A redução no preço médio da gasolina registrada nos postos de combustível do país ainda não foi suficiente para provocar uma mudança significativa no orçamento de muitos motoristas no Ceará. Condutores ouvidos pela reportagem afirmam que a diferença percebida nas bombas foi pequena e não representa um alívio expressivo, principalmente para quem depende do veículo como fonte de renda.
Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a gasolina apresentou uma redução de 0,45% nos postos brasileiros. Apesar da queda, motoristas cearenses avaliam que o impacto no bolso ainda é limitado.
Para profissionais que passam grande parte do dia dirigindo, como motoristas por aplicativo e motociclistas, qualquer variação no preço do combustível pode influenciar diretamente os ganhos, já que parte da renda é destinada ao abastecimento.
Motoristas avaliam impacto da redução no preço da gasolina
Elvis Francis é natural da Nigéria, mora no Brasil há 12 anos e trabalha como motorista por aplicativo há cinco anos. Ele explica que, para quem utiliza o carro diariamente para trabalhar, a redução registrada não foi suficiente para representar uma mudança relevante.
Segundo ele, a diferença percebida nos postos foi pequena e poderia ser maior. “É questão de 10 centavos, no máximo 15 centavos, que não faz muita diferença, na verdade, e nem tudo posto baixo”, afirma o motorista por aplicativo.
Outros condutores também compartilham da mesma avaliação. Para eles, embora a redução seja positiva, o valor ainda não representa uma economia significativa no momento do abastecimento.
O aposentado Francisco Rebouças considera que o preço poderia ter uma queda mais expressiva. “Mas bem que poderia melhorar”, avalia.
O motociclista por aplicativo Davi Félix também aponta que a redução ainda não trouxe grande diferença para quem depende do combustível diariamente.
Especialista explica fatores que influenciaram queda do combustível
Para o especialista em Finanças Flávio Távora, a redução no preço da gasolina está relacionada a uma combinação de fatores, incluindo mudanças no mercado internacional e medidas relacionadas à tributação.
Ele explica que houve uma redução de impostos e ações para evitar impactos maiores nos preços dos combustíveis. “Nós tivemos aí um corte de impostos e tributos. O governo proporcionou subsídios para que isso não impactasse no aumento dos combustíveis”, afirma o especialista.
Além disso, Flávio Távora destaca que a dinâmica do mercado também influencia diretamente os valores praticados nos postos. “Afora isso, nós temos hoje, querendo ou não, a livre concorrência. E essa oscilação do preço do petróleo possibilitou que você já comece a perceber, talvez pelos arranjos internacionais, essa tendência de redução”, explica.
Segundo ele, fatores externos, como o comportamento do mercado de petróleo, podem interferir no custo final dos combustíveis comercializados no Brasil.
Crescimento dos carros elétricos muda mercado de combustíveis
Além das oscilações do mercado e das mudanças tributárias, outro fator que vem influenciando o setor de combustíveis é o crescimento da utilização de veículos elétricos e híbridos.
O Ceará ocupa a terceira colocação no Nordeste em número de veículos desses modelos, com mais de 18 mil unidades circulando no território estadual.
Para Flávio Távora, a expansão desses veículos representa uma mudança de comportamento dos consumidores e pode alterar a demanda pelos combustíveis tradicionais.
Ele destaca que o custo de abastecimento de um veículo elétrico pode ser inferior ao de um carro movido a combustível fóssil. “Hoje você tem um veículo elétrico que você vai pagar mais ou menos R$ 54,00. Você carrega ele por completo e vai rodar 318 quilômetros”, explica.
Segundo o especialista, ao comparar os custos, a diferença pode ser significativa. “Se você fizer uma conta bem aproximada, o valor é infinitamente inferior do que o preço do combustível hoje utilizado. Fora a manutenção, que é muito menor”, afirma.
Flávio Távora avalia ainda que o cenário de transição energética tende a continuar avançando no Ceará, especialmente pela disponibilidade de fontes renováveis de energia. “Hoje, o veículo elétrico no Ceará, que tem uma produção e tem a energia verde mais barata do mundo, é uma tendência sem retorno”, conclui o especialista.




