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COMBATE À FOME

“Podemos erradicar completamente a fome”, diz Lia de Freitas sobre avanço do Ceará na segurança alimentar

Primeira-dama do Ceará e presidente do Comitê Intersetorial de Governança do Ceará Sem Fome falou sobre os avanços no combate à fome durante entrevista à Jovem Pan News Fortaleza

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“Podemos erradicar completamente a fome”, diz Lia de Freitas sobre avanço do Ceará na segurança alimentar
Lia de Freitas diz que Ceará pode erradicar a fome nos próximos anos. Foto: Reprodução

O Ceará registrou em 2024 o menor índice de insegurança alimentar grave dos últimos 20 anos, com 4,5% dos domicílios nessa situação, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo IBGE e analisados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). O avanço foi destacado pela primeira-dama do Ceará e presidente do Comitê Intersetorial de Governança do Ceará Sem Fome, Lia de Freitas, durante entrevista à Jovem Pan News Fortaleza nesta quinta-feira (13). Segundo ela, a redução está relacionada a um conjunto de políticas públicas voltadas à alimentação, transferência de renda, educação, geração de empregos e fortalecimento da agricultura familiar.

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Os dados mostram que o percentual de domicílios cearenses em situação de insegurança alimentar grave caiu de 6,3% em 2023 para 4,5% em 2024. O índice é inferior até mesmo ao registrado em 2013, quando o indicador havia ficado em 5,1%. O levantamento aponta ainda que 69,5% dos domicílios do Estado estavam em situação de segurança alimentar em 2024, maior percentual da série histórica iniciada em 2004.

Apesar da melhora, o problema ainda atinge uma parcela significativa da população. De acordo com o Ipece, cerca de 391 mil pessoas viviam em domicílios em situação de insegurança alimentar grave em 2024. O número representa uma redução de aproximadamente 149 mil pessoas em relação a 2023, quando eram 540 mil cearenses nessa condição. A queda foi de 27,6% no período.

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Ceará Sem Fome reúne ações para combater a insegurança alimentar

Durante a entrevista, Lia de Freitas afirmou que os resultados são consequência de políticas que atuam em diferentes áreas. Ela citou ações de assistência social, educação, saúde, desenvolvimento econômico, qualificação profissional, transferência de renda e incentivo à agricultura familiar.

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Segundo a primeira-dama, o Ceará Sem Fome foi estruturado para atender famílias em situação de vulnerabilidade em todos os municípios do Estado. O programa também busca associar a oferta de alimentação à criação de condições para que os beneficiários aumentem a renda e deixem a situação de vulnerabilidade.

Entre as iniciativas citadas por Lia está a rede de cozinhas Ceará Sem Fome. Segundo ela, são cerca de 1.300 unidades responsáveis pela produção de aproximadamente 130 mil refeições diariamente. A primeira-dama destacou ainda a atuação da sociedade civil na execução da política pública.

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Além da alimentação, o programa conta com ações de qualificação e estímulo ao empreendedorismo. A estratégia, segundo Lia, é permitir que os beneficiários tenham condições de ingressar no mercado de trabalho e, posteriormente, deixem o programa, abrindo espaço para outras famílias que estejam em situação de vulnerabilidade.

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O Governo do Ceará informa que o programa alcança os 184 municípios do Estado e reúne diferentes órgãos públicos e parceiros em ações de combate à insegurança alimentar.

Quem ainda está mais vulnerável à fome no Ceará

Apesar do avanço nos indicadores, Lia ressaltou que a insegurança alimentar ainda atinge principalmente famílias em condições socioeconômicas mais frágeis. Durante a entrevista, ela apontou as mulheres como um dos principais grupos vulneráveis, especialmente mães solo com crianças e adolescentes.

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A primeira-dama também citou pessoas com baixa escolaridade e renda e homens em idade produtiva que ainda estão em processo de qualificação profissional. Na avaliação dela, a ampliação da educação em tempo integral e profissionalizante pode contribuir para que os jovens tenham mais oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

Os dados do Ipece também mostram que as desigualdades permanecem associadas à insegurança alimentar. Em 2024, a insegurança alimentar grave alcançava 6,5% dos domicílios chefiados por pessoas com escolaridade inferior ao ensino fundamental completo, contra 3% entre aqueles chefiados por pessoas com pelo menos o ensino fundamental completo. Entre os domicílios com renda per capita de até meio salário mínimo, o índice era de 7,6%, ante 2,5% entre aqueles com renda superior a esse patamar.

O levantamento também aponta diferenças entre as regiões do Ceará. Embora a segurança alimentar tenha avançado tanto na área urbana quanto na rural, os domicílios rurais continuam apresentando maior prevalência proporcional de insegurança alimentar. Os menores percentuais de segurança alimentar foram registrados no Litoral Oriental/Vale do Jaguaribe e nos Sertões.

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“Podemos erradicar completamente a fome”, afirma Lia de Freitas

Questionada durante a entrevista sobre a possibilidade de o Ceará chegar à erradicação da fome, Lia afirmou que o objetivo pode ser alcançado nos próximos anos.

A primeira-dama relacionou essa perspectiva ao crescimento da geração de empregos, ao fortalecimento da agricultura familiar e a investimentos voltados para aumentar a produção de alimentos no Estado. Ela também citou ações de combate à desertificação e estratégias para garantir produção durante diferentes períodos do ano.

“Podemos, sim”, afirmou Lia ao responder se o Ceará pode chegar à erradicação completa da fome. Na avaliação dela, a combinação entre geração de renda, produção de alimentos e políticas sociais pode permitir que o Estado avance ainda mais no combate à insegurança alimentar.

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A declaração ocorre em um cenário de melhora dos indicadores, mas no qual o próprio Ipece ressalta que os desafios continuam. Embora o Ceará tenha alcançado o maior percentual de segurança alimentar da série histórica, aproximadamente um terço da população ainda vivia, em 2024, em domicílios com algum grau de insegurança alimentar.

Programa atualiza cadastro para identificar novas famílias

Outro ponto abordado por Lia durante a entrevista foi a forma como o Ceará identifica as famílias que precisam das políticas de combate à fome. Segundo ela, o trabalho utiliza informações do Cadastro Único e é articulado com a rede de assistência social.

A primeira-dama explicou que a situação das famílias é acompanhada porque a insegurança alimentar pode mudar de acordo com a renda e as condições econômicas. Por isso, o programa realiza novas análises para identificar quem deixou de atender aos critérios e quem passou a precisar do benefício.

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Segundo Lia, cerca de 20 mil famílias deixam o programa a cada ano e outras 20 mil entram, conforme as mudanças identificadas nos cadastros. A estratégia busca evitar que o benefício permaneça concentrado em famílias que já conseguiram melhorar a condição financeira enquanto outras, que passaram recentemente por dificuldades, ficam sem atendimento.

A atuação também envolve a rede de cozinhas, que, conforme relatado pela primeira-dama, pode acolher pessoas que mudam de endereço e passam a viver em outras regiões.

Relatos mostram impacto além dos números

Durante a entrevista, Lia também compartilhou histórias que, segundo ela, marcaram a atuação à frente do Ceará Sem Fome. Uma delas aconteceu em Canindé, onde uma liderança de uma das cozinhas teria relatado a situação de uma família formada por sete pessoas que, depois de muito tempo, conseguiu novamente se reunir para fazer uma refeição.

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Outro relato citado pela primeira-dama aconteceu em Fortaleza e envolve uma mulher conhecida como “Bebinha”. Segundo Lia, ela frequentava as proximidades de uma cozinha do Ceará Sem Fome e foi cadastrada para receber refeições.

Conforme o relato, a convivência com a cozinha e o acesso à alimentação fizeram com que a mulher recuperasse o interesse em retornar para casa. Lia afirmou que o caso demonstrou que a política pública pode representar mais do que a oferta de uma refeição, ao contribuir para o resgate da dignidade e da convivência social.

Desigualdade e clima ainda são desafios

Lia também apontou que a redução da insegurança alimentar não elimina os desafios enfrentados pelo Ceará. Entre os principais obstáculos citados por ela estão a desigualdade social e as condições climáticas.

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O Ipece também reforça que a melhora dos indicadores não ocorreu de maneira uniforme em todo o Estado. Em 2024, 69,5% dos domicílios cearenses estavam em segurança alimentar, enquanto 30,5% ainda apresentavam algum grau de insegurança alimentar.

Para a primeira-dama, além de ampliar a oferta de empregos, é necessário garantir oportunidades com renda suficiente para que as famílias tenham acesso a moradia, educação, saúde e alimentação.

O avanço registrado na PNAD Contínua mostra uma redução expressiva da fome no Estado, mas os dados também indicam que a continuidade das políticas públicas será necessária para alcançar as parcelas da população que ainda vivem em situação de vulnerabilidade.

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