A Justiça do Ceará determinou que José Eieldo Lima da Silva, de 41 anos, suspeito de enviar ameaças de morte contra o irmão do prefeito de Monsenhor Tabosa, cumpra prisão domiciliar. A decisão substituiu a prisão preventiva por uma série de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a permanência integral na residência.
A defesa do investigado apresentou como justificativa que José Eieldo é cadeirante e paciente renal crônico, com laudo médico indicando a condição de saúde. O pedido de habeas corpus foi analisado pelo plantão judiciário de 2º Grau do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), que autorizou a mudança no regime de prisão.
Pela decisão, o suspeito deverá permanecer em casa durante as 24 horas do dia, incluindo sábados, domingos e feriados. A exceção prevista é para deslocamentos relacionados a sessões de hemodiálise previamente agendadas.
Caso as determinações judiciais sejam descumpridas, a prisão domiciliar poderá ser revogada e a prisão preventiva poderá ser restabelecida.
Suspeito terá que cumprir 15 medidas cautelares
Além da monitoração eletrônica, José Eieldo deverá seguir outras 14 medidas impostas pela Justiça. Entre elas estão a proibição de deixar a residência sem autorização, exceto para tratamento de saúde e comparecimento a atos judiciais, além da restrição ao uso de redes sociais, aplicativos de mensagens e outros meios de comunicação.
A prisão domiciliar foi determinada após José Eieldo ter sido preso em flagrante e ter a prisão convertida em preventiva durante audiência realizada no plantão judiciário de 1º Grau, no dia 1º de agosto.
Segundo as investigações, ele foi capturado na sexta-feira (31), em Crateús, por suspeita de enviar mensagens com ameaças de morte direcionadas a Francisco de Assis Sousa Júnior, subsecretário de Agricultura de Monsenhor Tabosa e irmão do prefeito Francisco Salomão (PT).
Em paralelo às ameaças, passaram a circular nas redes sociais vídeos de criminosos fazendo disparos de arma de fogo em um distrito do município. Nos registros em vídeo, integrantes de uma facção criminosa fazem algazarra em um espaço público, com tiros e gritos do grupo criminoso.
Polícia apreendeu celulares durante investigação
Durante a operação que resultou na prisão, a Polícia Civil também cumpriu um mandado de busca e apreensão contra o investigado. Três celulares foram apreendidos pelos agentes, incluindo um aparelho que teria sido utilizado para o envio das mensagens investigadas.
A Polícia Civil aponta que José Eieldo também é suspeito de integrar e liderar um grupo criminoso com atuação em Monsenhor Tabosa. O investigado foi autuado por suspeita de integrar organização criminosa.
Conforme as informações divulgadas após a prisão, ele possui antecedentes relacionados a posse irregular de arma de fogo, porte ilegal de arma de fogo, tráfico ilícito de drogas e participação em organização criminosa.
Irmão do prefeito recebeu ameaças atribuídas a facção criminosa
O caso começou a ser investigado após Francisco de Assis Sousa Júnior, subsecretário municipal de Agricultura de Monsenhor Tabosa, receber mensagens com ameaças de morte. O conteúdo das mensagens fazia referência ao Comando Vermelho (CV), e a autoria passou a ser apurada pela Polícia Civil.
A denúncia foi divulgada pelo prefeito Francisco Salomão nas redes sociais. Segundo ele, um boletim de ocorrência foi registrado para comunicar o caso às autoridades.
Em uma publicação, o prefeito afirmou que o irmão não possui relação com organizações criminosas e disse que as ameaças tinham como objetivo atingir a família.
“Quem conhece o meu irmão sabe, homem honesto, trabalhador, que não tem qualquer tipo de envolvimento com esse tipo de coisa e nunca terá, porque eu conheço a índole do meu irmão, Júnior. Pelas circunstâncias, as ameaças têm o objetivo de nos intimidar, atingindo aquilo que nós temos de mais valioso, que é a nossa família. Mas eu quero deixar uma coisa bem clara. Quem tenta atingir um homem, atingindo a família, ultrapassa todos os limites”, declarou Francisco Salomão.
Prefeitura informou investigação sobre autoria das mensagens
A Prefeitura de Monsenhor Tabosa informou que Francisco de Assis Sousa Júnior recebeu mensagens com “graves ameaças e referências a uma organização criminosa”.
O município classificou o episódio como uma tentativa de intimidação contra o prefeito e familiares, mas destacou que a confirmação da autoria, da motivação e de possíveis envolvimentos depende da conclusão das investigações realizadas pelos órgãos responsáveis.
Francisco de Assis Sousa Júnior já exerceu o cargo de secretário municipal de Planejamento de Monsenhor Tabosa entre 2023 e março de 2025. Atualmente, ocupa a função de subsecretário de Agricultura do município.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncia", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




