O piloto cearense Alex Bacana alcançou nesta terça-feira (14) mais um dos principais marcos da missão de dar a volta ao mundo em um avião monomotor experimental. Após deixar a Rússia, ele pousou em Nome, no Alasca, retornando oficialmente ao continente americano. Com a chegada aos Estados Unidos, a expedição atinge cerca de 70% do percurso total, aproximando o aviador do objetivo de concluir a primeira volta ao mundo solo realizada por um brasileiro passando pelos cinco continentes.
A travessia entre a Rússia e o Alasca, no entanto, esteve longe de ser tranquila. Antes mesmo da decolagem, Alex precisou enfrentar um rígido processo burocrático para deixar o território russo. Segundo ele, sete oficiais acompanharam todo o procedimento até a aeronave, e cada um precisou autorizar sua saída com carimbos e documentos específicos.
Já durante o voo rumo a Nome, o piloto encontrou condições meteorológicas severas. A aeronave enfrentou temperaturas muito baixas, chuva intensa e formação de gelo nas asas, um dos maiores riscos para quem voa em regiões polares.
Apesar das dificuldades, Alex conseguiu concluir a travessia em segurança e comemorou o retorno às Américas, etapa considerada um divisor de águas na expedição.
Retorno aos Estados Unidos representa novo fôlego para a missão
Ao desembarcar em Nome, cidade localizada no oeste do Alasca, o piloto destacou que, além do avanço na rota, voltar aos Estados Unidos também representa uma melhora significativa na infraestrutura disponível para a viagem.
Segundo ele, diversos serviços que enfrentavam limitações em parte da Ásia e da Rússia voltam a funcionar normalmente.
"Os cartões de crédito voltam a funcionar, volta a ter internet, volta a ter GPS. Já dá um ânimo novo", relatou.
Alex também afirmou que acredita ter superado a etapa mais complicada da viagem em relação à burocracia internacional.
"Eu acho que o pior da viagem em termos de burocracia com certeza ficou para trás, na Ásia e na Rússia", afirmou.
Gelo nas asas e pouso sob chuva marcaram a chegada ao Alasca
Mesmo após conseguir autorização para deixar a Rússia, o trecho até o Alasca exigiu atenção constante.
Logo após a decolagem, o piloto encontrou uma frente de mau tempo. Durante o voo, a aeronave começou a acumular gelo nas asas, situação considerada crítica para qualquer operação aérea.
Para reduzir os riscos, Alex precisou alterar a altitude algumas vezes até encontrar condições mais favoráveis.
Já a aproximação para o pouso em Nome ocorreu sob chuva intensa e temperaturas muito baixas.
Segundo o comandante, foi uma das etapas mais desafiadoras desde o início da expedição.
Próxima parada será em Fairbanks antes de seguir para Oshkosh
A permanência em Nome será curta. Ainda nesta terça-feira, Alex pretende decolar para Fairbanks, também no Alasca, em um voo de aproximadamente três horas.
Na cidade, a aeronave passará por uma revisão preventiva antes de seguir para Oshkosh, no estado americano de Wisconsin.
O destino é considerado um dos mais aguardados de toda a expedição. A cidade recebe anualmente a EAA AirVenture Oshkosh, considerada a maior feira de aviação do mundo, reunindo milhares de aeronaves e pilotos de diversos países.
Expedição entra na reta final
A chegada ao Alasca representa mais um marco da missão iniciada em Fortaleza há mais de três meses. Desde a decolagem, Alex Bacana já percorreu cinco continentes e enfrentou uma série de desafios, incluindo travessias oceânicas, panes mecânicas, falhas elétricas, temperaturas de -20°C no Ártico canadense, calor superior a 50°C na Arábia Saudita, interferências de GPS, restrições de espaço aéreo e longos processos burocráticos em diferentes países.
Antes de alcançar o Alasca, o piloto passou por Rússia, Coreia do Sul, Filipinas, Timor-Leste, Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia, Índia, Egito, países da Europa, Groenlândia e Canadá, entre outros destinos que fazem parte da rota de aproximadamente 45 países.
Agora, com cerca de 70% da volta ao mundo concluída, a expedição entra na fase final. Após cruzar o Alasca e participar da feira de Oshkosh, Alex seguirá pelo Canadá, Estados Unidos, América Central e América do Sul até retornar ao Brasil, encerrando uma jornada que poderá entrar para a história da aviação nacional como a primeira volta ao mundo solo de um brasileiro pelos cinco continentes.




