 dias e percorreu cinco continentes
A chegada à Rússia representa mais um marco importante da expedição Frotas Pelo Mundo, iniciada em Fortaleza. Em mais de 115 dias de viagem, Alex Bacana já percorreu cinco continentes e enfrentou desafios que vão desde problemas mecânicos até condições climáticas extremas e obstáculos burocráticos em diferentes países.
Ao longo da jornada, o piloto sobrevoou a calota de gelo da Groenlândia, cruzou o Atlântico Norte, enfrentou temperaturas de até -20°C no Ártico canadense e encarou calor superior a 50°C durante a passagem pela Arábia Saudita.
A rota também incluiu passagens por Egito, Índia, Tailândia, Malásia, Singapura, Indonésia, Timor-Leste, Filipinas e Austrália antes da chegada ao extremo leste da Rússia.
Em uma das etapas mais críticas da missão, durante o voo entre Dubai e a Índia, Alex perdeu completamente a energia elétrica da aeronave enquanto sobrevoava o Oceano Índico. O piloto conseguiu restabelecer os sistemas em voo antes de declarar emergência e prosseguir até o destino.
Próxima etapa será a travessia para o Alasca
Alex Bacana permanecerá em Vladivostok enquanto organiza a próxima fase da expedição. O planejamento prevê novas escalas no extremo leste russo antes da travessia para o Alasca, marcando o retorno da viagem ao continente americano.
Depois disso, a rota seguirá pelo Canadá e pelos Estados Unidos, incluindo uma parada em Oshkosh, cidade que recebe anualmente a maior feira de aviação do mundo.
Na sequência, o piloto percorrerá países da América Central e da América do Sul até retornar ao Brasil, concluindo a volta ao mundo iniciada em Fortaleza.
Ao todo, a expedição deve passar por aproximadamente 45 países. Toda a jornada continua sendo registrada nas redes sociais do projeto Frotas Pelo Mundo e acompanhada pelo GCMais, que reúne as atualizações da aventura do piloto cearense em uma cobertura especial.




