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LUTO

Morre o cineasta cearense Luiz Carlos Barreto, referência do cinema brasileiro, aos 98 anos

Nascido em Sobral, "Barretão" produziu e dirigiu obras marcantes do cinema nacional e participou de filmes indicados ao Oscar; causa da morte foi uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia

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Morre o cineasta cearense Luiz Carlos Barreto, referência do cinema brasileiro, aos 98 anos
Morre Luiz Carlos Barreto, cearense que ajudou a transformar o cinema brasileiro. Foto: Reprodução

O cineasta Luiz Carlos Barreto, um dos nomes mais importantes da história do cinema brasileiro, morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos. Natural de Sobral, no Ceará, o produtor, fotógrafo, diretor e jornalista construiu uma carreira de mais de seis décadas no audiovisual e participou da produção de alguns dos filmes mais marcantes do país. A causa da morte foi uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.

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Conhecido como "Barretão", Luiz Carlos Barreto estava internado desde a última segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O velório será realizado nesta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Em seguida, o corpo será cremado no Memorial do Caju.

Ao longo da carreira, Barreto ajudou a consolidar o cinema nacional tanto pela qualidade artística das produções quanto pelo sucesso junto ao público. Seu trabalho foi decisivo para fortalecer a indústria cinematográfica brasileira e ampliar o reconhecimento internacional das produções do país.

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Quem foi Luiz Carlos Barreto?

Nascido em 20 de maio de 1928, em Sobral, Luiz Carlos Barreto iniciou sua trajetória profissional no jornalismo. Trabalhou como fotógrafo da revista O Cruzeiro, experiência que lhe permitiu atuar como correspondente internacional e registrar personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe.

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Seu primeiro contato com o universo cinematográfico aconteceu ainda na adolescência, quando acompanhou a passagem do cineasta Orson Welles pelo Ceará durante as gravações de um documentário sobre os jangadeiros cearenses.

Pouco tempo depois, aproximou-se do grupo que daria origem ao Cinema Novo, movimento que revolucionou a produção audiovisual brasileira ao retratar questões sociais, políticas e econômicas do país. Como diretor de fotografia, participou de "Vidas Secas" (1963), obra dirigida por Nelson Pereira dos Santos e considerada um dos maiores clássicos do cinema nacional.

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Carreira de Luiz Carlos Barreto marcou o cinema brasileiro

Foi como produtor que Luiz Carlos Barreto construiu seu maior legado. Ao lado da produtora Lucy Barreto, com quem foi casado por 71 anos, participou da realização de mais de uma centena de filmes.

Entre os principais títulos produzidos por Barretão estão "Dona Flor e Seus Dois Maridos", um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema brasileiro, "Bye Bye Brasil", "Terra em Transe", "Memórias do Cárcere", "Menino do Rio", "O Quatrilho" e "O Que É Isso, Companheiro?".

As duas últimas produções conquistaram indicações ao Oscar de Melhor Filme Internacional, ampliando a projeção do cinema brasileiro no exterior.

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Luiz Carlos Barreto também dirigiu, ao lado de Eduardo Escorel, o documentário "Isto É Pelé", lançado em 1974, que retrata momentos marcantes da carreira do Rei do Futebol. O filme permanece disponível em plataformas de streaming.

Críticos especializados consideram Barretão um dos produtores mais influentes da história do audiovisual brasileiro por conseguir unir reconhecimento da crítica, sucesso comercial e valorização da cultura nacional.

Cineasta recebeu homenagem do Ceará em 2024

No ano passado, Luiz Carlos Barreto foi um dos agraciados com a Medalha da Abolição, a mais alta honraria concedida pelo Governo do Ceará.

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Na ocasião, entretanto, ele não pôde comparecer à cerimônia. Durante uma viagem a Fortaleza para participar de atividades em sua homenagem promovidas pelo Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS/CE) e pelo Cineteatro São Luiz, sofreu uma queda em um acidente doméstico e precisou ser internado para passar por cirurgia.

Segundo familiares, a saúde do cineasta vinha apresentando fragilidade desde esse episódio.

Além do legado artístico, Luiz Carlos Barreto deixa uma família profundamente ligada ao cinema. Os filhos Bruno, Paula e o falecido Fábio Barreto seguiram carreira no audiovisual, dando continuidade ao trabalho da produtora LC Barreto, responsável por mais de 150 filmes.

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Com uma trajetória marcada pela inovação, pelo incentivo ao cinema brasileiro e pela produção de obras que atravessaram gerações, Luiz Carlos Barreto deixa um legado que permanece como referência para a cultura e o audiovisual do país.

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