Um casal foi preso durante a investigação sobre a morte do policial militar Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado morto dentro de um veículo incendiado em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. Entre os investigados está a policial militar Júlia Nathalia Girão Gomes, que havia sido encontrada amarrada às margens da BR-116, em Aquiraz.
Júlia Nathalia e Antoneudo Ribeiro foram localizados e estão na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde o caso é apurado. Conforme as informações iniciais obtidas na delegacia especializada, os dois mantêm uma relação amorosa e morariam juntos.
A investigação trabalha com a hipótese de que Antoneudo teria descoberto um suposto relacionamento entre Júlia e o policial militar. A partir dessa suspeita, a polícia apura se o agente teria sido atraído para uma emboscada antes de ser sequestrado e morto.
Policial Júlia Nathalia e Antoneudo Ribeiro são investigados
De acordo com as informações preliminares levantadas pela investigação, Júlia Nathalia teria atraído Rafael Sampaio para um encontro. A suspeita é de que o policial tenha sido surpreendido durante o deslocamento para casa, depois de deixar o trabalho no 16º Batalhão da Polícia Militar.
A polícia investiga se, após ser atraído para o local, o militar foi sequestrado e levado para outro ponto. A dinâmica ainda precisa ser esclarecida pelas diligências da Polícia Civil.
Antoneudo Ribeiro, apontado como companheiro de Júlia, foi localizado no Bairro Jangurussu, em Fortaleza. Segundo as informações repassadas pela investigação, ele possui antecedentes policiais.
Júlia, por sua vez, foi localizada após ser encontrada por moradores de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ela foi encaminhada para a sede do DHPP, onde permanece à disposição da investigação.
A presença dos dois na delegacia ocorre enquanto os investigadores buscam esclarecer a participação individual de cada um e reconstruir a sequência dos acontecimentos.
Até o momento, a investigação trata a possível participação do casal como hipótese. A responsabilidade criminal deverá ser definida a partir do conjunto de provas reunido pela Polícia Civil e das decisões da Justiça.
Como teria ocorrido a morte do policial militar
Rafael Sampaio foi encontrado morto nas primeiras horas desta terça-feira (11), às margens do 4º Anel Viário, em Itaitinga.
O policial havia deixado o serviço no 16º Batalhão da Polícia Militar e, segundo a linha investigativa apresentada inicialmente, estaria seguindo para casa quando teria sido abordado.
A polícia trabalha com a possibilidade de que ele tenha sido atraído para uma situação previamente planejada. A suspeita é que o objetivo fosse cometer o crime por uma motivação relacionada ao suposto envolvimento amoroso.
O corpo foi localizado dentro de um veículo que havia sido incendiado. O caso mobilizou equipes das forças de segurança e passou a ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.
A Perícia Forense do Estado do Ceará também participa dos trabalhos. Os exames periciais deverão contribuir para esclarecer as circunstâncias da morte e ajudar os investigadores a reconstruir a dinâmica do crime.
Por se tratar de uma investigação em andamento, as informações sobre a sequência dos fatos ainda podem ser alteradas conforme novos elementos sejam reunidos.
Investigação apura possível crime passional
A principal linha apresentada inicialmente pela investigação é a de um possível crime passional. A hipótese considera que Antoneudo teria descoberto um suposto relacionamento entre Júlia e Rafael Sampaio.
Segundo as informações levantadas na delegacia especializada, Júlia e Antoneudo mantinham uma relação amorosa e viviam juntos. A polícia agora busca entender como essa relação teria se conectado ao assassinato do agente.
A investigação também deverá esclarecer se Júlia participou da atração do policial para o local onde teria ocorrido a abordagem e qual teria sido a participação de Antoneudo na ação.
Outro ponto que deverá ser esclarecido é o percurso feito por Rafael após deixar o serviço. A reconstrução dos últimos momentos do policial poderá ajudar a polícia a identificar onde ele esteve, com quem teve contato e como chegou ao local onde foi encontrado.
Os investigadores também devem analisar elementos materiais, depoimentos e demais informações obtidas durante as diligências.
Caso está sob responsabilidade da 11ª DHPP
A investigação está sob responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, por meio da 11ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (11ª DHPP).
A unidade especializada realiza diligências para esclarecer a autoria, a motivação e a dinâmica da morte.
Júlia Nathalia e Antoneudo Ribeiro permanecem no centro da apuração após serem localizados. A polícia deverá reunir elementos para definir a participação de cada um no caso.
A confirmação definitiva das circunstâncias da morte depende do avanço da investigação e dos resultados dos exames periciais.
O caso segue em investigação no Ceará.
MPCE cria força-tarefa para acompanhar o caso
O Ministério Público do Ceará decidiu acompanhar de perto a investigação. O procurador-geral de Justiça, Herbet Santos, determinou a criação de uma força-tarefa específica para atuar no caso.
O grupo é formado pelos promotores de Justiça André Clark Nunes Cavalcante, Renato Magalhães de Melo, Luís Bezerra Lima Neto, Geraldo Nunes Laprovitera Teixeira e Oscar Stefano Fioravanti Junior.
Eles atuarão em conjunto com Gustavo Santos Gomes de Souza, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Itaitinga, em eventuais procedimentos investigatórios e judiciais relacionados à morte de Raphael.
Segundo o MPCE, a decisão considera a complexidade da ocorrência, especialmente por envolver um integrante das forças de segurança pública.
A força-tarefa terá como objetivo fortalecer a atuação do Ministério Público durante o andamento do caso. A instituição informou que pretende contribuir para que a apuração seja conduzida de maneira independente, imparcial, célere e rigorosa.
Na prática, os promotores poderão acompanhar os procedimentos relacionados à investigação e eventuais medidas judiciais que surjam a partir das diligências realizadas pela Polícia Civil.
O Ministério Público também afirmou que permanecerá atento ao desenvolvimento da apuração e à eventual responsabilização dos envolvidos, conforme o que for estabelecido pelas provas e pela legislação.
Quem era o policial militar Raphael Sampaio
Raphael Sampaio da Silva tinha 27 anos e ingressou na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022.
Atualmente, o soldado estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar, unidade responsável pelo policiamento em áreas da região de Messejana, em Fortaleza.
A morte do policial provocou manifestações de solidariedade de entidades ligadas à categoria e mobilizou a estrutura das forças de segurança para a investigação.
A Associação das Praças Militares do Ceará (Aspra-CE) divulgou uma nota de pesar e prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de farda do soldado.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) também lamentou a morte e informou que equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar atuam para esclarecer as circunstâncias do caso.




