Uma nova informação pode mudar o rumo da investigação sobre a morte do soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro do próprio carro em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. A policial militar Júlia Natália Girão Gomes, que está presa desde o dia do crime, pode ser solta após a análise de um habeas corpus apresentado pela defesa. Segundo apuração exclusiva do Portal GCMais, o relatório final da Polícia Civil não aponta responsabilidade direta da soldado pela morte de Raphael.
A informação foi divulgada nesta segunda-feira (24) e representa uma mudança importante em relação ao início da investigação, quando Júlia passou da condição de suposta vítima de um sequestro para principal suspeita da morte do colega de batalhão.
Apesar da nova conclusão, a policial não está sendo considerada inocentada de todas as suspeitas. Conforme a apuração, ela permanece investigada e o relatório não afasta a possibilidade de que tenha tido algum tipo de participação no contexto que levou à morte de Raphael.
O ponto central é outro: segundo as informações obtidas pelo Portal GCMais, Júlia não teria participado diretamente da ação de matar o soldado, ou seja, não seria apontada como responsável pela execução.
A defesa tenta usar essa conclusão para obter a liberdade da policial ou, alternativamente, a conversão da prisão em domiciliar.
Relatório da Polícia Civil muda rumo da investigação
A investigação começou com uma versão apresentada por Júlia de que ela também teria sido vítima de criminosos que abordaram o carro em que estava com Raphael.
Ela foi encontrada com as mãos amarradas em uma área de mata de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, e inicialmente relatou aos investigadores que havia sido sequestrada. Segundo a versão apresentada naquele momento, os criminosos teriam matado Raphael e levado a policial para outro local.
As circunstâncias relatadas, porém, passaram a ser questionadas pela Polícia Civil. A investigação encontrou contradições nos depoimentos da militar e imagens que confrontavam parte da narrativa apresentada por ela.
Entre os elementos que provocaram a reviravolta estava uma gravação que mostrava Júlia na oficina do marido na manhã do crime. Outro registro indicava a presença do casal deixando a filha na escola em um horário incompatível com parte da versão apresentada pela policial.
Com isso, Júlia foi presa em flagrante por homicídio e passou a ser investigada pela morte do colega.
Agora, o relatório final produzido pela Polícia Civil apresenta uma conclusão diferente em relação à participação direta da soldado na morte.
A conclusão mencionada não significa que toda a investigação envolvendo Júlia tenha sido encerrada. Ela permanece sob investigação para esclarecer se teve alguma participação anterior ou indireta na dinâmica do crime.
Júlia continua investigada mesmo sem responsabilidade direta pela morte
A distinção é importante para compreender a nova fase do caso. A informação aponta que Júlia não teria sido responsável pela execução de Raphael, mas isso não significa que os investigadores tenham descartado completamente a possibilidade de envolvimento dela no episódio.
Entre as hipóteses que ainda precisam ser esclarecidas está a eventual participação da policial em momentos anteriores à morte. Isso inclui, por exemplo, a possibilidade de ela ter contribuído para que o encontro com Raphael acontecesse ou ter participado de alguma etapa da dinâmica do crime.
Essas possibilidades, no entanto, não podem ser tratadas como fatos neste momento. A investigação ainda precisa esclarecer o que efetivamente aconteceu entre a saída dos policiais do trabalho e a localização do corpo de Raphael.
A nova informação também não significa que Júlia tenha sido reconhecida oficialmente como vítima do crime. A situação dela, conforme a apuração, continua sendo de investigada.
O que muda é a conclusão sobre a participação direta na morte.
A diferença é relevante porque a prisão que colocou a policial no centro do caso ocorreu justamente após a investigação apontar contradições em sua narrativa e levantar suspeitas de participação no homicídio.
Defesa pede liberdade ou prisão domiciliar
Com o relatório da Polícia Civil concluído, a defesa de Júlia apresentou um habeas corpus à Justiça. O pedido busca a liberdade da policial. Como alternativa, os advogados pedem que ela cumpra prisão domiciliar.
A solicitação deve ser analisada nesta segunda-feira (24). A possibilidade de soltura está relacionada justamente à conclusão apresentada no relatório policial sobre a ausência de responsabilidade direta de Júlia pela morte de Raphael.
A defesa também argumenta que a policial tem uma filha menor que precisa de cuidados, segundo as informações divulgadas sobre o pedido. Até a decisão judicial, contudo, Júlia permanece presa.
A análise do habeas corpus será um dos próximos passos importantes do caso, principalmente porque poderá definir se a policial continuará encarcerada enquanto as demais suspeitas são investigadas ou se poderá responder ao processo em liberdade ou em prisão domiciliar.
Marido da PM também é investigado no caso
O marido de Júlia, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, também está relacionado à investigação. Ele foi preso na mesma ocasião e, após passar por audiência de custódia, teve a prisão relaxada. Entretanto, conforme já informado no caso, ele continuou detido em razão de outro mandado de prisão relacionado a um processo que tramita em segredo de Justiça.
Antoneudo também passou a ser alvo das investigações sobre a morte de Raphael. Outro elemento que ganhou relevância durante a apuração foi a existência de lesões compatíveis com queimaduras no corpo do marido de Júlia, identificadas durante procedimentos realizados após a prisão.
A informação foi apresentada nesta segunda-feira durante a atualização do caso. Ainda não há, porém, confirmação de que essas lesões tenham sido provocadas durante a morte de Raphael. A relação entre os ferimentos e o crime continua sendo um ponto a ser esclarecido pelas autoridades.
O relatório final da investigação deverá ajudar a estabelecer a dinâmica do homicídio e o papel de cada pessoa eventualmente envolvida.
Entenda o caso Raphael Sampaio
Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, era soldado da Polícia Militar do Ceará e colega de batalhão de Júlia Natália.
O corpo dele foi encontrado carbonizado dentro de um veículo no bairro Ancuri, em Itaitinga. A perícia indicou que o policial havia sido atingido por disparos de arma de fogo antes de o corpo ser queimado.
Horas depois, Júlia foi localizada com as mãos amarradas em uma área de mata. Inicialmente, ela afirmou ter sido vítima de criminosos que também teriam atacado Raphael.
A investigação, entretanto, encontrou inconsistências na narrativa e imagens de câmeras de segurança que passaram a ser consideradas pelos investigadores. A policial acabou presa por suspeita de homicídio.
Agora, pouco menos de duas semanas após a morte, o caso passa por uma nova reviravolta.
Segundo apuração exclusiva do Portal GC Mais, o relatório final da Polícia Civil não atribui a Júlia responsabilidade direta pela morte de Raphael. A policial, entretanto, continua investigada para esclarecer se teve algum outro tipo de participação na sequência de acontecimentos que terminou com a execução do soldado.
A decisão sobre o habeas corpus poderá representar o próximo capítulo da investigação. Enquanto isso, as autoridades ainda precisam esclarecer toda a dinâmica do crime e determinar quais pessoas tiveram participação direta ou indireta na morte de Raphael Sampaio.



