A preparação para as Olimpíadas de Los Angeles 2028 já está em andamento, e o Ceará aparece com atletas de diferentes modalidades na disputa por vagas na delegação brasileira. A cerca de 700 dias do evento, nomes que já possuem experiência olímpica dividem espaço com esportistas que tentam conquistar a primeira participação nos Jogos.
O cenário ainda é de construção. Em algumas modalidades, os atletas dependem diretamente de rankings e índices individuais. Em outras, a classificação passa pelo desempenho das seleções brasileiras ou das duplas e equipes ao longo do ciclo olímpico.
Entre os destaques está Matheus Lima, que vive uma fase de crescimento no atletismo e já disputou os Jogos de Paris 2024. Outros cearenses como Thiago Monteiro, Manoel Messias e Lucas Rabelo também trabalham para chegar a Los Angeles, enquanto nomes do vôlei de praia, remo, handebol e BMX buscam consolidar seus projetos.
Matheus Lima vive grande fase no atletismo
Aos 23 anos, Matheus Lima é um dos principais nomes cearenses no ciclo olímpico. O velocista do Esporte Clube Pinheiros compete nos 400 metros rasos e nos 400 metros com barreiras, além de integrar o projeto do revezamento brasileiro.
Em junho, Matheus conquistou a prata na etapa de Estocolmo da Diamond League, com 47s37 nos 400 metros com barreiras, resultado que representou seu novo recorde pessoal e o colocou entre os melhores atletas do mundo na temporada. Pouco depois, venceu o Golden Spike, em Ostrava, na República Tcheca, com 47s64.
O cearense também teve desempenho de destaque no Mundial Indoor de Atletismo, realizado na Polônia, quando chegou à final dos 400 metros rasos e terminou na sétima posição, estabelecendo o recorde sul-americano em pista curta, com 45s71.
Para Los Angeles, a versatilidade pode ser uma vantagem. Matheus busca índices tanto nos 400 metros quanto nos 400 metros com barreiras e também é considerado peça importante para o revezamento brasileiro.
Thiago Monteiro busca recuperar espaço no tênis
No tênis, o cearense Thiago Monteiro enfrenta um desafio diferente. Aos 32 anos, o atleta tenta recuperar posições no ranking da ATP depois de um período marcado por problemas físicos.
Ex-número 61 do mundo, Monteiro concentrou parte de sua preparação em torneios de saibro, superfície na qual possui maior identificação. Em agosto, aparece na 276ª posição do ranking mundial e vem disputando torneios Challenger na Europa.
A classificação para Los Angeles dependerá de uma recuperação significativa no ranking. Para entrar na disputa olímpica, Monteiro precisará voltar à faixa do Top 56 até o fechamento da lista, previsto para junho de 2028, respeitando também o limite de atletas por país.
Manoel Messias busca terceira Olimpíada
O triatleta Manoel Messias também está entre os cearenses que miram Los Angeles. Depois de disputar Tóquio 2020 e Paris 2024, ele tenta chegar à terceira edição olímpica consecutiva.
Messias integra o Grupo A do Projeto Olímpico LA 2028 da Confederação Brasileira de Triathlon, programa que reúne atletas considerados prioritários para o ciclo. O projeto prevê suporte financeiro e logístico para participação em etapas internacionais.
A janela oficial de classificação do triatlo para Los Angeles começou em maio de 2026 e seguirá até maio de 2028. Durante esse período, o cearense precisará acumular pontos e se manter em posição competitiva no ranking olímpico.
Vôlei de praia tem cearenses na disputa
O Ceará também aparece no ciclo olímpico por meio do vôlei de praia. Entre os nomes destacados está Carol Horta, que iniciou o novo ciclo ao lado da capixaba Elize Maia.
A dupla conquistou o título da primeira etapa do Circuito Brasileiro da modalidade, em Navegantes, Santa Catarina, e também obteve bons resultados em etapas seguintes da competição nacional.
Outra cearense em busca da vaga é Hegê Almeida, que atua ao lado da carioca Vitória Rodrigues. A parceria começou a temporada com uma medalha de bronze em Navegantes e alcançou a final em Copacabana, terminando com a prata.
O desafio para Hegê é ainda maior por causa da concorrência interna. O Brasil pode levar somente duas duplas por gênero aos Jogos Olímpicos, o que torna os resultados nas competições internacionais fundamentais para a classificação.
Lucas Rabelo tenta voltar aos Jogos pelo skate
No skate street, o cearense Lucas Rabelo, revelado no bairro Pirambu, em Fortaleza, trabalha para transformar a preparação em uma nova oportunidade olímpica.
Aos 27 anos, Rabelo teve o projeto para Paris 2024 interrompido por uma grave lesão no joelho e uma infecção no período pós-operatório. Recuperado, ele voltou a mirar o ciclo de Los Angeles.
A disputa pela vaga será bastante acirrada. O Brasil tem nomes consolidados no skate street masculino, como Giovanni Vianna, Kelvin Hoefler e Felipe Gustavo, além de atletas mais jovens em ascensão.
Como o limite olímpico é de três representantes por país e por gênero, Lucas terá de acumular pontos nas principais competições nacionais e internacionais para entrar na lista brasileira.
BMX e remo também têm representantes
O cearense Felipe Manerim aparece na disputa do BMX Freestyle Park. Em 2025, ele terminou na nona posição no Campeonato Pan-Americano da modalidade, em Lima, no Peru, resultado que o levou à vice-liderança do ranking nacional.
O caminho até Los Angeles, porém, é estreito. O BMX Freestyle distribui poucas vagas nos Jogos Olímpicos, e Manerim terá de manter uma posição competitiva no ranking da União Ciclística Internacional (UCI), além de participar das principais competições classificatórias do ciclo.
No remo, uma das atletas destacadas é Vittória, que trabalha na formação de uma nova parceria para a classe olímpica do Double Skiff. Em julho, foi anunciado que ela competirá ao lado da capixaba Cássia Brito.
A dupla terá pela frente competições nacionais e internacionais importantes para ganhar ritmo e buscar resultados que possam colocá-las na rota da classificação.
Handebol depende da classificação da seleção brasileira
No handebol feminino, a cearense Adriana Manerim tem uma situação diferente dos atletas de modalidades individuais.
A classificação olímpica depende do desempenho da seleção brasileira, e não apenas de resultados individuais. O caminho para Los Angeles passa por competições como o Campeonato Mundial, os Jogos Pan-Americanos e os torneios pré-olímpicos organizados pela Federação Internacional de Handebol (IHF).
Por isso, além de manter espaço no grupo brasileiro, Adriana precisará acompanhar o desempenho da seleção durante as próximas temporadas para saber se o país conseguirá garantir uma vaga nos Jogos.
Quem são os cearenses no caminho para Los Angeles?
O levantamento do Diário do Nordeste reúne 12 atletas cearenses que aparecem com possibilidades de disputar os Jogos Olímpicos de 2028. Eles estão espalhados por modalidades com sistemas de classificação diferentes, o que faz com que o cenário ainda possa mudar até o fechamento das vagas.
Entre os nomes destacados estão:
- Matheus Lima — atletismo;
- Thiago Monteiro — tênis;
- Manoel Messias — triatlo;
- Lucas Rabelo — skate;
- Felipe Manerim — BMX Freestyle;
- Carol Horta — vôlei de praia;
- Hegê Almeida — vôlei de praia;
- Vittória — remo;
- Adriana Manerim — handebol.
O cenário reúne atletas em momentos distintos da carreira. Enquanto alguns já têm experiência olímpica e buscam uma nova participação, outros precisam avançar no ranking ou conquistar resultados internacionais para entrar na disputa.
Como funciona a classificação para Los Angeles 2028?
Ainda não é possível afirmar quais cearenses estarão oficialmente na delegação brasileira. A classificação olímpica ocorre ao longo do ciclo e varia de acordo com cada modalidade.
No triatlo, por exemplo, os rankings têm papel central. No tênis, a posição mundial determina boa parte do caminho até a lista olímpica. Já no vôlei de praia, a classificação é disputada pelas duplas, enquanto no handebol depende da seleção nacional.
Por isso, os resultados obtidos entre 2026 e 2028 serão determinantes. Para os atletas cearenses, cada medalha, ponto no ranking, índice ou convocação pode representar um passo a mais rumo a Los Angeles 2028.




