O Tribunal do Júri de Fortaleza condenou o gestor ambiental Matheus Anthony Lima Martins Queiroz a 31 anos e 3 meses de prisão pelo feminicídio de Clarissa Costa Gomes, enfermeira de 31 anos assassinada na capital cearense. A sentença foi anunciada na noite desta terça-feira (14), após dois dias de julgamento, e reconheceu que o crime foi praticado com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O condenado cumprirá a pena inicialmente em regime fechado e não poderá recorrer em liberdade.
Além da pena de reclusão, o Conselho de Sentença determinou que o réu pague R$ 40,5 mil por danos morais à família da vítima.
O julgamento ocorreu na 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, no Fórum Clóvis Beviláqua. Os trabalhos começaram na segunda-feira (13) e foram concluídos apenas na noite desta terça, após mais de 13 horas de sessões.
Tribunal do Júri condena réu pelo feminicídio de Clarissa Costa Gomes
Por maioria de votos, os jurados rejeitaram a tese de absolvição apresentada pela defesa e reconheceram que o homicídio ocorreu na forma de feminicídio.
Também foram acolhidas as qualificadoras de emprego de meio cruel e uso de recurso que impossibilitou ou dificultou a reação da vítima, circunstâncias que elevaram a pena aplicada.
Ao fixar a condenação, o magistrado considerou a confissão espontânea do acusado durante o interrogatório judicial como circunstância atenuante.
MPCE e defesa anunciam recursos contra a sentença
Embora o julgamento tenha sido encerrado, o caso ainda terá novos desdobramentos na Justiça.
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) informou que recorrerá da decisão para buscar o aumento da pena imposta ao condenado.
A Defensoria Pública do Estado do Ceará, responsável pela defesa de Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, também anunciou que apresentará recurso contra a sentença do Tribunal do Júri.
Réu confessou o assassinato durante o processo
Durante o interrogatório judicial, o acusado admitiu ter matado a companheira.
Segundo seu relato, ele perdeu o controle durante uma discussão iniciada após Clarissa manifestar o desejo de voltar a trabalhar.
Nos debates em plenário, os representantes do Ministério Público sustentaram que o assassinato foi marcado por extrema violência. Conforme a acusação, a enfermeira apresentava dezenas de perfurações pelo corpo, incluindo ferimentos nas mãos compatíveis com tentativa de defesa.
Os promotores também citaram laudos periciais que apontaram que a vítima foi espancada antes de morrer e que a morte ocorreu mediante meio cruel.
Já a defesa reconheceu a gravidade do crime e afirmou aos jurados que o acusado tinha consciência da violência praticada, mas sustentou que aquele episódio não definiria toda a trajetória de vida dele.
Relembre o feminicídio de Clarissa Costa Gomes
O crime ocorreu na residência da vítima, no bairro Jardim Cearense, em Fortaleza, e teve ampla repercussão no Ceará.
Segundo as investigações, o casal chegou ao imóvel por volta das 13h30. Cerca de duas horas depois, vizinhos relataram ter ouvido pedidos de socorro.
Uma testemunha afirmou à Polícia ter escutado uma mulher gritando: "me solta, vai me matar". Outra vizinha disse ter ouvido Clarissa chamar pelo nome do companheiro antes de o imóvel ficar em silêncio.
Após o assassinato, o acusado deixou a residência de motocicleta.
Pouco tempo depois, o irmão dele chegou ao local e, junto com vizinhos, encontrou a enfermeira já sem vida.
O gestor ambiental foi preso em flagrante no bairro Maraponga, onde confessou o crime aos policiais. Desde então, permaneceu à disposição da Justiça até o julgamento que resultou em sua condenação pelo feminicídio de Clarissa Costa Gomes.




