O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, afirmou que parte das lideranças de facções criminosas que atuam no Estado está fora do território cearense para evitar prisões. A declaração foi dada durante entrevista ao jornalista Luciano Augusto, da Rádio Jovem Pan News Fortaleza, nesta terça-feira (28), quando ele comentou os números recentes da Segurança Pública e as estratégias de combate ao crime organizado.
Segundo Márcio Gutiérrez, a atuação das forças de segurança tem buscado atingir tanto os criminosos que executam ações violentas nas ruas quanto integrantes de organizações criminosas que, mesmo à distância, determinam a prática de crimes no Ceará.
“A gente tem como estratégia tirar o criminoso violento de circulação, aquele criminoso que está ameaçando, que está matando, mas também tirar de circulação aquele criminoso que de longe do estado, longe aqui do estado do Ceará, tem determinado que crimes ocorram aqui”, afirmou.
O delegado-geral explicou que, conforme as investigações da Polícia Civil, muitas lideranças de organizações criminosas estariam fora do Ceará em razão da pressão operacional realizada pelas forças de segurança.
“A gente identifica claramente que que a grande maioria das lideranças dessas facções, dessas organizações, estão fora do nosso estado. Estão fora exatamente para não serem presos, porque aqui a pressão operacional que está sendo imposta pela polícia militar e pela polícia civil, ela tem realmente tirado de circulação esses criminosos”, declarou.
Ceará registra redução de mortes e roubos, segundo delegado
Durante a entrevista, Márcio Gutiérrez também comentou os números apresentados pela Segurança Pública do Ceará com base em dados divulgados pelo Ministério da Justiça.
Segundo ele, o Estado registrou uma redução de 40,8% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), categoria que reúne homicídios e feminicídios dentro da metodologia utilizada pelo Ministério da Justiça.
O delegado também afirmou que houve redução nos crimes contra o patrimônio, citando uma queda de 62% nos registros de roubos no Ceará.
“Se a gente for verificar todos os tipos de roubo, roubo de carro, roubo de carga, roubo de celular, roubo à instituição financeira, todos esses indicadores estão em queda e são quedas substanciais, mostram que o trabalho dos nossos policiais, das forças de segurança tem dado resultado”, disse.
Segundo o delegado-geral, a estratégia de combate ao crime organizado envolve prisões, investigações e ações para atingir a estrutura financeira das organizações criminosas.
Ele afirmou que, no ano passado, mais de 5 mil integrantes de facções foram presos no Ceará e mais de 2.800 pessoas apontadas como homicidas foram retiradas de circulação.
Polícia bloqueou mais de R$ 3 bilhões ligados a criminosos
Além das prisões, Márcio Gutiérrez destacou o trabalho para interromper a movimentação financeira de grupos criminosos.
Segundo ele, desde 2023, a Polícia Civil já representou pelo bloqueio de mais de R$ 3 bilhões que teriam circulado nas mãos de criminosos.
“Então tudo isso faz parte dessa estratégia de combate ao crime, em especial de combate ao crime organizado, e esses números eles mostram que essa estratégia ela tem funcionado no nosso estado”, afirmou.
O delegado também citou mudanças estruturais na Polícia Civil, como a transformação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) em um departamento estadual.
Segundo ele, a estrutura passou a contar com unidades como Draco Sul e Draco Norte, além de uma delegacia especializada em armas de fogo, munições e explosivos.
Polícia recuperou 16 mil celulares roubados ou furtados
Outro assunto abordado durante a entrevista foi a recuperação de aparelhos celulares roubados ou furtados. Márcio Gutiérrez informou que a Polícia Civil já recuperou 16 mil celulares e devolveu os equipamentos aos proprietários.
“Nós temos já, desde o início desse trabalho de recuperação de celular, nós temos já 16 mil telefones que foram recuperados pela Polícia Civil e foram devolvidos para os seus verdadeiros donos, aquele cidadão, aquela cidadã que teve o seu aparelho furtado ou roubado”, afirmou.
O delegado explicou que o trabalho envolve a integração entre Polícia Civil, Polícia Militar e Secretaria da Segurança Pública.
Ele também alertou para os cuidados na compra de celulares usados, destacando a importância de verificar a procedência do aparelho, o valor cobrado e a identificação do vendedor.
Segundo ele, parte dos aparelhos recuperados estava com pessoas que compraram os celulares sem saber que eram produtos de crime.
Maranguape muda cenário de violência, afirma delegado
Durante a entrevista, Márcio Gutiérrez também comentou a situação de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Segundo o delegado, o município, que havia sido apontado em levantamentos anteriores como um dos mais violentos do país considerando a proporção da população, apresentou mudança nos indicadores após ações integradas das forças de segurança.
“O que a gente verifica é que Maranguape realmente foi muito desafiador para todos nós, para todas as forças de segurança, para a Polícia Militar, para a Polícia Civil, para a Pefoce, para todo mundo que trabalha aí nesse enfrentamento”, afirmou.
O delegado disse que as ações intensificadas nos anos de 2024 e 2025 contribuíram para a alteração do cenário. Ele destaca que Maranguape deixou a primeira posição no ranking do Anuário da Segurança Pública e passou a ocupar o 227º lugar.
“Mostra que esse trabalho de enfrentamento ele leva tempo, a gente precisa consolidar as estratégias, precisa estar todo mundo muito integrado, muito unido, mas a gente consegue realmente mudar a dinâmica criminosa em um município e um estado como a gente tem conseguido fazer”, concluiu.




