A Ponte Preta entrou em greve após o elenco profissional do clube suspender as atividades por causa de salários e direitos de imagem atrasados. A paralisação começou na quarta-feira (26), depois que o prazo dado pelos jogadores para a regularização dos pagamentos terminou sem solução. Em alguns casos, os atletas afirmam estar há cerca de seis meses sem receber.
A crise financeira teve reflexos imediatos no futebol. No mesmo dia em que os jogadores deixaram o Centro de Treinamento sem treinar, Márcio Zanardi, então técnico do time, pediu demissão e encerrou sua passagem pelo clube. Nesta quinta-feira (27), a diretoria trabalha com o nome de Gilson Kleina para assumir a equipe, mas o acordo ainda depende da assinatura do contrato.
Elenco da Ponte Preta paralisa atividades
Os jogadores se apresentaram normalmente no CT do Jardim Eulina na manhã de quarta-feira, mas deixaram o local sem realizar o treinamento. A decisão foi anunciada em comunicado assinado pelo elenco, que informou que a suspensão permaneceria até a regularização das pendências financeiras.
Segundo os atletas, a paralisação vale tanto para os treinamentos quanto para os jogos. O grupo afirmou ainda que havia dado um prazo à diretoria para que os pagamentos fossem regularizados até terça-feira (25), mas não recebeu os valores dentro do período estipulado.
Na manifestação, os jogadores também criticaram a falta de diálogo com a diretoria e afirmaram estar sem garantias sobre quando os salários seriam quitados. O comunicado foi entregue ao executivo João Brigatti e encaminhado à presidência e ao departamento jurídico do clube.
Atrasos salariais chegam a seis meses em alguns casos
De acordo com o comunicado dos jogadores, alguns atletas estão há seis meses sem receber salários e direitos de imagem. A informação também foi confirmada pelo advogado que representa o elenco, Felipe Rino.
Rino afirmou que a situação financeira do clube provocou um cenário de grande dificuldade para os atletas. Segundo ele, há jogadores enfrentando problemas pessoais em razão dos atrasos e que alguns passaram a arcar com despesas enquanto continuam trabalhando normalmente.
O advogado também apontou que o problema não se limita aos pagamentos. A falta de comunicação entre diretoria e elenco aparece como outro fator de desgaste dentro do clube.
A crise financeira da Ponte já havia sido exposta pelos próprios jogadores na semana anterior, quando o elenco publicou um ultimato e avisou que poderia suspender as atividades caso os valores não fossem regularizados até 25 de agosto.
Greve coloca jogo contra o América-MG em risco
A paralisação cria um problema imediato para a Ponte Preta porque o próximo compromisso pela Série B está marcado para domingo (30), contra o América-MG, no Independência, em Belo Horizonte. A CBF confirma a partida para as 16h.
Com a decisão dos jogadores de suspender também os jogos, existe o risco de a Ponte não conseguir montar uma equipe profissional para entrar em campo.
A diretoria, por isso, passou a trabalhar com a possibilidade de utilizar atletas das categorias de base para evitar o W.O. caso a paralisação do elenco principal continue até o fim de semana.
A situação ainda pode mudar até domingo. O clube tenta chegar a um acordo com os jogadores e regularizar parte das pendências para evitar novos impactos no calendário da Série B.
Márcio Zanardi deixa o clube em meio à crise
Além da paralisação do elenco, a Ponte Preta perdeu o técnico Márcio Zanardi na quarta-feira.
O treinador comunicou à diretoria que não permaneceria no cargo e teve a saída confirmada pelo clube no mesmo dia. Zanardi havia chegado em 11 de junho, para substituir Rodrigo Santana.
Durante o período em que comandou a equipe, Zanardi dirigiu a Ponte em 12 partidas pela Série B, com dois empates e dez derrotas. O treinador também vinha manifestando publicamente preocupação com a situação financeira e administrativa do clube.
Em uma mensagem publicada após a saída, Zanardi afirmou que chegou a um entendimento com a direção de que “não havia mais condições” de dar continuidade ao trabalho.
A saída agravou a instabilidade da equipe, que já enfrentava a paralisação dos jogadores e uma série de problemas administrativos.
Ponte busca novo técnico para sequência da Série B
A diretoria da Ponte Preta já procura um substituto para Zanardi.
O principal nome em negociação é Gilson Kleina, que aceitou o desafio de assumir o clube mesmo diante da crise financeira e administrativa. Nesta quinta-feira (27), porém, o contrato ainda dependia de assinatura para que a contratação fosse oficializada.
Kleina é um velho conhecido da torcida da Ponte e, caso o acordo seja concluído, terá a missão de assumir uma equipe em situação delicada dentro e fora de campo.
Na Série B, a Ponte ocupa a última colocação, com dez pontos em 24 jogos, e está há 18 partidas sem vencer. A equipe também chega ao fim de agosto convivendo com problemas financeiros, saída de jogadores, transfer bans e agora a paralisação do elenco.
Ponte Preta vive crise financeira e esportiva
A greve ocorre em um momento de forte instabilidade para o clube.
Além dos atrasos salariais, a Ponte enfrenta transfer bans que impediram o registro de novos jogadores contratados durante a janela de transferências. Oito atletas chegaram recentemente, mas deixaram o clube sem sequer estrear porque a equipe não conseguiu regularizar as punições.
Dentro de campo, a situação também piorou durante a passagem de Zanardi. Quando o técnico chegou, a Ponte era vice-lanterna, com oito pontos. Doze rodadas depois, a equipe caiu para a última posição e chegou a dez pontos.
A combinação entre resultados ruins, dificuldades financeiras e conflitos administrativos coloca o clube sob pressão para a sequência do campeonato.
O que diz a lei sobre a paralisação dos jogadores?
A Lei Geral do Esporte prevê que o atleta profissional pode se recusar a competir quando os salários, total ou parcialmente, estiverem atrasados por dois meses ou mais.
A legislação também prevê a possibilidade de rescisão indireta do vínculo em caso de inadimplência com remuneração ou contrato de direito de imagem por período igual ou superior a dois meses.
No caso da Ponte, os jogadores afirmam que alguns pagamentos estão atrasados há aproximadamente seis meses.




