O aumento da circulação de carros elétricos no Ceará trouxe um novo desafio para condomínios de Fortaleza: como adaptar a estrutura dos prédios para permitir a instalação de pontos de recarga com segurança e atender aos moradores.
O estado é o terceiro do Nordeste com maior número de veículos elétricos em circulação. Segundo dados da Associação Brasileira de Veículos Elétricos, somente no primeiro semestre deste ano foram vendidos 5.500 carros elétricos e híbridos no Ceará. Atualmente, são mais de 18 mil veículos desse tipo circulando no estado.
A expansão dessa tecnologia mudou a rotina de muitos motoristas, que passaram a buscar alternativas para reduzir gastos e utilizar uma nova forma de mobilidade.
O professor Paulo Goiana decidiu trocar o veículo convencional por um modelo elétrico justamente pela economia. Ele falou sobre a experiência com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza:
"Sou professor, trabalho em várias escolas, então tinha um gasto mensal com combustível alto e eu achei que ia valer a pena mudar para essa nova tecnologia."
Mas, enquanto a adesão aos veículos elétricos cresce, condomínios ainda precisam superar obstáculos técnicos para oferecer uma estrutura adequada de carregamento.
Instalação depende da estrutura elétrica do condomínio
Antes da instalação de um carregador, o condomínio precisa passar por uma avaliação para verificar se a rede elétrica existente suporta a demanda. Caso a estrutura não tenha capacidade, síndicos e administradores podem buscar alternativas externas por meio de empresas especializadas.
A síndica profissional Jeanny Costa explica que o objetivo é encontrar soluções que atendam não apenas um morador, mas toda a coletividade:
"O ideal é que a gente atenda a toda a coletividade, toda a comunidade. Na impossibilidade, existem empresas que trazem soluções. Para que a gente faça vaga rotativa, ou também estruturas que são montadas por essas empresas que atendam a todo o condomínio, fazendo subestação fora do condomínio, trazendo toda a eletrocarga, trazendo toda a parte estrutural para dentro do condomínio. Com a possibilidade de atender a todos, quando não há possibilidade de carga elétrica pelo próprio condomínio."
Segundo ela, uma das preocupações dos gestores é garantir que a solução seja coletiva e organizada, evitando que cada morador faça adaptações individuais sem planejamento.
Condomínios buscam alternativas para atender moradores
Com o aumento da procura por veículos elétricos, alguns prédios avaliam modelos diferentes de implantação. Entre as possibilidades estão estruturas individuais para cada morador ou áreas comuns destinadas ao carregamento dos veículos.
A advogada condominial Stella Alves destaca que existem alternativas, mas reforça a necessidade de seguir regras para evitar problemas na estrutura dos edifícios:
"Hoje é possível fazer estruturas que façam a ligação individual para cada morador, para cada condômino, bem como existe a possibilidade de uma área comum para que cada morador consiga fazer o abastecimento do seu veículo numa tomada."
A especialista também alerta que moradores não podem realizar instalações improvisadas dentro dos condomínios.
"É importante também reforçar que os condôminos não podem fazer ligações irregulares e é dever da gestão, sabendo, tendo conhecimento das ligações irregulares, puxando tomadas, utilizando as outras estruturas para fazer o carregamento do seu veículo, penalizá-los, bem como sugerir a remoção."
Crescimento da frota exige planejamento
A chegada dos veículos elétricos aos condomínios representa uma mudança na infraestrutura dos prédios e exige planejamento por parte dos gestores. A avaliação técnica antes da instalação é considerada uma etapa fundamental para garantir que o sistema funcione sem comprometer a segurança elétrica do condomínio.




