As vendas de imóveis na Grande Fortaleza registraram crescimento de 15,8% no primeiro semestre de 2026, movimentando R$ 4,78 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV). O resultado ficou acima das expectativas do setor imobiliário e levou o segmento a revisar para cima a projeção de crescimento para o restante do ano.
O levantamento foi apresentado pelo Sindicato das Construtoras do Ceará (Sinduscon-CE), em parceria com a Brain, nesta quarta-feira (29). De acordo com os dados, o mercado imobiliário da Capital e dos municípios da Região Metropolitana apresentou avanço tanto no volume financeiro movimentado quanto na quantidade de unidades comercializadas.
Segundo o presidente do Sinduscon-CE, Patriolino Dias de Sousa, o desempenho surpreendeu positivamente o setor, que esperava inicialmente apenas manter a estabilidade registrada anteriormente.
“Tivemos em 2025 o melhor ano da década. Nossa expectativa inicial era manter a estabilidade ou alcançar um ritmo de crescimento em torno de 5%, mas fomos surpreendidos com uma alta de 15% já no fechamento do primeiro semestre”, destacou.
Com o cenário apresentado nos primeiros seis meses do ano, a expectativa agora é que o mercado imobiliário encerre 2026 novamente em ritmo de crescimento. A projeção revisada aponta para uma alta entre 10% e 15% em comparação com 2025.
Vendas de imóveis na Grande Fortaleza superam expectativa do setor
Do total movimentado no primeiro semestre, Fortaleza concentrou a maior parte dos negócios. A Capital registrou R$ 3,65 bilhões em vendas, crescimento de 19,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Já os municípios da Região Metropolitana movimentaram R$ 1,13 bilhão, com crescimento de 4,2%.
Além do aumento no valor movimentado, o número de unidades vendidas também apresentou resultado positivo. Foram comercializados 8.609 imóveis entre janeiro e junho de 2026, contra 8.095 no mesmo período de 2025, uma alta de 6,35%.
Entre os segmentos que mais contribuíram para o desempenho financeiro estão os imóveis de alto e médio padrão. Juntos, eles responderam por R$ 2,96 bilhões em vendas, aproximadamente 81% de todo o volume comercializado no semestre.
Segundo Sérgio Macedo, diretor do Sinduscon-CE, esse desempenho está relacionado principalmente aos empreendimentos compactos voltados para investidores, especialmente aqueles destinados ao mercado de locação.
O segmento tem ganhado espaço diante do crescimento da procura por imóveis para aluguel de curta duração, impulsionado também pelo potencial turístico da Capital.
Adriana Neves, segunda vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-CE), destacou a influência do turismo nesse cenário.
“Fortaleza tem sol o ano todo e uma variedade enorme de atrativos. Trabalho com locação de temporada e vejo clientes que já garantem a viagem do ano seguinte assim que chegam”, pontuou Adriana, destacando que na Capital há atrações o suficiente para os visitantes passarem a viagem com “a agenda lotada”.
Imóveis de alto e médio padrão lideram movimentação financeira
Apesar do destaque dos segmentos de maior padrão, o comportamento das vendas apresentou diferenças entre Fortaleza e os municípios da Região Metropolitana.
Na Capital, as residências verticais não econômicas tiveram maior destaque. Entre janeiro e junho, foram vendidas 3.206 unidades desse segmento, número 13% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Já os imóveis econômicos, que incluem empreendimentos enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), apresentaram redução de 4% em Fortaleza. O número passou de 2.553 unidades vendidas em 2025 para 2.443 em 2026.
Na Região Metropolitana, o cenário foi diferente. Os imóveis econômicos tiveram maior participação nas vendas e representaram mais de 74% das aquisições realizadas no período, com 1.659 unidades comercializadas, crescimento de 2% em relação ao ano anterior.
Os demais padrões também apresentaram avanço nos municípios metropolitanos, com alta de 9% e total de 582 unidades vendidas.
Lançamentos do Minha Casa Minha Vida ganham destaque no mercado cearense
Além das vendas, o levantamento também avaliou os novos empreendimentos lançados no primeiro semestre de 2026.
Ao todo, a Grande Fortaleza recebeu 61 novos empreendimentos, sendo 38 econômicos, ligados ao Minha Casa, Minha Vida, e 23 de outros padrões.
Foram colocadas no mercado 8.537 novas unidades, com VGV de R$ 3,28 bilhões.
Em Fortaleza, foram lançadas 5.268 unidades. Os empreendimentos econômicos tiveram destaque, com 3.255 imóveis lançados, crescimento de 45% em comparação ao mesmo período de 2025.
Nos demais padrões, o crescimento foi de 3%, passando de 1.960 para 2.013 unidades.
Na Região Metropolitana, os empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida também apresentaram forte avanço, com 2.515 unidades lançadas, crescimento de 153%.
Já os demais padrões tiveram a maior alta proporcional, chegando a 425%, com 331 unidades lançadas.
Fortaleza não registra novos lançamentos de loteamentos no semestre
Enquanto o mercado de imóveis verticais apresentou crescimento, o segmento de loteamentos teve desempenho diferente em Fortaleza.
A Capital completou seis meses sem nenhum novo lançamento de loteamento até junho de 2026. O cenário provocou queda de 96% nas vendas e redução de 95% no VGV, que ficou em R$ 5,8 milhões.
Na Região Metropolitana, porém, houve crescimento no número de novos lotes. O volume passou de 1.546 para 1.694 unidades, alta de 10%.
Apesar disso, o aumento da oferta não resultou em crescimento financeiro. O VGV dos loteamentos metropolitanos caiu 5%, chegando a R$ 508,1 milhões.
Com o desempenho registrado no primeiro semestre, o setor imobiliário cearense mantém a expectativa de fechar 2026 com novos resultados positivos, impulsionado principalmente pela demanda por imóveis residenciais, pelo turismo e pelo avanço de programas habitacionais.




