O Ceará registrou em 2025 o maior número de mortes no trânsito dos últimos oito anos: foram 1.936 pessoas que perderam a vida em acidentes nas vias do estado, conforme dados do Ministério da Saúde. O número representa o maior patamar desde 2017.
Conforme especialistas, diversos fatores contribuem para esse aumento, incluindo o aumento da frota de veículos, comportamento de risco por parte dos condutores, falta de fiscalização e questões relacionadas à formação de novos motoristas e motociclistas.
Em 2026, os acidentes continuam deixando vítimas. Até abril, 350 pessoas já haviam morrido no trânsito cearense.
Entre os grupos mais atingidos, os motociclistas aparecem como as principais vítimas. Eles representam 40% das mortes registradas no Estado. Atualmente, as motos correspondem a 43% da frota de veículos do Ceará.
Especialistas avaliam que diferentes fatores ajudam a explicar o cenário, incluindo o crescimento de atividades que dependem de veículos, como entregas por aplicativo, além da pressão pelo cumprimento de prazos, que pode levar alguns condutores a assumir mais riscos durante os deslocamentos.
Acidentes deixam marcas em vítimas do trânsito
Apesar de impressionarem, os números não abarcam todas as consequências das ocorrências de violência no trânsito, levando em conta que muitos dos sobreviventes também enfrentam dificuldades após acidentes. O comerciante Lucas Lopes sofreu uma queda enquanto pedalava de bicicleta e ficou com cicatrizes e sequelas.
Segundo ele, o acidente aconteceu durante um passeio ciclístico, quando a corrente da bicicleta quebrou enquanto ele pedalava em alta velocidade:
"Quando eu fazia passeio ciclístico, uma vez eu vinha de bicicleta e eu, pedalando muito rápido, a corrente da bicicleta quebrou. Eu caí de frente e bati essa parte do rosto no chão. Cicatriz aqui, cicatriz aqui, quebrei esses dentes", afirmou Lucas ao falar com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza.
Morador de uma região próxima a uma avenida movimentada, ele conta que acompanha frequentemente acidentes no local onde vive, principalmente envolvendo motociclistas:
"Sempre tem acidente aqui. Como é uma volta, o pessoal vem pra entrar e não pisca, ou então o que vem de lá não vê, e acaba batendo. O que acontece de acidente de motoqueiro aqui não é brincadeira, por semana tem dois, três", relatou.
Motociclistas são maioria entre as vítimas
Os dados ainda mostram que os motociclistas continuam sendo o grupo mais vulnerável no trânsito cearense. Para especialistas, o aumento das mortes não pode ser explicado por apenas um fator. Além do crescimento da frota e do número de trabalhadores que utilizam veículos diariamente, a formação dos condutores também é apontada como um desafio.
Alisson Maia, vice-presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do Ceará (SindCFCS-CE), afirmou que mudanças recentes na preparação dos motoristas podem afetar a qualidade da formação:
"A preocupação também é a qualidade que desse condutor que está sendo colocado em via pública. Houve agora uma mudança na formação de condutores de dezembro para cá, reduziu o número de aulas práticas. Antes era obrigatório fazer 20 aulas práticas, e agora apenas com a quantidade de duas aulas práticas a pessoa pode fazer um exame prático, houve uma alteração. E realmente a gente está tendo essa ineficiência dessa formação desse futuro condutor", explicou.
Pedestres aparecem como segundo grupo mais afetado
Depois dos motociclistas, os pedestres aparecem como o segundo grupo com maior participação entre as vítimas fatais. Eles representam 12% das mortes no trânsito registradas no Ceará.
Segundo especialistas, a redução dos acidentes depende de ações conjuntas envolvendo fiscalização, planejamento urbano e educação para o trânsito. Alisson Maia destaca que os cuidados devem começar antes mesmo de o condutor sair de casa, por meio da chamada direção defensiva:
"Na verdade o trânsito começa de casa. Quando você vai sair de casa, quando você vai se preparar para sair de casa, já começa o trânsito. Isso é chamado direção defensiva", afirmou.
Ele explica que a prevenção envolve atenção às condições do veículo e do ambiente antes de iniciar um deslocamento.
"Quando você vai sair de casa, deve fazer uma preparação. Se você vai dirigir um veículo automotor, no caso um automóvel, saber como estão as condições do pneu, como estão as condições mecânicas do veículo, uma moto, como está a situação também dos pneus da moto, como está a questão do tempo. Tudo isso é direção defensiva, que pode fazer a prevenção de sinistro de trânsito", completou.




