O empresário Franzé Feijó, fundador do grupo Super Portugal, relembrou os desafios enfrentados no início da carreira e revelou os planos para o futuro da empresa durante o programa Conexões com Ricardo Bezerra, exibido nesta segunda-feira (17), pela JP News Fortaleza. Aos 21 anos, ele abriu a primeira unidade do negócio com R$ 13 mil, em um pequeno espaço de 150 metros quadrados na Granja Portugal, em Fortaleza. No primeiro dia de funcionamento, a loja registrou apenas R$ 75 em vendas.
Três décadas depois, o empreendimento se transformou em um grupo com 11 lojas, dois centros de distribuição e 930 colaboradores diretos. Durante a entrevista, Franzé Feijó contou detalhes da infância em Sobral, dos primeiros trabalhos no comércio da família, da abertura do primeiro supermercado e das decisões que marcaram a expansão do negócio.
A conversa teve como tema “Da infância pobre ao sucesso” e também abordou gestão, concorrência, logística, relacionamento com clientes, formação de equipes e os próximos passos do Super Portugal.
Franzé Feijó começou a trabalhar aos 14 anos
Nascido em Sobral, Franzé Feijó contou que cresceu em uma família ligada ao comércio. O pai trabalhava como caminhoneiro, fazendo transporte entre Alcântara e Sobral, enquanto a mãe mantinha uma mercearia em casa, no povoado de Carmolândia.
Aos 14 anos, em 1989, ele se mudou para Fortaleza para estudar e também começou a trabalhar nas lojas da família. O primeiro emprego foi como empacotador em um supermercado do tio, Gerardo, fundador do Centerbox.
A trajetória dentro do supermercado passou por diferentes funções. Franzé foi operador de caixa, repositor e posteriormente assumiu a administração de lanchonetes que funcionavam junto às lojas. Ao todo, permaneceu por sete anos no negócio da família.
Ele contou que a experiência despertou o interesse em seguir o caminho do comércio. A tradição empresarial também vinha de gerações anteriores da família, já que o pai, os tios, a mãe e a avó paterna tinham ligação com atividades comerciais.
Primeiro Super Portugal teve R$ 13 mil de investimento
A decisão de abrir o próprio negócio veio depois dos anos de experiência no comércio da família. Para encontrar o primeiro ponto, Franzé avaliou três locais: Granja Portugal, Granja Lisboa e uma área próxima à Palmeira.
A escolha pela Granja Portugal ocorreu após uma avaliação feita ao lado do tio Gerardo. Segundo Franzé, a região apresentava uma concentração maior de moradores e poderia oferecer boas condições para o novo estabelecimento.
O investimento inicial foi de R$ 13 mil, valor que reunia praticamente todos os recursos disponíveis naquele momento. Para levantar o dinheiro, ele vendeu um carro Gol por R$ 6,5 mil e uma motocicleta por R$ 2,5 mil. Também utilizou R$ 3 mil que tinha recebido de contas e manteve R$ 1 mil como reserva.
O empresário explicou que não recebeu dinheiro do tio para abrir a loja, mas contou com apoio na obtenção de crédito junto a fornecedores.
A estrutura inicial também foi montada com ajuda de outros empresários do setor. Antônio Novaes, proprietário do Compre Certo, doou antigas prateleiras de uma loja, enquanto Raimundo Eusébio vendeu uma geladeira usada para a seção de frios por R$ 900. Franzé também comprou uma balança eletrônica por R$ 650.
Primeiro dia de vendas terminou com R$ 75
A inauguração do primeiro Super Portugal não teve o resultado esperado. Franzé contou que a loja registrou R$ 75 em vendas durante todo o primeiro dia.
Aos 21 anos, ele ainda não era casado e chegou a dormir dentro do próprio estabelecimento, em um colchão. O empresário relatou que chorou ao final daquele primeiro dia, mas decidiu continuar.
Franzé destacou que a evolução ocorreu gradualmente. Segundo ele, o segundo dia apresentou vendas superiores às do primeiro e o crescimento continuou nos meses seguintes.
A primeira expansão levou o Super Portugal à Vila Peri. Depois, veio uma unidade na Maraponga e, posteriormente, a loja da Cidade dos Funcionários, na região da José Leon. As quatro primeiras lojas foram abertas ao longo de aproximadamente nove anos.
Para Franzé, um dos momentos mais difíceis da trajetória empresarial ocorreu justamente na transição entre administrar uma única unidade e começar a coordenar uma estrutura maior. Com a expansão, ele precisou deixar de acompanhar pessoalmente todas as atividades e passou a depender de gerentes, compradores e outros profissionais.
Super Portugal chega a 11 lojas e 930 colaboradores
Atualmente, o grupo Super Portugal possui 11 unidades. A primeira permanece na Granja Portugal. As demais estão localizadas na Vila Peri, Maraponga, Cidade dos Funcionários, Serrinha, região do Pio 12, além de unidades na área da Soraia Albuquerque, Sapiranga, Conjunto Ceará e Sobral.
A unidade de Sobral representa a primeira entrada da marca no interior do Estado. A expansão para a cidade natal de Franzé foi apresentada como um novo desafio para a empresa.
O empresário informou que o grupo conta hoje com 930 colaboradores diretos. Ele afirmou que o número ainda pode crescer conforme novas vagas sejam abertas e as unidades ampliem suas operações.
O faturamento das 11 lojas, segundo Franzé, chega a aproximadamente R$ 23 milhões por mês. O empresário também explicou que seis unidades são próprias e cinco funcionam em imóveis alugados.
A loja com maior faturamento atualmente é a unidade da Monsenhor Salazar, na região do Pio 12. Segundo ele, o desempenho está relacionado principalmente à localização, que apresenta menor disponibilidade de terrenos para a instalação de concorrentes.
Gestão e logística estão entre os principais desafios
Apesar do crescimento, Franzé afirmou que a gestão continua sendo um dos principais desafios do grupo. Para ele, o dinheiro não foi necessariamente o maior obstáculo ao longo da expansão, já que o acesso ao crédito pode viabilizar investimentos quando a empresa mantém bom relacionamento com fornecedores.
Na operação atual, um dos pontos que recebem atenção é a logística. O empresário estimou que o grupo poderia vender cerca de 10% a mais caso reduzisse problemas relacionados à falta de produtos nas lojas.
A chamada ruptura acontece quando determinado item procurado pelo consumidor não está disponível. Para enfrentar o problema, o Super Portugal pretende investir em pessoas, equipamentos, infraestrutura e processos.
Franzé também destacou que as lojas trabalham com os mesmos preços, independentemente da região. O que muda é o perfil de consumo de cada área, já que determinados produtos apresentam maior procura em alguns bairros.
Empresário quer ampliar presença em Fortaleza
Durante a entrevista, Franzé Feijó revelou que pretende continuar expandindo o Super Portugal para diferentes regiões de Fortaleza. A intenção é manter a presença nas áreas onde a empresa já atua e também buscar oportunidades em regiões consideradas mais nobres da capital.
Para 2026, o grupo já abriu duas unidades: uma no Conjunto Ceará e outra em Sobral. Até o fim do ano, a previsão é concentrar os esforços na melhoria da infraestrutura, logística e processos internos.
Para 2027, o planejamento atual prevê a abertura de mais uma loja em Fortaleza. O empresário não revelou a localização por questões estratégicas.
Franzé também afirmou que pretende abrir uma segunda unidade em Sobral no futuro, possivelmente em 2027 ou 2028, para ampliar a presença da marca na cidade.
Apesar de desejar chegar a 50 lojas, o empresário ressaltou que a expansão precisa ser compatível com a qualidade de vida e a convivência com a família. “Eu quero 50 lojas, mas se eu tiver condições de vida. Se eu não puder dar atenção a eles, eu não quero as lojas.”
Empresário destaca relação com clientes e colaboradores
Ao falar sobre o que considera um diferencial do Super Portugal, Franzé destacou o relacionamento com as comunidades onde as unidades estão instaladas. Segundo ele, a empresa busca oferecer preço justo, atendimento rápido e proximidade com os consumidores.
O empresário também apontou o desenvolvimento de pessoas como uma das principais motivações da trajetória empresarial. Para ele, o crescimento do grupo não pode ser medido apenas pelo patrimônio ou pelo faturamento, mas também pelas oportunidades criadas para profissionais.
Ao relembrar a transformação do negócio, Franzé afirmou que o principal resultado é o desenvolvimento pessoal e das pessoas que passaram pela empresa.
A cultura empresarial, segundo ele, é preservada por meio da presença nas lojas, do contato com colaboradores e clientes e da busca constante por conhecimento.
Franzé Feijó aconselha empreendedores a controlar despesas
No encerramento da entrevista, o empresário deixou um conselho para jovens que estão começando a empreender e para quem enfrenta dificuldades para manter um negócio.
Franzé destacou a importância de controlar as despesas e manter uma relação equilibrada entre custos e receitas. Para ele, o empreendedor precisa avaliar a própria capacidade financeira antes de decidir pela continuidade ou expansão de uma atividade. “Você não pode ter uma despesa maior do que a sua receita.”
O fundador do Super Portugal também defendeu persistência, mas sem ignorar os limites financeiros do negócio. Ele resumiu a orientação aos novos empreendedores em uma mensagem direta: “Insista, persiste e não desista.”
Ao final do programa, Franzé agradeceu à família e atribuiu parte da trajetória à fé. Ele também afirmou que continua se considerando um sonhador e que cada dia representa um novo desafio, mesmo após 30 anos à frente do grupo.
O Conexões com Ricardo Bezerra é transmitido pela JP News Fortaleza e também conta com edição aos domingos na TV Cidade Record. A atração apresenta histórias de empresários e personalidades ligadas à economia e ao empreendedorismo no Ceará.




