Os data centers no Ceará avançam como parte da estratégia de desenvolvimento da infraestrutura digital do estado. A combinação entre localização geográfica, conectividade e disponibilidade de energia renovável tem atraído novos empreendimentos e colocado o Ceará na rota de investimentos do setor.
Atualmente, 11 data centers estão em operação no estado, o maior número entre as unidades federativas do Nordeste e entre os cinco maiores do país. Em Fortaleza, uma das unidades começou a operar há menos de um ano e já dispõe de 20 megawatts de potência. Essa capacidade seria suficiente para abastecer dez espaços chamados de data halls, onde ficam os servidores utilizados pelas empresas clientes.
Para Tito Costa, CRO da Tecto Data Centers, a localização da capital cearense foi um dos fatores considerados para a instalação da terceira unidade da empresa. Ele falou com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza sobre o tema:
"Fortaleza está na pontinha do Nordeste. Está muito próxima dos Estados Unidos e da Europa. Então era um ponto de interconexão bastante robusto e interessante. Então, com esses investimentos de cabo submarino chegando na região, muitas empresas tinham necessidade de conectar, usar data center nessa localidade, justamente para poder se interconectar com outros cabos submarinos que vieram a ser construídos também."
Cabos submarinos favorecem conectividade
Dentro dos data centers ficam os servidores das empresas que utilizam a estrutura. Os equipamentos são armazenados em racks com capacidade para mais de 40 aparelhos, e cada estande pode consumir até 10 quilowatts de energia.
É por meio dessas estruturas que podem passar dados relacionados a serviços utilizados diariamente na internet. A demanda inclui empresas que precisam de elevado processamento de dados, conectividade e equipamentos de tecnologia.
Um dos principais fatores de atração para o Ceará está na infraestrutura instalada na Praia do Futuro, em Fortaleza. São 16 cabos submarinos de internet, responsáveis por garantir ao estado uma posição de destaque na conectividade do Ocidente.
Outro diferencial apresentado é a produção excedente de energia eólica e solar. Para Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), a expansão do setor também pode ampliar a participação de empresas cearenses no fornecimento de produtos e serviços.
"Hoje a gente facilita o acesso a informação para essas empresas, principalmente na busca de fornecedores, mostrando tudo que as empresas cearenses têm a oferecer para elevar o percentual de participação das empresas cearenses no fornecimento de serviços e também de produtos dentro desse processo de instalação dos data centers. Além de dar suporte, orientação da construção de estratégia e de desenvolvimento de longo prazo do Ceará."
ZPE Ceará atrai data centers de hiperescala
A expansão do setor também alcança a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), localizada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. A área foi projetada para receber negócios eletrointensivos e passou a atrair projetos de infraestrutura digital.
Entre os empreendimentos está o data center da ByteDance, com investimento informado de R$ 232 bilhões e previsão de operação a partir de 2027. A ZPE Ceará também assinou três pré-contratos para data centers de hiperescala.
Segundo Rafael Sá, presidente da ZPE Ceará, os projetos buscam locais que reúnam conectividade, segurança jurídica, possibilidade de expansão e energia limpa.
"Esses data centers de hiperescala — com a chegada do TikTok, que foi o primeiro — procuram uma área que tenha conectividade. Que tenha segurança jurídica, que tenha capacidade de expansão, energia limpa. E o Ceará está em um momento em que ele tem tudo isso disponível."
A expectativa é de que a instalação dessas estruturas também estimule a chegada de outras empresas ao entorno, formando uma cadeia de negócios ligada à tecnologia.
Novos negócios podem ampliar demanda por profissionais
Com a formação de um polo de data centers, a previsão é de que outros empreendimentos passem a se instalar na região. Entre os segmentos citados estão empresas de baterias e de software. Esse movimento deve exigir mão de obra especializada e ampliar as oportunidades relacionadas à economia de base tecnológica.
Rafael Sá afirma que a presença dos data centers pode movimentar diferentes empresas da cadeia local:
"Toda a cadeia local tem uma diversidade de empresas de tecnologia. Tudo isso é gerado por várias oportunidades em cima de uma região que tem data centers instalados."
A expansão está inserida em um projeto de desenvolvimento da chamada economia do conhecimento. Nesse cenário, a qualificação profissional aparece como um dos elementos considerados necessários para acompanhar a chegada dos novos empreendimentos.
Fábio Feijó, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, destacou a importância do capital humano nesse processo:
"A matéria-prima para essa economia é o que nós acreditamos que o Ceará tem de melhor, que é o próprio cearense, é o capital humano diferenciado."
Data centers ampliam uso de energia renovável
Além da conectividade e da oferta de energia, a sustentabilidade também aparece como um dos aspectos relacionados aos novos projetos. As grandes estruturas adotaram sistemas voltados à eficiência energética e hídrica. Uma das soluções é o uso de um circuito fechado para reutilização da mesma água.
O sistema é abastecido uma única vez. Guilherme Muchale explica que a tecnologia utilizada nos data centers permite reduzir o consumo de água:
"Hoje os data centers são extremamente modernos com relação à eficiência da energia e também à eficiência hídrica. Hoje um data center trabalha em um ciclo fechado. Ele vai consumir uma água similar a um condomínio de 40 apartamentos."
A expansão desse setor ocorre em um momento em que o Brasil prevê duplicar a capacidade de processamento de dados nos próximos cinco anos.




