A maior parte dos 18 suspeitos presos durante a oitava fase da Operação Impacto, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (30), já utilizava tornozeleira eletrônica. Segundo informações apuradas durante a ação, a maioria dos conduzidos já possuía antecedentes criminais e foi levada para a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
A ofensiva teve como alvo uma organização criminosa com atuação em Fortaleza e na Região Metropolitana. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de prisão e 30 mandados de busca e apreensão nos municípios de Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Aquiraz, São Gonçalo do Amarante e Baturité. Durante a operação, três pessoas também foram autuadas em flagrante.
Nas primeiras horas da manhã, equipes da Polícia Civil cumpriram mandados simultaneamente em diversos endereços. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
Operação mira organização criminosa e lavagem de dinheiro
De acordo com a Polícia Civil, a Operação Impacto 8 integra uma investigação voltada ao combate a uma organização criminosa de origem carioca e também busca enfraquecer o esquema de lavagem de dinheiro utilizado pelo grupo para ocultar patrimônio e financiar atividades ilícitas.
O delegado titular da Draco, Thiago Salgado, informou que as diligências continuam para localizar outros investigados.
"Ainda estamos com a equipe diligenciando com o objetivo de cumprir outros mandados. 30 mandados de busca já foram cumpridos. Por ocasião da deflagração da operação, além dos cumprimentos dos mandados, também tivemos apreensões de duas pistolas de substâncias entorpecentes. Três pessoas foram autuadas em flagrante e a investigação continua no intuito de identificar todas as pessoas envolvidas com esse grupo criminoso que estaria envolvido com crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e vários outros crimes violentos e conexos aqui no estado de Ceará", afirmou o delegado Thiago Salgado.
Investigação teve apoio de análise financeira
Segundo o delegado, a investigação identificou que essas organizações atuam com extorsão, ameaças, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
"A gente sabe que esses grupos violentos, essas organizações criminosas ultra-violentas têm um modus operandi extorquir, de ameaçar, de traficar drogas e de lavar dinheiro, transformar dinheiro ilícito, transformar dinheiro de origem ilícita de alguma forma ilícita. E a Polícia Civil tem um mapeamento que nos forneceu em 2025 alguns relatórios de análise financeira que subsidiou a investigação", explicou Thiago Salgado.
A Polícia Civil informou que a Operação Impacto 8 dá continuidade ao trabalho iniciado na Operação Cashback, realizada em 2025. Conforme o delegado, a investigação apontou que a organização criminosa movimentou mais de R$ 160 milhões entre 2022 e 2024.
"Na operação de 2025, ficou identificado que o fluxo financeiro durante o período de 2022 a 2024 dessa organização criminosa ultra-violenta de origem carioca teria sido uma movimentação de acima de R$ 160 milhões. A DCLD, que é a Delegacia de Combate à Lavagem de Dinheiro, já tinha deflagrado uma operação, que foi a Operação Cashback, em 2025. E agora, em 2026, a Operação Impacto 8 é uma continuidade da Operação Cashback", disse.
Operação busca enfraquecer financeiramente a organização
Durante a coletiva, o delegado esclareceu ainda que três dos alvos já estavam no sistema prisional quando os mandados foram cumpridos.
"À época da representação, esses indivíduos estavam soltos. E foi identificado que eles eram indivíduos importantes nessa movimentação financeira do fluxo financeiro da organização criminosa. Não significa que eles estariam cometendo crimes de dentro do presídio. É porque eles acabaram sendo presos por outros crimes e eles já estavam no sistema penitenciário", explicou.
CAC é preso durante a operação
Outro alvo da operação era um CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador). Conforme a Polícia Civil, durante o cumprimento do mandado foram apreendidas duas armas.
Uma delas possuía registro, mas estava armazenada em endereço diferente do autorizado. A outra tinha registro de roubo e estava na posse do investigado, que foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e receptação.
"Infelizmente, tem sido cada vez mais comum a gente ver CACs envolvidos com essas organizações criminosas, com repasse de armas de fogo para esses indivíduos criminosos. E na investigação presidida pela Draco na data de hoje, um dos alvos já era CAC, ele já tinha mandado de prisão nessa investigação. E por ocasião do cumprimento do mandato de busca, a equipe policial da Draco se deparou com duas armas que estavam na posse dele. Uma delas ele tinha registro, mas estava em endereço diferente do que era para estar, e a outra nem registro tinha. Pelo contrário, ela tinha um registro de roubo no sistema policial. Era uma arma que pertencia a outra pessoa, tinha sido roubada e estava na posse dele ilegalmente. As duas foram apreendidas e ele foi autuado em flagrante pelo crime de posse ilegal de arma de fogo e por receptação", informou o delegado.
A Polícia Civil informou que a investigação permanece em andamento para identificar outros integrantes da organização criminosa e apurar novas conexões do grupo investigado.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




