Desde que a bebê Helena, de 10 meses, morreu em um apartamento no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza, na última segunda-feira (13), o caso passou por uma série de desdobramentos que mudaram o rumo da investigação. A suspeita inicial de estupro de vulnerável, que levou à prisão em flagrante de dois homens, foi descartada após a conclusão dos laudos da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), divulgados nesta sexta-feira (17). Confira, abaixo, a cronologia dos principais acontecimentos e como a apuração evoluiu ao longo da semana.
Veja a cronologia dos fatos:
Segunda-feira (13) — Bebê morre e investigação começa com suspeita de estupro
A bebê Helena, de 10 meses, morreu após ser socorrida a um hospital particular de Fortaleza, depois de passar mal em um apartamento no bairro Dionísio Torres.
Durante o atendimento, profissionais de saúde identificaram uma lesão anal e registraram, no Protocolo de Encaminhamento de Corpos enviado à Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), suspeita de morte por asfixia associada a abuso sexual.
Com base nesse documento, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que dois homens, de 22 e 26 anos, foram presos em flagrante por suspeita de estupro de vulnerável seguido de morte. A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Pefoce foram acionados para atender a ocorrência.
Terça-feira (14) — Caso ganha repercussão e perícias são aguardadas
A investigação ficou sob responsabilidade da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa).
Enquanto os dois suspeitos permaneciam presos, a Polícia Civil aguardava a conclusão dos exames da Pefoce para confirmar ou descartar a suspeita de violência sexual apontada inicialmente pelo hospital.
O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais e passou a ser acompanhado de perto pela imprensa.
Quarta-feira (15) — Mãe concede entrevista e pai rebate declarações
Em entrevista exclusiva à TV Cidade Fortaleza, a mãe da bebê, Ysabelle Rodrigues, afirmou que não acreditava que a filha tivesse sido vítima de violência sexual e ressaltou que somente a perícia poderia confirmar ou descartar essa hipótese.
Ela relatou que a médica responsável pelo atendimento informou apenas a existência de uma lesão na região anal da criança, sem afirmar que havia ocorrido estupro.
No mesmo dia, um homem identificado como Almeida, que se apresenta como pai de Helena, contestou publicamente as declarações da ex-companheira por meio das redes sociais.
Nas publicações, ele afirmou que a mãe da criança "está mentindo", pediu Justiça pela morte da filha e disse que também enfrenta dificuldades para ter contato com o outro filho do casal.
Quinta-feira (16) — Defesas pedem cautela enquanto aguardam laudos
Com a investigação ainda em andamento, advogados dos investigados reforçaram a necessidade de aguardar a conclusão dos exames periciais antes de qualquer conclusão definitiva.
A defesa de Francisco Ray sustentou que o investigado não havia participado do suposto crime sexual e criticou os julgamentos feitos nas redes sociais antes da produção das provas técnicas.
Enquanto isso, a Polícia Civil continuava realizando diligências e aguardando os resultados oficiais da Pefoce.
Sexta-feira (17) — Laudos descartam estupro e investigação muda de rumo
A Perícia Forense do Estado do Ceará concluiu os exames cadavéricos e laboratoriais realizados no corpo da bebê.
Segundo a Pefoce:
- a causa da morte foi asfixia mecânica indireta;
- não foram encontrados vestígios de sêmen;
- não foi identificado material genético dos dois investigados no corpo da criança;
- os exames toxicológicos não detectaram álcool nem drogas;
- o exame sexológico concluiu que não houve violência sexual.
Após a divulgação dos laudos, a Polícia Civil informou que a investigação deixou de tratar o caso como estupro de vulnerável seguido de morte e passou a apurar homicídio culposo, com base nas provas periciais e nas diligências realizadas pela Dececa.
Também nesta sexta-feira, a defesa de Francisco Ray afirmou que os exames confirmam a tese apresentada desde o início e criticou o que classificou como "tribunal da internet", sustentando que o cliente foi apontado como culpado antes da conclusão da investigação.
Já o advogado da mãe da bebê, Weryd de Simões, declarou que os laudos não confirmam a hipótese de estupro e pediu responsabilidade na divulgação de informações sobre o caso. Segundo ele, as conclusões periciais passam a integrar oficialmente o inquérito policial e serão analisadas pela Polícia Civil, pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.
Situação atual
Até a tarde desta sexta-feira (17), a Polícia Civil informou que o caso continua sendo investigado pela Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa). A principal linha investigativa passou a ser a de homicídio culposo, enquanto as autoridades trabalham para esclarecer a dinâmica da morte da bebê e a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.




