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TECNOLOGIA

Nanossatélite da UFC poderá sobrevoar Fortaleza até três vezes por dia a partir de 2027; veja como funcionará a missão

Projeto aprovado pela Agência Espacial Brasileira vai testar tecnologias desenvolvidas por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará para aumentar a resistência de sistemas eletrônicos à radiação espacial.

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Nanossatélite da UFC poderá sobrevoar Fortaleza até três vezes por dia a partir de 2027; veja como funcionará a missão
Foto: GCMais
Batizado de Nanossatélite com Eletrônica Robusta à Radiação (Nascerr), o projeto foi aprovado pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e recebeu investimento de aproximadamente R$ 1,5 milhão. (Foto: Divulgação)

O nanossatélite da Universidade Federal do Ceará (UFC) deverá começar a sobrevoar Fortaleza até três vezes por dia a partir de 2027, quando está previsto seu lançamento ao espaço. Desenvolvido por pesquisadores da instituição, o equipamento funcionará como um laboratório em órbita para testar tecnologias destinadas a proteger computadores de bordo contra os efeitos da radiação espacial, um dos principais obstáculos enfrentados por missões espaciais.

Batizado de Nanossatélite com Eletrônica Robusta à Radiação (Nascerr), o projeto foi aprovado pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e recebeu investimento de aproximadamente R$ 1,5 milhão. A expectativa é que o equipamento seja entregue à agência no início de 2027 para integração à missão de lançamento.

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O desenvolvimento é coordenado pelo professor Jarbas Silveira, do Departamento de Engenharia de Teleinformática (Deti) da UFC, e representa um dos projetos espaciais mais relevantes já conduzidos pela universidade. A iniciativa busca validar, em ambiente real, soluções desenvolvidas no Ceará que poderão aumentar a confiabilidade de sistemas eletrônicos utilizados em futuras missões espaciais.

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O que é o nanossatélite da UFC e qual será sua missão

Apesar do nome, um nanossatélite não é necessariamente um equipamento de dimensões reduzidas. A classificação está relacionada ao peso do dispositivo. Segundo o coordenador do projeto, satélites com massa entre um e dez quilos são enquadrados nessa categoria. O Nascerr foi desenvolvido pelo Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação (LESC), ligado ao Deti da UFC, que desde 2004 realiza pesquisas nas áreas de sistemas embarcados, microeletrônica, processamento de sinais e sistemas tolerantes a falhas.

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Além dos professores Jarbas Silveira, Alexandre Coelho e Nicolas Moreira, o projeto reúne quatro estudantes de mestrado, quatro de doutorado, seis alunos de graduação, além de engenheiros e técnicos. A principal missão do satélite será verificar, em condições reais de operação, se as tecnologias desenvolvidas pela equipe conseguem proteger os computadores embarcados contra falhas provocadas pela radiação encontrada na órbita terrestre.

Por que a radiação espacial é um desafio para os satélites

Um dos maiores riscos para equipamentos eletrônicos em operação no espaço é a exposição contínua à radiação ionizante. Esse fenômeno pode provocar desde danos permanentes aos componentes eletrônicos até falhas temporárias capazes de alterar informações armazenadas na memória dos computadores de bordo.

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Essas alterações podem comprometer o funcionamento do satélite, levando ao envio de dados incorretos, falhas na comunicação com a Terra ou decisões equivocadas dos sistemas embarcados. Para enfrentar esse problema, o Nascerr utilizará algoritmos dinâmicos de Códigos de Correção de Erros (ECC), capazes de identificar e corrigir automaticamente alterações provocadas pela radiação. A expectativa dos pesquisadores é comprovar que essas técnicas conseguem aumentar significativamente a confiabilidade dos computadores utilizados em aplicações espaciais.

Como será a comunicação do nanossatélite com Fortaleza

Depois do lançamento, o satélite será colocado em uma órbita baixa de aproximadamente 550 quilômetros de altitude, sincronizada com o Sol. Embora realize entre quatro e cinco voltas ao redor da Terra diariamente, ele não passará sobre o Ceará em todas elas.

Segundo a equipe da UFC, normalmente haverá duas ou três oportunidades diárias de comunicação quando o equipamento estiver sobre a região. Cada passagem proporcionará uma janela de comunicação entre sete e 11 minutos, período suficiente para que os pesquisadores enviem comandos e recebam informações sobre o desempenho dos experimentos realizados em órbita.

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A troca de dados será feita por meio de uma antena instalada no Campus do Pici, em Fortaleza. Durante essas janelas, os pesquisadores acompanharão por telemetria o comportamento dos sistemas embarcados e verificarão, em tempo real, como as tecnologias desenvolvidas estão respondendo ao ambiente espacial.

Tecnologia poderá fortalecer futuras missões espaciais brasileiras

O Nascerr utiliza o padrão CubeSat, amplamente empregado por universidades e centros de pesquisa devido ao menor custo de fabricação e lançamento. O equipamento possui duas unidades principais. Uma delas abriga os sistemas responsáveis pelo funcionamento do satélite, como alimentação elétrica, baterias e transmissão de dados. A outra é dedicada exclusivamente aos experimentos científicos.

A plataforma utiliza o computador de bordo Roboc (Robust Onboard Computer), desenvolvido pelo próprio laboratório da UFC. Esse sistema foi projetado para adaptar automaticamente o nível de proteção dos componentes eletrônicos conforme a intensidade da radiação encontrada na órbita terrestre. Em situações de maior exposição, aumenta os mecanismos de proteção; quando o ambiente apresenta menor risco, reduz o consumo de recursos computacionais. A expectativa é que o satélite permaneça em operação durante aproximadamente um ano, funcionando como uma plataforma de validação tecnológica para futuras aplicações do programa espacial brasileiro.

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Projeto entra na fase final antes do lançamento previsto para 2027

Após concluir as etapas de concepção do projeto, aquisição dos componentes e fabricação dos experimentos, a equipe trabalha agora na integração final do satélite. A previsão é que toda a montagem seja concluída até outubro nos laboratórios da UFC. Em seguida, o equipamento será encaminhado para laboratórios certificados em São José dos Campos (SP), onde passará por ensaios de vibração mecânica, testes de termovácuo e avaliações de compatibilidade eletromagnética, etapas indispensáveis para garantir que o satélite suporte as condições do lançamento e da operação no espaço.

Paralelamente, o projeto avança dentro do Programa de Desenvolvimento de Satélites (Prosame), da Agência Espacial Brasileira. Embora o cronograma preveja o lançamento em 2027, os pesquisadores destacam que ajustes de calendário são comuns em missões espaciais, já que a prioridade é assegurar que todos os sistemas estejam plenamente validados antes do envio ao espaço.

Iniciado em janeiro de 2023, o projeto reúne financiamento do CNPq, Finep, Funcap e Capes, além da coordenação da Universidade Federal do Ceará. Também participam da iniciativa a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Université Grenoble Alpes, da França, e as empresas CRON Sistemas e Tecnologias e Horuseye Tech, ampliando a cooperação científica nacional e internacional em torno do desenvolvimento de tecnologias espaciais.

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