A influenciadora cearense Lea Reis, de 29 anos, denunciou ter sido agredida em um bar de Balsas, no sul do Maranhão, e afirmou que o episódio teria sido motivado por transfobia. Natural de Iracema, no interior do Ceará, ela possui mais de 310 mil seguidores nas redes sociais, onde compartilha registros da rotina, viagens, eventos e momentos com amigos e familiares.
Lea Chaves Gomes Reis é uma mulher trans e atualmente mora em São Paulo. O episódio ocorreu no sábado (8), quando ela estava em Balsas para participar do casamento de uma amiga.
Após o evento, a influenciadora foi a um bar e relatou ter sido agredida por uma mulher. Lea registrou boletim de ocorrência no domingo (9) e publicou um vídeo nas redes sociais contando sua versão sobre o episódio.
A polícia confirmou a ocorrência de agressão física, mas informou que ainda não é possível afirmar se a motivação foi transfobia. A investigação continua.
Quem é Lea Reis, influenciadora de Iracema
Lea Reis nasceu em Iracema, no Ceará, e construiu uma audiência de mais de 310 mil seguidores nas redes sociais.
Em suas plataformas, ela costuma publicar conteúdos relacionados à própria rotina, além de fotos e vídeos de viagens, eventos e momentos de descontração ao lado de amigos e familiares.
A influenciadora também utiliza as redes sociais para abordar experiências relacionadas à sua identidade e episódios de transfobia.
Em março deste ano, por exemplo, Lea publicou um vídeo em que comentava comentários negativos recebidos em suas publicações.
Na ocasião, ela falou sobre pessoas que questionavam sua identidade como mulher trans e afirmou que tinha consciência de que não havia nascido biologicamente mulher, mas que isso não invalidava sua identidade.
A atuação de Lea nas redes sociais ganhou ainda mais repercussão no Ceará após um episódio familiar ocorrido no início deste ano.
Em janeiro, Leonardo Chaves da Silva, irmão da influenciadora, foi assassinado aos 33 anos em Iracema. Ele havia parado a motocicleta em uma rua para utilizar o celular quando foi atingido por disparos efetuados por um homem que estava em outra moto.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso na época, mais de 20 disparos foram efetuados contra Leonardo.
Lea Reis denuncia agressão em bar no Maranhão
No domingo (9), Lea Reis publicou um vídeo relatando a agressão que afirma ter sofrido em um bar de Balsas.
Nas imagens, a influenciadora aparece abalada enquanto conta o que teria acontecido. Segundo o relato, ela foi surpreendida pela mulher e recebeu dois socos no rosto.
Lea afirmou que não conhecia a mulher apontada como autora da agressão nem as pessoas que estavam com ela no estabelecimento.
Após ser atingida, ela percebeu que estava sangrando e contou que outras pessoas presentes no bar se aproximaram para ajudá-la.
A influenciadora também afirmou que não entendeu inicialmente o motivo da agressão e classificou o episódio como um caso de transfobia.
Lea estava em Balsas para participar do casamento de uma amiga. Depois da cerimônia, ela foi ao estabelecimento onde ocorreu a agressão.
A mulher apontada como autora, Écilla Ahuad Miranda, de 37 anos, apresentou uma versão diferente para o episódio.
Por meio de nota, ela afirmou que teria reagido depois que ela e o marido foram vítimas de uma suposta importunação sexual.
Essa versão, entretanto, foi contestada pela investigação policial.
O que a polícia diz sobre a denúncia de transfobia
A delegada Ana Marisa Barbat afirmou, em entrevista à TV Mirante, que as imagens das câmeras de segurança analisadas pela polícia não mostram uma interação anterior que sustente a versão apresentada pela mulher apontada como autora.
De acordo com a delegada, as imagens confirmam a agressão física.
A investigação, porém, ainda não concluiu que o ataque teve motivação transfóbica.
Essa distinção é importante porque, apesar de Lea Reis ter denunciado o episódio como transfobia, a motivação da agressão ainda está sendo apurada pelas autoridades.
Segundo a delegada, os elementos reunidos até o momento não permitem determinar se houve transfobia na conduta atribuída à mulher.
O delegado responsável pelo caso deverá continuar a apuração para esclarecer as circunstâncias da agressão e verificar a motivação.
Além das imagens de segurança, outros elementos podem ser considerados durante a investigação.
Influenciadora já havia relatado episódios de transfobia
O episódio denunciado em Balsas ocorre meses depois de Lea Reis falar publicamente sobre situações de transfobia que, segundo ela, já havia enfrentado nas redes sociais.
Em uma publicação feita em março, a influenciadora relatou receber comentários de mulheres que questionavam sua identidade e diziam que ela nunca seria uma mulher.
Ao comentar essas manifestações, Lea afirmou que sabia que não havia nascido biologicamente mulher e defendeu que essa condição não invalidava sua identidade.
A publicação faz parte de um conteúdo mais amplo que a influenciadora costuma compartilhar sobre sua experiência como mulher trans.
Agora, o episódio ocorrido no Maranhão passou a ser investigado pelas autoridades locais.
Até o momento, a polícia confirmou a agressão física, mas ainda não definiu se houve motivação relacionada à transfobia.
A investigação deve esclarecer também as circunstâncias que antecederam o ataque e a versão apresentada pela mulher apontada como autora.
Lea Reis registrou boletim de ocorrência e tornou o caso público por meio das redes sociais. A apuração policial continua.




