A policial militar Júlia Nathalia Girão Gomes, de 27 anos, foi presa em flagrante nesta terça-feira (11) por suspeita de envolvimento na morte do soldado da Polícia Militar do Ceará Raphael Sampaio da Silva, também de 27 anos, encontrado morto dentro de um veículo incendiado em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. A prisão ocorreu na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), após diligências das forças de segurança. Júlia havia sido encontrada amarrada anteriormente às margens da BR-116, em Aquiraz, e a investigação passou a apurar a relação dela com o assassinato do policial.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a policial foi autuada em flagrante por homicídio. O companheiro dela também foi conduzido à unidade especializada da Polícia Civil, onde presta depoimento. Ele não foi apontado pela SSPDS, até o momento, como preso em flagrante pelo assassinato, e a investigação ainda busca esclarecer sua eventual participação no crime.
A apuração do caso ganhou novos elementos nesta terça-feira. Conforme levantamento do Portal GC Mais, uma imagem registrada durante a manhã mostra Júlia em uma oficina, usando um vestido rosa, no mesmo período em que, segundo a versão apresentada anteriormente, ela teria sido encontrada amarrada em uma área de mata.
A circunstância passou a ser considerada um dos elementos que deverão ser esclarecidos pelos investigadores. A imagem, por si só, não determina a participação da policial na morte de Raphael, mas pode ajudar na reconstrução da cronologia dos acontecimentos e na verificação da versão apresentada por ela.
O que aconteceu com Raphael Sampaio?
Raphael Sampaio da Silva era soldado da Polícia Militar do Ceará e tinha 27 anos. Ele ingressou na corporação em junho de 2022 e estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão da Polícia Militar.
O policial foi encontrado morto dentro de um veículo incendiado na região do 4º Anel Viário, em Itaitinga. A localização do corpo mobilizou equipes das forças de segurança e deu início à investigação especializada.
Uma das linhas investigadas considera que Raphael pode ter sido atraído para uma situação previamente planejada. A apuração também trabalha com a possibilidade de que o crime tenha relação com um suposto envolvimento amoroso.
Essa hipótese ainda não é tratada como conclusão definitiva. Os investigadores precisam reunir provas capazes de esclarecer se houve planejamento, como Raphael foi abordado e quem participou da ação.
A polícia também busca reconstruir os últimos momentos do soldado. Raphael havia deixado o serviço no 16º Batalhão e, conforme a linha investigativa apresentada inicialmente, seguia para casa.
O percurso feito pelo policial antes de ser encontrado morto é um dos pontos que precisam ser esclarecidos.
Perícia confirma tiros antes da carbonização
A perícia realizada no corpo de Raphael ajudou a esclarecer uma das principais dúvidas sobre o caso.
De acordo com a SSPDS, não foi identificada nenhuma amputação traumática. Os exames apontaram lesões provocadas por arma de fogo e indicaram que os disparos ocorreram quando o policial ainda estava vivo.
Somente depois disso houve a carbonização do corpo.
A informação é importante porque estabelece uma sequência preliminar da ocorrência e também afasta versões não confirmadas que chegaram a circular sobre o estado do corpo.
Os exames periciais ainda fazem parte da investigação. Outros resultados poderão ajudar a identificar detalhes sobre o local e as circunstâncias da morte.
A Polícia Civil também realiza oitivas e analisa outros elementos para tentar reconstruir a dinâmica completa do homicídio.
Por que a policial encontrada amarrada passou a ser suspeita?
Júlia Nathalia Girão Gomes passou a ser um dos principais nomes da investigação após o avanço das diligências realizadas pelas forças de segurança.
Antes da prisão, ela havia sido encontrada amarrada em uma área às margens da BR-116, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.
A situação chamou a atenção dos investigadores porque Júlia é policial militar e tinha ligação com o caso envolvendo Raphael.
A partir das diligências, a Polícia Civil passou a apurar a possibilidade de que a própria policial tivesse participação na morte do soldado. Nesta terça-feira, ela foi localizada e conduzida ao DHPP, onde acabou autuada em flagrante por homicídio.
A SSPDS informou que Júlia já responde por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e integrar organização criminosa.
A prisão em flagrante não encerra a investigação. A partir de agora, os investigadores deverão aprofundar as provas que levaram à autuação e esclarecer qual teria sido a participação da policial na morte de Raphael.
Imagem obtida pelo GCMais levanta dúvida sobre a cronologia
Uma informação apurada pelo Portal GCMais acrescenta um elemento à reconstrução dos acontecimentos envolvendo Júlia.
Uma imagem registrada durante a manhã desta terça-feira (11) mostra a policial em uma oficina. Ela aparece usando um vestido rosa.
O registro chama atenção porque foi feito no período relacionado ao relato de que Júlia estaria amarrada em uma área de mata.
A imagem não permite, isoladamente, estabelecer o que aconteceu nem comprovar a participação da policial na morte de Raphael. No entanto, o registro pode ajudar a investigação a montar a linha do tempo dos acontecimentos e confrontar os horários e versões apresentados.
Os investigadores deverão esclarecer onde Júlia esteve, com quem teve contato e em que momento teria sido encontrada amarrada.
Esse tipo de informação pode ser confrontado com depoimentos, imagens de câmeras, registros de deslocamento e outros elementos obtidos durante a investigação.
O GC Mais acompanha a apuração e trata a informação sobre a imagem como parte da investigação, sem apresentar o registro como prova definitiva de responsabilidade pelo homicídio.
Companheiro da policial também foi levado ao DHPP
O companheiro de Júlia também foi conduzido para a sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Ele é ouvido pela Polícia Civil dentro da investigação sobre a morte de Raphael.
Segundo a SSPDS, o homem possui antecedentes por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
A existência desses registros anteriores não significa, por si só, que ele tenha participado da morte de Raphael. A eventual ligação dele com o homicídio ainda precisa ser estabelecida pela investigação.
Os investigadores devem analisar a relação entre os envolvidos, os contatos mantidos antes do crime e outros elementos capazes de indicar se o homem teve participação na ação.
A SSPDS, na nota divulgada nesta terça-feira, confirmou que ele foi conduzido para ser ouvido, mas não informou que ele tenha sido autuado pelo homicídio.
Por isso, a situação dos dois investigados é diferente neste momento: Júlia foi presa em flagrante e autuada por homicídio, enquanto o companheiro é ouvido pela Polícia Civil.
Investigação apura possível motivação ligada a relacionamento
Uma das linhas consideradas pelos investigadores é a de que o assassinato possa ter sido motivado por uma questão relacionada a relacionamento amoroso.
A suspeita apresentada inicialmente é de que Antoneudo Ribeiro, companheiro de Júlia, teria descoberto um suposto relacionamento entre ela e Raphael.
A partir dessa hipótese, a polícia investiga se Raphael teria sido atraído para um encontro e, posteriormente, surpreendido.
Ainda não há conclusão oficial sobre essa motivação. A Polícia Civil precisa confirmar, por meio de provas, se existia de fato uma relação entre os envolvidos, como os contatos ocorreram e se essa circunstância teve relação direta com o homicídio.
Também será necessário esclarecer a participação individual de Júlia e de Antoneudo.
A investigação deverá cruzar depoimentos com informações materiais para verificar se a hipótese de crime relacionado a uma questão amorosa se sustenta.
DHASP assumiu a investigação do assassinato
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), unidade especializada da Polícia Civil do Ceará.
De acordo com a SSPDS, a equipe realiza diligências e oitivas para esclarecer todas as circunstâncias da morte de Raphael.
Entre os pontos que ainda precisam ser respondidos estão a forma como o policial foi abordado, o local em que os disparos foram efetuados, como o corpo chegou ao veículo incendiado, quem participou da ação e qual foi a motivação.
A investigação também precisa estabelecer a sequência dos acontecimentos envolvendo Júlia, desde o período anterior à localização dela amarrada até a prisão realizada nesta terça-feira.
A análise das informações obtidas durante as diligências será fundamental para transformar as suspeitas iniciais em elementos probatórios.
MPCE cria força-tarefa para acompanhar o caso
O Ministério Público do Ceará também passou a acompanhar diretamente a investigação.
O procurador-geral de Justiça, Herbet Santos, determinou a criação de uma força-tarefa específica para atuar no caso. O grupo é formado pelos promotores de Justiça André Clark Nunes Cavalcante, Renato Magalhães de Melo, Luís Bezerra Lima Neto, Geraldo Nunes Laprovitera Teixeira e Oscar Stefano Fioravanti Junior.
Eles atuarão em conjunto com Gustavo Santos Gomes de Souza, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Itaitinga, em eventuais procedimentos investigatórios e judiciais relacionados à morte de Raphael.
Segundo o MPCE, a decisão considera a complexidade da ocorrência, especialmente pelo fato de a vítima ser integrante das forças de segurança pública.
A atuação do Ministério Público ocorre paralelamente ao trabalho da Polícia Civil. Os promotores poderão acompanhar os procedimentos relacionados à investigação e eventuais medidas judiciais que sejam necessárias durante a apuração.
Quem era Raphael Sampaio?
Raphael Sampaio da Silva tinha 27 anos e ingressou na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022.
O soldado estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão da Polícia Militar, unidade responsável pelo policiamento em áreas da região de Messejana, em Fortaleza.
A morte do policial provocou manifestações de solidariedade de entidades ligadas à categoria.
A Associação das Praças Militares do Ceará (Aspra-CE) divulgou uma nota de pesar e prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de farda.
A SSPDS também lamentou a morte e informou que as forças de segurança permanecem mobilizadas para esclarecer o homicídio.




