Fortaleza registrou uma redução de 62% nos casos de dengue neste ano, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. Apesar da queda, a circulação do mosquito Aedes aegypti continua exigindo atenção, principalmente durante períodos de chuva, quando o acúmulo de água pode favorecer a formação de criadouros.
Ao todo, foram registrados 500 casos de dengue e um óbito na Capital neste ano. O trabalho de controle inclui ações realizadas por agentes de endemias diretamente nos bairros e imóveis, além da orientação da população para eliminar locais que possam acumular água.
A redução é apontada pela Secretaria Municipal da Saúde como resultado das ações de vigilância e controle realizadas na cidade. O monitoramento alcançou 121 bairros de Fortaleza, com o objetivo de identificar e eliminar possíveis criadouros do mosquito transmissor.
Segundo Riane Azevedo, da Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza, o cenário apresentou mudanças importantes ao longo do ano. Ela explica que a Capital chegou a ter 41 bairros com aumento da proliferação do mosquito e atualmente esse número caiu para 16.
"É uma redução significativa. Nós começamos esse ano com praticamente um bairro em alerta, vermelho, que foi ali o Parreão. E depois, quando começou o período chuvoso, obviamente que começa o acúmulo de água nos bairros, nas casas e acaba nos lixos que às vezes ficam espalhados pela cidade e acabam acumulando e proliferando mosquitos", afirma Riane.
Dengue em Fortaleza exige atenção mesmo com queda dos casos
A redução registrada não significa que o risco tenha desaparecido. O Aedes aegypti é responsável pela transmissão de outras arboviroses, como zika e chikungunya.
Por isso, a manutenção das ações de prevenção é considerada importante mesmo em um cenário de menor número de casos. A eliminação de recipientes que possam acumular água continua sendo uma das principais formas de evitar a reprodução do mosquito.
A coordenadora de Vigilância em Saúde de Fortaleza, Josete Malheiros, explica que a situação de outras arboviroses também é acompanhada pelas equipes de saúde.
"Chikungunya e zika vírus, até o momento, nenhum caso confirmado no Estado. Então, isso é um ponto muito importante. A ocorrência de casos de chikungunya também tem se mantido no que a gente chama de baixa transmissão", afirma Josete.
A especialista, no entanto, ressalta que o cenário pode mudar. Segundo ela, o comportamento dos vírus não permite considerar que a situação atual permanecerá necessariamente igual nos próximos meses.
"Embora isso seja de momento, o vírus tem um comportamento que a gente não pode estimar", explica Josete.
Como evitar criadouros do Aedes aegypti
A prevenção começa dentro de casa. Recipientes que possam acumular água devem ser guardados ou mantidos de forma que não permitam a formação de criadouros.
Também é importante manter depósitos e outros recipientes devidamente tampados ou virados para baixo. Espaços que possam acumular água podem ser preenchidos com areia, reduzindo a possibilidade de reprodução do mosquito.
O cuidado deve incluir áreas externas, como quintais, garagens e terrenos. Garrafas, baldes, vasos, pneus, recipientes descartados e outros objetos expostos à chuva podem se transformar em pontos de acúmulo de água.
A dona de casa Maria Helena Mariano mantém esse tipo de cuidado no próprio imóvel. Ela conta que a preocupação aumentou depois de ter enfrentado dengue duas vezes.
"Eu tenho demais. A coisa que eu tenho mais cuidado é da limpeza, meu filho, porque eu já tive essa doença duas vezes com a dengue. Então daí eu já aprendi e sei que é muito ruim. Então eu não quero de novo essa doença", relata Maria Helena.
A rotina de limpeza, portanto, não depende apenas da presença de agentes de endemias. A participação dos moradores é necessária para impedir que novos criadouros apareçam entre uma visita e outra das equipes de saúde.
Monitoramento alcança 121 bairros de Fortaleza
As ações de vigilância realizadas na Capital incluem visitas aos imóveis para identificar possíveis focos do mosquito. O trabalho permite acompanhar a situação de diferentes regiões e direcionar as ações para os locais onde existe maior risco de proliferação.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o número de bairros classificados em situação de maior atenção chegou a 41 durante o período chuvoso. Atualmente, são 16.
O cenário mostra como as condições ambientais podem interferir na circulação do mosquito. O período de chuvas favorece o acúmulo de água e aumenta a quantidade de locais que podem se transformar em criadouros.
Por isso, a prevenção precisa continuar mesmo quando os indicadores apresentam melhora.
Além das visitas e ações de campo, os profissionais também trabalham na orientação da população e no acompanhamento dos casos suspeitos nas unidades de saúde.
Postos de saúde e UPAs também orientam pacientes
O combate à dengue não se limita à eliminação dos criadouros. Pessoas que apresentam sintomas ou suspeitam de infecção também podem buscar atendimento nas unidades de saúde.
Postos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estão preparados para orientar e atender pacientes. Segundo Riane Azevedo, o trabalho também envolve a capacitação dos profissionais para reconhecer e acompanhar os casos.
"São praticamente dois focos que a gente faz, tanto nas casas, nos domicílios, em loco, que a gente chama, como também ações que a gente faz no posto de saúde, nas UPAs, nas emergências, orientando os nossos profissionais sobre o diagnóstico da dengue", explica Riane.
Ela acrescenta que as equipes recebem atualizações e treinamentos para manter o acompanhamento adequado dos pacientes.
O objetivo é evitar que a queda nos números provoque uma redução na atenção à doença. Mesmo com 62% menos casos registrados, Fortaleza ainda contabiliza centenas de pessoas que tiveram dengue neste ano e uma morte provocada pela doença.
O que fazer para reduzir o risco de dengue
A principal recomendação é eliminar qualquer possibilidade de água parada. Entre os cuidados estão:
- manter caixas, tonéis e outros depósitos de água tampados;
- guardar recipientes que possam acumular chuva;
- deixar garrafas e outros objetos virados para baixo;
- colocar areia nos pratos de vasos de plantas;
- limpar regularmente quintais e áreas externas;
- não deixar pneus e outros objetos expostos à chuva;
- verificar calhas, ralos e locais que possam acumular água;
- procurar atendimento de saúde diante de sintomas compatíveis com dengue.
A redução dos casos em Fortaleza representa um avanço no controle da doença, mas o cenário exige continuidade das ações. A presença do Aedes aegypti está diretamente relacionada às condições encontradas nos imóveis e no ambiente urbano, o que faz da prevenção uma responsabilidade compartilhada entre poder público e população.
Com o monitoramento mantido nos bairros e a eliminação de possíveis criadouros, a estratégia é impedir que o mosquito volte a se espalhar de forma mais intensa e provoque uma nova elevação dos casos de dengue e de outras doenças transmitidas pelo Aedes.




