O eclipse solar total desta quarta-feira (12) poderá ser observado em sua totalidade apenas em uma faixa específica do planeta, que passará por regiões do norte da Rússia, Groenlândia, Islândia, Espanha e uma pequena área de Portugal. No Brasil, o fenômeno não será visível, mas o público poderá acompanhar imagens produzidas em diferentes pontos do mundo durante a passagem da sombra da Lua.
O fenômeno acontece quando a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol e bloqueia completamente a visão do disco solar para quem estiver dentro da faixa de totalidade. Como essa área é relativamente estreita, a maior parte do planeta não terá acesso à visão completa do eclipse.
Fora da faixa em que ocorrerá a totalidade, o eclipse poderá ser visto de forma parcial em diferentes regiões. Entre os locais que terão alguma visualização do fenômeno estão grande parte da Europa, áreas da América do Norte e o noroeste da África.
Eclipse solar total acontece em 12 de agosto
De acordo com os dados da NASA, o eclipse terá início em escala global às 12h34min15s, no horário de Brasília. Esse é o momento em que começa a fase parcial do fenômeno em algum ponto da Terra.
A primeira região do planeta a experimentar a totalidade deverá entrar na sombra da Lua às 13h58min09s, também pelo horário de Brasília.
O chamado máximo global está previsto para aproximadamente 14h46min06s. Nesse momento, o alinhamento entre Sol, Lua e Terra estará no ponto correspondente ao máximo do eclipse em escala mundial.
A duração da totalidade, porém, será relativamente curta. No ponto de maior duração, a fase em que o Sol fica completamente encoberto deverá chegar a aproximadamente 2 minutos e 18 segundos.
A diferença entre os horários e a experiência de cada observador ocorre porque a sombra da Lua se desloca pela superfície terrestre. Assim, enquanto alguns locais terão a oportunidade de acompanhar o Sol completamente encoberto, outros observarão apenas uma parte do disco solar ou não verão o fenômeno.
Eclipse solar total não será visível no Brasil
Quem estiver no Brasil não poderá observar diretamente a passagem da Lua diante do Sol. Isso significa que não haverá, em território brasileiro, uma faixa de totalidade ou mesmo a observação direta das diferentes fases do eclipse.
Para o professor doutor Marcos Calil, especialista em Astronomia Observacional, a ausência do fenômeno no céu brasileiro não impede que observadores daqui acompanhem o evento por meio de imagens produzidas em outras partes do mundo.
Calil atua há mais de 25 anos com Astronomia Observacional, planetários, observatórios, educação e divulgação científica. Ele também é responsável pelo canal Momento Astronômico e trabalha com orientações para observação do céu a olho nu e com equipamentos como binóculos, telescópios e câmeras.
Uma das propostas para o acompanhamento do eclipse é justamente reunir imagens de diferentes localidades atravessadas pela sombra da Lua, permitindo visualizar as etapas do fenômeno mesmo para quem estiver fora da faixa de totalidade.
A observação simultânea também pode ajudar a entender uma característica importante dos eclipses: o fenômeno é o mesmo, mas sua aparência muda conforme a posição do observador na Terra.
Fenômeno terá diferentes fases e horários
Um eclipse solar não acontece de maneira instantânea. Antes da totalidade, a Lua começa a encobrir gradualmente o disco do Sol. Em seguida, nos locais que estiverem dentro da faixa adequada, ocorre a fase em que o Sol fica completamente encoberto.
Essa totalidade, no entanto, alcançará apenas uma parte limitada do planeta. É por isso que um mesmo eclipse pode ser total para alguns observadores, parcial para outros e completamente invisível em determinadas regiões.
No caso do fenômeno de 12 de agosto, a faixa de totalidade passará por áreas do norte da Rússia, Groenlândia, Islândia, Espanha e uma pequena área de Portugal, além de avançar pelo oceano Atlântico.
Em outras partes da Europa, da América do Norte e do noroeste da África, será possível observar diferentes graus da fase parcial.
Para quem acompanha astronomia, o evento também oferece uma oportunidade de observar como a sombra lunar se desloca sobre a superfície terrestre e como diferentes locais registram o mesmo fenômeno sob perspectivas distintas.
Professor explica como observar o Sol com segurança
Embora o eclipse seja um evento astronômico de grande interesse, a observação do Sol exige cuidados específicos. Não é seguro olhar diretamente para o disco solar utilizando apenas óculos comuns.
O alerta é especialmente importante porque equipamentos ópticos podem concentrar a luz solar. Binóculos, câmeras e telescópios, por exemplo, precisam utilizar filtros solares apropriados instalados na parte frontal do equipamento para que possam ser usados na observação do Sol.
O professor Marcos Calil também pretende utilizar um telescópio solar com filtro H-alfa em seu observatório particular, em Atibaia, no interior de São Paulo.
Segundo ele, a ideia é observar o Sol a partir do Brasil enquanto imagens internacionais mostram as regiões atingidas pelo eclipse.
A observação brasileira, porém, dependerá das condições meteorológicas. Caso o céu esteja aberto, será possível obter imagens do Sol com o equipamento e colocá-las em comparação com os registros produzidos em locais onde o eclipse estará acontecendo.
A técnica H-alfa permite observar características específicas da atividade solar em uma faixa estreita do espectro da luz. Com isso, o acompanhamento pode mostrar detalhes do Sol que não são percebidos em uma observação comum.
A proposta, portanto, é criar uma espécie de acompanhamento simultâneo: enquanto o eclipse será registrado em diferentes pontos do mundo, o Sol poderá ser observado a partir de Atibaia, onde a passagem da Lua diante do disco solar não será visível.
Como acompanhar o eclipse solar total pela internet?
Mesmo sem visibilidade no Brasil, quem quiser acompanhar o eclipse solar total de 12 de agosto poderá recorrer às transmissões pela internet.
O canal Momento Astronômico fará uma transmissão especial a partir das 13h30, no horário de Brasília. A programação terá início antes da primeira ocorrência da totalidade em escala global e deverá reunir imagens internacionais do fenômeno.
A transmissão também contará com a tentativa de observação direta do Sol a partir do observatório particular de Marcos Calil, em Atibaia, utilizando um telescópio solar em H-alfa. Essa parte da programação dependerá das condições do céu no local.
Serviço
- Evento: Eclipse Solar Total de 12 de agosto de 2026
- Data: quarta-feira, 12 de agosto
- Início da transmissão: 13h30, horário de Brasília
- Local da observação brasileira: Atibaia (SP)
- Visibilidade no Brasil: o eclipse não será visível no território brasileiro




