O piloto cearense Alex Bacana precisou retornar aos Estados Unidos após enfrentar mais um problema mecânico durante a etapa final da volta ao mundo. A aeronave experimental PT-ZRQ apresentou um alerta de baixa pressão de combustível durante um voo iniciado em Key West, na Flórida, com destino à Jamaica. Após cerca de 30 minutos de voo, Alex decidiu interromper a viagem e voltar ao território norte-americano para investigar a falha e realizar uma nova revisão no avião.
A ocorrência é mais um contratempo na fase de retorno da expedição, que já passou pelos cinco continentes e agora avança pela América Central e pelo Caribe em direção ao Brasil. Segundo Alex, o avião passou por dois dias de revisão em Fort Lauderdale e está novamente em condições de voo.
A previsão é de que ele tente deixar os Estados Unidos neste domingo (23), com destino a uma ilha nas Bahamas, antes de continuar a rota de volta para Fortaleza.
Retorno ao Brasil ganha novos obstáculos
A etapa final da viagem tem sido marcada por mudanças de planos e imprevistos. Antes da nova pane, Alex havia tentado deixar os Estados Unidos em direção ao México, mas enfrentou dificuldades burocráticas que o fizeram permanecer quatro dias no país à espera de uma autorização para continuar a viagem pelo território mexicano.
O documento necessário não foi liberado dentro do período esperado. Diante disso, o piloto decidiu abandonar aquela rota e retornar aos Estados Unidos para buscar uma alternativa de caminho até o Brasil.
"Esse papel não saiu e aí eu optei por voltar para os Estados Unidos para poder seguir por outra rota. A gente tem que se adaptar aos obstáculos da vida", relatou.
Depois, Alex contornou o Golfo do México e chegou novamente à Flórida. A partir de Key West, uma ilha localizada no extremo sul do estado, ele iniciou uma nova tentativa de deixar os Estados Unidos, desta vez em direção à Jamaica.
Alerta de combustível interrompe voo sobre o mar
O problema aconteceu quando a aeronave já estava sobre o oceano, na região próxima a Cuba. Cerca de meia hora depois da decolagem, Alex recebeu um alerta indicando baixa pressão no sistema de combustível.
A situação exigia atenção porque uma queda na pressão poderia significar que o combustível não estava chegando adequadamente ao motor. Diante do risco, o piloto decidiu não prosseguir com a travessia e retornou à Flórida.
"Eu tive um problema mecânico, um alerta de baixa pressão do combustível, que é um negócio relativamente sério, porque quer dizer que não estava chegando combustível no motor", explicou.
O avião voltou para Fort Lauderdale, onde passou por uma revisão durante dois dias. Após os trabalhos, Alex informou que o PT-ZRQ está novamente em condições de seguir viagem.
Próxima parada deve ser nas Bahamas
Com o avião revisado, o próximo plano é deixar os Estados Unidos novamente e avançar pelo Caribe.
A previsão é de que Alex decole neste domingo em direção a uma ilha das Bahamas. A partir dali, a rota continuará sendo definida de acordo com as condições operacionais, meteorológicas e burocráticas encontradas no caminho.
A etapa atual já tem um caráter diferente das primeiras fases da expedição. Depois de atravessar países da América do Norte, Europa, África, Ásia e Oceania, o piloto está agora concentrado no retorno ao ponto de partida.
Apesar dos obstáculos, Alex mantém a previsão de concluir a missão em setembro, quando espera pousar novamente em Fortaleza.
"Não está sendo fácil, mas a gente está voltando. Daqui a pouco, setembro, a gente está de volta aí na nossa terrinha em Fortaleza", afirmou.
Uma volta ao mundo ainda sem ponto final
Embora a maior parte da rota internacional já tenha sido concluída, a missão só será encerrada oficialmente quando o avião retornar ao Ceará.
Alex já cruzou os cinco continentes e passou por mais de 20 países desde o início da expedição. Durante a jornada, enfrentou temperaturas extremas, interferências de GPS, panes elétricas, problemas de combustível, mudanças de rota, restrições de espaço aéreo e dificuldades para obter autorizações de voo.
Entre os trechos mais desafiadores estiveram as travessias do Ártico, do Oceano Atlântico Norte e de grandes áreas do Oceano Índico e do Pacífico. Na Ásia, o piloto também precisou lidar com restrições provocadas pelo cenário geopolítico e contou com o apoio de representações diplomáticas brasileiras para conseguir avançar pela região.
Depois de chegar à Rússia e atravessar o extremo leste do país, Alex retornou ao continente americano pelo Alasca. A partir de então, passou pelos Estados Unidos e iniciou a descida pelo continente, com a expectativa de atravessar ainda outras regiões antes de chegar ao destino final.
Agora, a aeronave está novamente pronta em Fort Lauderdale, e a próxima tentativa será pelo Caribe. A missão segue até Fortaleza, onde Alex pretende encerrar a volta ao mundo e celebrar a conclusão de uma jornada que já dura meses.
"Estamos indo, estamos indo. Muito obstáculo, muitas coisas para resolver, mas estamos avançando", disse o piloto.




