"Se pudessem me levar, fariam uma ajuda para minha vida. Eu queria encontrar ela onde ela estiver, minha filha. Eu queria encontrar ela." O desabafo é de Isabelle, mãe da bebê Helena, de 10 meses, que morreu no último dia 13 de julho em um caso investigado pela Polícia Civil do Ceará como suspeita de estupro seguido de morte. Em entrevista exclusiva à TV Cidade/Record, ela falou pela primeira vez sobre a perda da filha, negou qualquer responsabilidade pela tragédia e afirmou que vive diariamente o sofrimento provocado pela ausência da criança.
A morte da bebê ocorreu em um apartamento localizado no bairro Dionísio Torres, área nobre de Fortaleza. Desde o registro da ocorrência, o caso mobiliza a Polícia Civil e segue cercado por grande repercussão, enquanto os investigadores buscam esclarecer todas as circunstâncias que levaram à morte da criança.
Segundo Isabelle, a decisão de conceder a entrevista foi motivada pela quantidade de informações e especulações que passaram a circular nas redes sociais e em outros meios de comunicação desde o dia da tragédia. Ela afirma que desejava apresentar sua versão sobre os fatos e explicar o que aconteceu nas horas que antecederam a morte da filha.
"Eu queria encontrar minha filha", diz mãe de Helena
Durante o depoimento, Isabelle descreve Helena como sua maior companheira. Segundo ela, a bebê permanecia praticamente o tempo todo ao seu lado e era muito ligada à mãe.
Em diversos momentos da entrevista, a emoção interrompe o relato. Ela afirma que nenhuma explicação será capaz de amenizar a dor causada pela perda da filha e diz que o maior desejo seria poder reencontrá-la.
"Se pudessem me levar, fariam uma ajuda para minha vida. Eu queria encontrar ela onde ela estiver, minha filha. Eu queria encontrar ela", declarou.
Ainda bastante abalada, Isabelle também fez um apelo emocionado ao lembrar da rotina que mantinha com a bebê.
"Por favor, filha, volta para tua mãe", disse durante a entrevista.
Isabelle relata como foram as horas antes da morte da bebê
Segundo Isabelle, o dia começou com uma comemoração em família pelo aniversário do avô e de um tio. Ela contou que Helena passou parte da celebração ao seu lado, brincando e tomando banho de piscina com os familiares.
Mais tarde, após retornar para casa, o grupo foi convidado para ir ao apartamento de um conhecido. Conforme o relato, estavam presentes apenas pessoas conhecidas da família: ela, o irmão, a cunhada, um amigo de infância do irmão e um primo desse amigo.
Ela afirma que, durante a noite, os presentes jogaram Banco Imobiliário enquanto Helena permanecia em seu colo. Depois que a bebê adormeceu, os adultos se organizaram para dormir nos quartos do apartamento.
Isabelle contou que chegou a mudar de cômodo após perceber que o ar-condicionado estava diretamente voltado para a criança, o que fez Helena começar a tossir. Depois de amamentá-la na sala, voltou a deitar com a filha.
Em seguida, segundo seu relato, um dos homens presentes entrou no quarto e se deitou na mesma cama. Isabelle afirmou que chegou a alertar sobre o risco de ele esmagar a bebê e pediu ajuda para que fosse retirado dali.
Ela disse ainda que ouviu de outro homem presente que não havia perigo, pois ele estaria sem condições de se movimentar. Isabelle afirmou que acreditou nessa orientação e voltou a dormir.
Ao acordar, encontrou Helena em outra posição e percebeu que a criança estava sob parte do corpo do homem que havia se deitado na cama.
"Eu não escutei nada. Se a minha filha tivesse chorado, eu tinha escutado", afirmou.
Mãe afirma que decidiu falar após especulações sobre o caso
Ao longo da entrevista, Isabelle também rebateu críticas direcionadas a ela desde que o caso ganhou repercussão nacional.
Ela afirmou que não estava embriagada a ponto de perder a consciência e negou ter colocado a filha em situação de risco de forma deliberada.
"Eu jamais ia colocar a minha única filha em risco. Eu nunca faria isso", declarou.
Em outro momento, reforçou que não se considera responsável pela morte da criança.
"Eu não sou culpada pela morte da minha filha", afirmou.
Segundo Isabelle, caso fique comprovado que Helena foi vítima de violência, ela espera que todos os responsáveis sejam identificados e punidos.
Investigação sobre a morte de Helena continua pela Polícia Civil
A morte da bebê Helena segue sendo investigada pela Polícia Civil do Ceará.
Desde o registro da ocorrência, o caso é tratado como suspeita de estupro seguido de morte, conforme a linha investigativa divulgada pelas autoridades.
Os exames periciais e as demais diligências conduzidas pelos investigadores deverão esclarecer as circunstâncias da morte da criança e apontar eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.
Enquanto o inquérito prossegue, Isabelle afirma que espera que a investigação apresente respostas para a família. Segundo ela, nenhuma conclusão será capaz de diminuir a dor da perda, mas a responsabilização de quem eventualmente tenha cometido o crime representa um passo essencial para que a memória de Helena seja respeitada.




