O preço da cesta básica em Fortaleza caiu 6,39% em julho de 2026, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O conjunto dos 12 produtos pesquisados passou de R$ 822,43 em junho para R$ 769,88 no mês passado.
Apesar da redução expressiva em apenas um mês, o cenário é diferente quando o período analisado é maior. Em seis meses, a cesta acumula alta de 10,92% em Fortaleza. Na comparação com julho de 2025, o aumento é de 4,31%. Ou seja, a queda registrada agora alivia parte do custo imediato para o consumidor, mas os alimentos básicos continuam mais caros do que estavam no início de 2026 e há um ano.
A principal influência para a retração mensal veio do tomate, cujo preço caiu 31,81%. Também ficaram mais baratos o açúcar, o café, a carne, o arroz, o óleo, o pão, a banana e a manteiga. No sentido contrário, três produtos tiveram aumento: farinha, feijão e leite.
Cesta básica em Fortaleza cai 6,39% em julho
O trabalhador que recebe o salário mínimo nacional de R$ 1.621 precisou dedicar 104 horas e 29 minutos de trabalho para comprar os produtos que integram a cesta básica de Fortaleza em julho.
O valor representa uma redução em relação a junho, quando eram necessárias 111 horas e 37 minutos para adquirir a mesma quantidade de alimentos. A diferença acompanha a queda de 6,39% no custo total da cesta.
Mesmo com a redução, a alimentação básica continua representando uma parcela significativa da renda. Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, o trabalhador fortalezense comprometeu 51,35% da renda para comprar os alimentos da cesta.
O levantamento também calcula o custo da alimentação para uma família padrão formada por dois adultos e duas crianças. Em Fortaleza, esse gasto chegou a R$ 2.309,64 em julho.
Os dados mostram, portanto, que a redução mensal não elimina o peso da alimentação no orçamento doméstico. Para quem recebe o piso nacional, mais da metade da renda líquida é destinada somente aos produtos considerados básicos na pesquisa.
Tomate foi o produto que mais barateou em Fortaleza
Entre os 12 produtos pesquisados na capital cearense, o tomate foi o destaque absoluto na queda de preços.
O item registrou redução de 31,81% entre junho e julho. O custo da quantidade considerada na cesta, de 12 quilos, caiu de R$ 163,32 para R$ 111,36. Com isso, o tomate deixou de exigir 22 horas e 10 minutos de trabalho para representar um gasto equivalente a 15 horas e 7 minutos.
A redução ocorreu em um cenário nacional de queda do preço do tomate. Segundo as considerações da pesquisa, houve diminuição do valor médio em 26 das 27 capitais analisadas. O DIEESE relaciona o comportamento à maior produtividade, às regiões em período de safra e às temperaturas diurnas mais elevadas, fatores que favoreceram a maturação dos frutos e aumentaram a oferta.
Além do tomate, o açúcar teve queda de 2,75% em Fortaleza, enquanto o café recuou 1,25%. A carne caiu 0,89%, o arroz 0,78%, o óleo 0,35%, o pão 0,18%, a banana 0,12% e a manteiga 0,04%.
Entre esses produtos, a carne continua sendo o item de maior peso individual no custo da cesta. Os 4,5 quilos considerados na pesquisa custaram R$ 250,61 em julho. O pão aparece na sequência, com R$ 131,64, seguido pelo tomate, com R$ 111,36.
Feijão, farinha e leite ficaram mais caros
Enquanto nove produtos tiveram redução, três alimentos ficaram mais caros em Fortaleza.
A maior alta mensal foi registrada pela farinha, com aumento de 3,04%. O preço dos 3 quilos considerados na cesta passou de R$ 15,81 para R$ 16,29.
O feijão teve alta de 2,84%, passando de R$ 42,62 para R$ 43,83 na quantidade de 4,5 quilos. Já o leite subiu 2,50%, de R$ 40,74 para R$ 41,76 pelos 6 litros considerados no levantamento.
O comportamento do feijão merece atenção quando se amplia o período de comparação. Em seis meses, o produto acumula alta de 58,35% em Fortaleza. Na comparação com julho de 2025, o aumento chega a 57,61%.
A carne também apresenta alta significativa no período mais longo. O preço dos 4,5 quilos pesquisados subiu 11,45% desde janeiro e 12,51% em 12 meses.
Por outro lado, alguns produtos registraram queda tanto na comparação semestral quanto na anual. É o caso do café, que acumula redução de 8,78% em seis meses e de 12,51% em 12 meses. O açúcar caiu 8,07% no semestre e 17,14% em um ano. O óleo recuou 7,12% em seis meses.
Cesta básica ainda acumula alta de 10,92% em seis meses
A comparação com períodos anteriores ajuda a dimensionar o resultado de julho.
Em janeiro de 2026, a cesta básica de Fortaleza custava R$ 694,06. Seis meses depois, o valor chegou a R$ 769,88. Isso representa uma alta acumulada de 10,92%.
Na comparação anual, o custo também aumentou. Em julho de 2025, a cesta custava R$ 738,09. O valor atual é 4,31% superior.
O resultado revela uma diferença importante entre a variação mensal e o comportamento acumulado. A forte queda de julho reduziu o custo em relação a junho, mas não foi suficiente para devolver o preço da cesta ao patamar registrado no começo do ano.
O feijão é o principal exemplo dessa pressão acumulada. O produto custava R$ 27,81 pela quantidade pesquisada em julho do ano passado e chegou a R$ 43,83 neste ano. A carne passou de R$ 222,75 para R$ 250,61 no mesmo intervalo.
Ao mesmo tempo, produtos como açúcar, arroz e café apresentaram redução na comparação anual. O açúcar teve a maior queda, de 17,14%, seguido pelo arroz, com -15,10%, e pelo café, com -12,51%.
Fortaleza teve a 10ª maior queda entre as capitais
A redução observada em Fortaleza fez parte de um movimento nacional. Entre junho e julho, o custo da cesta básica caiu em 26 das 27 capitais pesquisadas pelo DIEESE e pela Conab.
Fortaleza registrou a 10ª maior queda, com -6,39%. O recuo ficou atrás de cidades como Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%), Palmas (-7,38%), Rio de Janeiro (-7,12%), Brasília (-6,71%), João Pessoa (-6,65%), Salvador (-6,59%) e Florianópolis (-6,28%, portanto ligeiramente abaixo de Fortaleza).
A única capital que registrou aumento no mês foi São Luís, com alta de 0,30%.
Mesmo com a queda mensal, Fortaleza não está entre as cidades de menor custo. Em julho, a cesta mais cara foi registrada em São Paulo, a R$ 915,01, enquanto Cuiabá teve R$ 881,27, Florianópolis ficou em R$ 860,73 e Rio de Janeiro, em R$ 855,37.
Entre as capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores foram observados em Aracaju, com R$ 594,07; Maceió, com R$ 618,60; Natal, com R$ 631,51; e João Pessoa, com R$ 644,04.
Na comparação de julho de 2025 com julho de 2026, o cenário muda: 22 capitais tiveram aumento no custo da cesta e apenas cinco registraram redução. Já no acumulado de janeiro a julho de 2026, todas as 27 capitais pesquisadas apresentaram alta.
Quanto o trabalhador precisa ganhar para manter uma família?
A pesquisa também apresenta uma estimativa do salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas, considerando as despesas previstas constitucionalmente, como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência.
Em julho, o DIEESE estimou esse valor em R$ 7.687,01, equivalente a 4,74 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621.
O cálculo é nacional e tem como referência a cesta mais cara encontrada entre as capitais pesquisadas, que em julho foi a de São Paulo.
Em Fortaleza, especificamente, o gasto mensal estimado com a alimentação da família padrão de quatro pessoas foi de R$ 2.309,64.
No conjunto das 27 capitais, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica ficou em 100 horas e 24 minutos em julho. O resultado foi inferior às 105 horas e 51 minutos registradas em junho e às 103 horas e 40 minutos de julho de 2025.
Em Fortaleza, portanto, julho trouxe uma melhora importante no preço mensal da cesta, principalmente pela queda do tomate e pela redução de outros seis produtos. Mas a fotografia de um único mês não conta toda a história: a cesta ainda custa 10,92% mais do que em janeiro e 4,31% mais do que há um ano, enquanto alimentos como feijão e carne seguem pressionando o orçamento das famílias.




