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INVESTIGAÇÃO

PM encontrada amarrada e marido são indiciados pela morte de soldado carbonizado no Ceará

Inquérito aponta que casal teria agido em conjunto na morte de Raphael Sampaio, de 27 anos; polícia também identificou veículo ligado ao marido e contradições na versão apresentada pela policial

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PM encontrada amarrada e marido são indiciados pela morte de soldado carbonizado no Ceará
Policial que alegou ter sido sequestrada é indiciada pela morte de soldado carbonizado no Ceará. Foto: Reprodução

A morte do soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, ganhou novos elementos após a conclusão do inquérito policial. A Polícia Civil do Ceará indiciou a soldado Júlia Natália Girão Gomes, que havia sido encontrada amarrada em um matagal de Aquiraz após o crime, e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, por homicídio qualificado. Segundo a investigação, os dois teriam participado do assassinato do militar, encontrado carbonizado dentro do próprio carro em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.

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O indiciamento ocorreu na última sexta-feira (21). A investigação reuniu imagens de câmeras de segurança, sistemas de leitura de placas, depoimentos, exames periciais e a análise das versões apresentadas pelos investigados para reconstruir a sequência dos acontecimentos.

Raphael e Júlia eram colegas da Polícia Militar e haviam trabalhado juntos no mesmo plantão. Segundo o inquérito, os dois também mantinham um relacionamento extraconjugal.

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A investigação aponta que a participação de Júlia teria ido além do relacionamento com a vítima. A polícia considera que ela teria atuado em conjunto com Antoneudo antes e depois da morte do soldado.

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Como aconteceu a morte do soldado Raphael Sampaio

Raphael e Júlia trabalharam juntos entre as 16h do dia 10 de agosto e as 2h do dia 11. Registros do 16º Batalhão da Polícia Militar mostram o encerramento do serviço dos dois.

Às 2h19, os policiais foram ao estacionamento da unidade e entraram no Hyundai I30 pertencente a Raphael. O veículo deixou o batalhão em seguida.

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Pouco depois, às 2h36, o carro passou pela Avenida Jornalista Thomaz Coelho, em direção ao Terminal da Messejana.

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Às 2h40, o veículo chegou à Rua Florêncio Fontenele, onde Júlia morava com Antoneudo. Um minuto depois, imagens registraram o automóvel circulando lentamente pela via até parar sob uma árvore.

O carro permaneceu no local por aproximadamente 21 minutos.

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A partir daí, a investigação identificou a chegada de outro veículo que teria papel central no crime.

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Às 3h02, um Chevrolet Prisma branco apareceu atrás do Hyundai I30. Quatro minutos depois, o segundo veículo fez uma manobra e posicionou sua traseira contra a traseira do carro de Raphael.

Às 3h06, as câmeras registraram clarões próximos ao Prisma e três sons considerados pela polícia compatíveis com disparos de arma de fogo.

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O ponto onde os tiros teriam ocorrido ficava a cerca de 30 metros da residência de Júlia e Antoneudo.

Segundo a Perícia Forense, Raphael foi atingido por três disparos na cabeça.

Investigação reconstruiu os últimos momentos antes dos disparos

Após os disparos, os dois veículos deixaram o local, com o Chevrolet Prisma seguindo à frente e o Hyundai I30 de Raphael logo atrás.

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O trajeto levou os automóveis em direção à BR-116.

Às 3h22, o Prisma já foi registrado sozinho a aproximadamente 226 metros do ponto onde o carro de Raphael seria posteriormente localizado carbonizado.

A investigação também encontrou outros elementos relacionados ao veículo.

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Uma câmera registrou o Prisma novamente às 3h29. A análise das imagens indicou a presença de pelo menos duas pessoas no automóvel, devido ao movimento identificado no banco do passageiro.

Poucos minutos depois, às 3h32, o carro entrou na residência de Júlia e Antoneudo.

A perícia papiloscópica realizada dentro do Prisma encontrou impressões de Antoneudo.

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O inquérito também aponta que o veículo, embora estivesse formalmente registrado em nome de outra pessoa, estava na posse do marido da policial desde setembro de 2025. A antiga proprietária havia vendido o automóvel por R$ 24 mil, com parte do pagamento saindo da conta de Júlia e o restante da conta de Antoneudo.

Outro registro chamou a atenção dos investigadores.

Às 3h54, uma pessoa aparentemente deixou a residência do casal carregando um objeto luminoso e permaneceu por cerca de sete minutos na área relacionada ao crime. Para a polícia, essa movimentação pode estar relacionada à procura de algum vestígio que tivesse permanecido no local.

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Polícia aponta ligação do marido da PM com carro usado no crime

Às 7h17, Antoneudo foi registrado conduzindo o Chevrolet Prisma até uma oficina. Quatro minutos depois, deixou o estabelecimento utilizando um Fiat Pulse vermelho.

As câmeras da oficina também registraram Júlia e Antoneudo juntos.

Posteriormente, os dois foram filmados deixando a filha na escola, enquanto Júlia havia afirmado anteriormente que estava amarrada e sob poder de criminosos.

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O Fiat Pulse utilizado por Antoneudo também apareceu em registros no deslocamento em direção a Aquiraz, onde Júlia seria encontrada.

Para a Polícia Civil, a sequência dos deslocamentos e dos registros de videomonitoramento é incompatível com a versão inicialmente apresentada pela policial.

Na ocasião, Júlia relatou que havia sido vítima de um sequestro após criminosos abordarem o carro em que estava com Raphael. Segundo a versão apresentada por ela, os criminosos teriam matado o soldado, retirado a policial do veículo e levado-a para outro local.

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Ela acabou encontrada amarrada em uma área de mata de Aquiraz.

As investigações, porém, identificaram registros da policial em diferentes locais durante o período em que, segundo o relato inicial, ela estaria sob poder dos sequestradores.

Qual teria sido a motivação para o assassinato

A Polícia Civil trabalha com uma motivação passional para o crime.

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Segundo o inquérito, Raphael e Júlia mantinham um relacionamento extraconjugal e planejavam assumir a relação. Uma pessoa ouvida pelos investigadores afirmou que Raphael havia contado que os dois pretendiam se divorciar de seus respectivos cônjuges para ficarem juntos.

A investigação também reuniu o relato de uma testemunha segundo o qual Antoneudo teria conhecimento da traição.

Esse elemento, conforme o próprio inquérito, não foi considerado isoladamente como prova da autoria. A polícia o analisou em conjunto com os demais dados reunidos durante a investigação.

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O contexto do relacionamento, segundo a Polícia Civil, teria contribuído para a hipótese de que o assassinato foi motivado por ciúme, possessividade e retaliação.

O que a investigação aponta sobre a participação de Júlia

A investigação também analisou por que Júlia estava com Raphael naquela madrugada.

Segundo o inquérito, ela teria buscado trabalhar especificamente no plantão do soldado. A polícia afirma que a militar não estava inicialmente escalada para o serviço entre os dias 10 e 11 de agosto, mas teria insistido para participar da escala.

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Ainda de acordo com a investigação, Júlia teria oferecido R$ 50 a outra policial para que ela trocasse de lugar e permitisse sua participação naquele plantão.

Para os investigadores, esse comportamento tem relevância porque colocou Júlia ao lado de Raphael justamente na noite em que ele foi morto.

Depois do crime, a policial apresentou a versão de que havia sido sequestrada.

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A investigação, entretanto, considera que a sequência de imagens, deslocamentos e depoimentos não é compatível com o relato apresentado inicialmente.

O inquérito aponta ainda que Júlia teria permanecido vinculada a Antoneudo após o homicídio e posteriormente aparecido em Aquiraz, onde foi localizada amarrada.

Com base no conjunto de elementos, a Polícia Civil concluiu que existem indícios de que ela e o marido teriam atuado de forma conjunta, com divisão de tarefas.

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Marido da PM apresentou lesão compatível com queimadura

Outro elemento considerado pela investigação envolve Antoneudo.

Um exame realizado três dias depois do homicídio identificou no punho direito dele uma lesão com características de queimadura de segundo grau.

A polícia considera que o ferimento pode ser compatível com a hipótese de participação na execução e na posterior utilização de combustível para incendiar o veículo de Raphael.

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No local onde o Hyundai I30 foi encontrado, a perícia também identificou uma algema no banco traseiro e um recipiente com gasolina nas proximidades do automóvel.

O carro foi localizado carbonizado, com o corpo do soldado no interior.

A investigação, contudo, ressalta que não existem registros audiovisuais capazes de individualizar de maneira conclusiva Antoneudo como o autor dos disparos. A participação dele é sustentada pelo conjunto de indícios reunidos no inquérito.

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PM e marido foram indiciados por homicídio qualificado

Ao final da investigação, Júlia Natália e Antoneudo Ribeiro foram indiciados por homicídio qualificado.

A polícia apontou duas qualificadoras: o uso de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima e o chamado motivo torpe, relacionado à hipótese de motivação passional.

O caso agora segue para as próximas etapas do processo criminal.

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A defesa de Júlia, representada pelo advogado Walmir Medeiros, informou que pretende pedir a soltura da policial. Já a defesa de Antoneudo, feita pela advogada Karla Borges, afirmou que não comentaria o caso.

O indiciamento representa a conclusão da investigação policial sobre a existência de indícios de autoria e materialidade. A responsabilização criminal, no entanto, ainda depende do andamento do processo na Justiça e de eventual julgamento.

A morte de Raphael ocorreu em 11 de agosto, quando o soldado foi encontrado carbonizado dentro do próprio veículo. A partir daquele momento, a investigação passou por diferentes versões, começando com a suspeita de que Júlia também teria sido vítima de um sequestro e chegando à conclusão apresentada agora pela Polícia Civil de que ela e o marido teriam participação no homicídio.

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