Correr uma maratona é um desafio que começa muito antes dos 42,195 quilômetros da prova. Para a cearense Rafaela, a preparação para alcançar essa distância passou por uma evolução gradual, com participação em corridas de 5, 10 e 21 quilômetros até chegar ao momento de encarar o ciclo específico de treinamento para a primeira maratona. A estreia está prevista para as próximas semanas, quando ela pretende completar a distância e conquistar a tão esperada marca de maratonista.
A experiência ganha um significado especial neste 7 de agosto, data em que é celebrado o Dia do Maratonista. A homenagem é relacionada ao atleta etíope Abebe Bikila, que nasceu em 7 de agosto de 1932 e entrou para a história do esporte ao vencer a maratona dos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, correndo descalço.
Em Fortaleza, a corrida faz parte da rotina de milhares de pessoas que utilizam principalmente a orla para praticar o esporte. A movimentação começa cedo, com corredores ocupando a Beira-Mar ainda nas primeiras horas do dia, e continua no fim da tarde e à noite.
Para Rafaela, esse ambiente também contribuiu para que a corrida deixasse de ser apenas uma atividade física e se transformasse em um objetivo pessoal. Ela conta que o contato com outros corredores e as experiências compartilhadas pela comunidade ajudam a manter a motivação para buscar distâncias cada vez maiores.
“O mundo da corrida é um mundo apaixonante, ele vai te envolvendo. Tem a comunidade da corrida, que é muito forte e, aqui em Fortaleza, é uma cidade que tem muitos corredores”, afirma Rafaela.
Do primeiro passo aos 30 quilômetros
A chegada à maratona não acontece de uma vez. Antes de pensar nos 42 quilômetros, Rafaela precisou construir resistência em provas de distâncias menores.
Ela passou por corridas de 5, 10 e 21 quilômetros, etapas que serviram como preparação para que pudesse assumir um ciclo de treinamento mais longo e específico. Segundo a corredora, chegar ao momento de encarar uma maratona exige disciplina justamente porque a rotina precisa ser mantida mesmo quando a vontade de treinar não aparece.
“Primeiro são vários treinos. A gente corre várias provas de 5, de 10, de 21, até ter coragem para encarar o ciclo de 42, que não é um ciclo fácil”, explica.
O treinamento já levou Rafaela a completar 30 quilômetros. A distância representa uma etapa importante na preparação, mas também mostra a dimensão do desafio que ainda existe pela frente até os 42,195 quilômetros.
Ao falar sobre o momento em que o corpo começa a sentir o peso dos quilômetros, ela destaca principalmente a necessidade de manter a concentração. Em vez de pensar na distância total, a estratégia é avançar progressivamente, controlando o esforço e mantendo a hidratação e a suplementação.
“Não dá nem tempo de pensar, porque a cabeça da gente está tão focada que a gente quer concluir”, conta.
Segundo ela, o percurso é encarado de maneira gradual. “A gente vai, foca naquele ponto ali, vai correndo e vai fazendo a hidratação, a suplementação e vai quilômetro por quilômetro até cruzar a linha de chegada”, acrescenta Rafaela.
Preparação vai além da corrida
Uma maratona também exige atenção aos cuidados fora dos momentos em que o atleta está correndo. Para Rafaela, a preparação envolve descanso, alimentação, hidratação e sono adequado, especialmente nos dias que antecedem a competição.
A rotina muda conforme a proximidade da prova. A ideia é chegar ao momento da largada com o corpo descansado e preparado para suportar o esforço prolongado.
“Tem que descansar bem durante a semana da prova, tem que se alimentar bem, se hidratar, tem que dormir pelo menos oito horas para chegar bem”, explica a corredora.
A preparação também significa abrir mão de algumas atividades que poderiam comprometer o descanso. Questionada sobre a possibilidade de aproveitar a véspera da prova para sair, comer uma pizza ou até frequentar uma festa, Rafaela foi direta: “Jamais!”.
O objetivo, segundo ela, é preservar a energia para o momento em que a prova começar.
O desafio dos 42 quilômetros
A distância de uma maratona é de 42,195 quilômetros. Para quem está acostumado a provas menores, a diferença representa uma mudança significativa na estratégia e na preparação.
A experiência de Rafaela com os 30 quilômetros mostra que o treinamento já avançou para uma fase próxima do objetivo, mas a corredora ainda terá que lidar com os quilômetros restantes no dia da competição.
É justamente essa progressão que faz com que a preparação seja realizada ao longo de diferentes etapas. Primeiro vêm as distâncias menores, depois os treinos mais longos e, finalmente, o ciclo voltado especificamente para a maratona.
A corredora afirma que a disciplina é uma das principais características necessárias para chegar ao fim desse processo. “A gente vai treinar mesmo quando não quer”, destaca.
Além do esforço individual, Rafaela também aponta a influência dos demais corredores. Em Fortaleza, a presença de grupos e atletas nas ruas cria uma espécie de rede de incentivo para quem pretende evoluir no esporte.
Ela afirma que acompanhar as experiências de outras pessoas que já completaram provas longas desperta a vontade de buscar o mesmo desafio.
Fortaleza e a cultura da corrida
A capital cearense oferece um cenário frequente para quem pratica corrida. A Beira-Mar, por exemplo, reúne atletas e praticantes em diferentes horários, especialmente pela manhã e no fim do dia.
O movimento é tão grande que o corredor Ednei Cunha, durante uma visita ao local, brincou com a quantidade de pessoas que costuma ocupar o espaço. Segundo ele, é comum encontrar a região cheia de corredores.
O crescimento desse ambiente esportivo ajuda a explicar como a corrida pode se transformar em uma atividade coletiva, mesmo quando cada atleta possui seu próprio objetivo.
Para Rafaela, essa convivência é parte importante da motivação para avançar das provas curtas para as de longa distância.
Dia do Maratonista
A escolha de 7 de agosto para celebrar o Dia do Maratonista está ligada à história de Abebe Bikila. Nascido nesta data, em 1932, o etíope ganhou projeção mundial ao vencer a maratona dos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960.
A conquista ficou marcada pelo fato de Bikila ter disputado a prova descalço. O resultado o colocou entre os grandes nomes da história olímpica e fez com que sua trajetória permanecesse associada à maratona.
Mais de seis décadas depois daquela vitória, a modalidade continua representando um dos maiores desafios de resistência do atletismo.
Para Rafaela, o significado da data é ainda mais especial porque coincide com uma fase decisiva de sua trajetória. Depois de passar por provas de 5, 10 e 21 quilômetros e chegar aos 30 quilômetros em treinamento, ela se prepara para dar o próximo passo.
Primeira maratona pode marcar nova fase
A estreia nos 42 quilômetros representa, para Rafaela, a possibilidade de concluir um ciclo que começou com distâncias menores e foi crescendo progressivamente.
O objetivo é simples de explicar, mas difícil de executar: completar os 42,195 quilômetros e cruzar a linha de chegada.
A corredora sabe que o percurso exigirá resistência, concentração e disciplina. Por isso, a preparação não está baseada apenas em aumentar a distância dos treinos, mas também em cuidar da alimentação, hidratação, descanso e sono.
“Se Deus quiser, estarei cruzando a linha de chegada e levando esse título tão esperado de maratonista”, afirma Rafaela.
Enquanto a data da prova se aproxima, ela segue acumulando quilômetros e experiência. O desafio, agora, é transformar os 30 quilômetros já percorridos nos treinos em resistência suficiente para completar os 42,195 quilômetros da primeira maratona.
E, para quem observa os corredores ocupando a Beira-Mar de Fortaleza todos os dias, a história de Rafaela mostra que, por trás de cada atleta que aparece correndo pela orla, pode existir um objetivo muito maior: chegar um pouco mais longe do que na corrida anterior.




